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NOVO MINISTÉRIO

Fim do Ministério da Cultura gera dúvidas acerca do tema

Ministério da Cultura será integrado ao Ministério da Educação. Profissionais da área temem a desvalorização do tema

Fim do Ministério da Cultura gera dúvidas acerca do tema
O deputado federal Mendonça Filho foi anunciado por Michel Temer como o ministro da Educação e Cultura (Foto: Câmara dos Deputados)

O anúncio do quadro ministerial do presidente interino Michel Temer, feito na manhã desta quinta-feira, 12, revelou os novos 23 ministros do governo – nove a menos que na gestão de Dilma Rousseff.

Entre as pastas que foram extintas, está o Ministério da Cultura (MinC), criado em 1985. A pasta será fundida ao Ministério da Educação (MEC), que ficará sob a responsabilidade do deputado federal José Mendonça Bezerra Filho (DEM).

O fim do MinC gerou uma série de dúvidas no setor cultural, como por exemplo o peso que o tema terá no novo Ministério de Educação e Cultura. Não se sabe ainda se a cultura terá status de secretaria ou se será um “duplo ministério”.

Para profissionais ligados à área de cultura o fim do MinC e a fusão com o MEC evidencia a desvalorização do setor por Temer. Com a cultura subordinada ao MEC, há preocupações acerca da perda da capacidade de gestão, do desmonte de equipe, da interrupção de projetos e programas culturais, da alteração nas leis de incentivo e nos fundos de cultura.

O ex-ministro Juca Ferreira, exonerado nesta quinta-feira após o anúncio dos novos ministros, declarou que a fusão dos ministérios é uma “irresponsabilidade” e “um retrocesso de mais de 20 anos”, já que para ele havia especificidade e “uma soma de legados e acumulações” na pasta. O Secretário-executivo do MinC entre 2008 e 2010 e atual diretor-presidente da SP Cine, Alfredo Manevy, também criticou a ação. “Estamos no túnel do tempo rumo a um passado obscuro, para uma mentalidade anterior aos anos 1970”, disse Manevy.

Para Francisco Weffort, ex-ministro da Cultura do governo Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002), fundir os ministérios “é deixar de avançar”. “A fusão não beneficia nenhum dos dois lados”. Já o ex-secretário da Cultura Sérgio Paulo Rouanet, que dá nome à atual lei de incentivo, tem um olhar menos pessimista e “quer crer que a junção não seja um desastre”.

Antes do MinC ser extinto por Temer, o deputado Roberto Freire (PPS) chegou a ser convidado para assumir a pasta, mas foi desconvidado logo em seguida. Então, foi cogitado que assumisse uma possível Secretaria de Cultura, o que também não aconteceu.

Apesar de nunca ter ocupado um cargo relacionado à Educação ou Cultura, o novo ministro Mendonça Filho afirma que durante seu mandato como vice-governador de Pernambuco, entre 1999 e 2006, esteve “diretamente ligado a projetos e programas dedicados a esses setores”.

Fontes:
O Globo-Ministério da Cultura chega ao fim e muitas dúvidas inquietam o setor

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2 Opiniões

  1. Markut disse:

    Se as indispensáveis reformas, que são absolutamente necessárias, patinarem pela pressão dos diversos interesses , supostamente intocáveis, e que olham só para o próprio umbigo, não vai se conseguir senão continuar a ter mais do mesmo.

  2. Ludwig Von Drake disse:

    É por não saberem o que é cultura nem o que fazer com ela que a fundem com a Educação. Cultura tem mais a ver com Industria e Comércio. Tanto é que falam: “produção de bens culturais”.

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