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COSTUMES BRASILEIROS

‘Financial Times’ critica a cultura da ajuda doméstica no Brasil

Em artigo publicado na quinta-feira, 23, jornal aponta contradições entre o exército de empregados domésticos contratados no Brasil e a igualdade social

‘Financial Times’ critica a cultura da ajuda doméstica no Brasil
Artigo cita caso de casal que levou babá a protesto (Foto: Facebook)

Nesta quinta-feira, 23, o Financial Times publicou um artigo em que aponta as contradições entre o costume dos brasileiros de contratar ajuda doméstica e a luta pela igualdade entre classes no país.

Na matéria intitulada “Brasil faz excesso parecer brincadeira de criança” (em tradução livre), a colunista Samantha Pearson faz uma análise dos hábitos culturais do país, usando como exemplo a insistência de sua sogra brasileira de que ela contratasse garçons para a festa de um ano de seu filho, o que Samantha julga uma extravagância desnecessária.

O artigo levanta a ideia de que tais costumes devem estar à beira da extinção, considerando-se o fato de que o país passa pela sua pior recessão. Para Pearson, os exércitos de funcionários domésticos são incompatíveis com a cobiçada igualdade social.

Atentando para o debate que a nomeação de um gabinete exclusivamente masculino e branco pelo presidente interino Michel Temer iniciou, a correspondente do FT no Brasil lembrou o caso da revolta que a foto de um casal, a caminho de uma manifestação pelo impeachment de Dilma Rousseff, acompanhado pela babá negra e uniformizada empurrando os carrinhos dos filhos provocou. Além disso, ela cita, ainda, o caso da babá que não pôde usar o banheiro do Country Club em Ipanema, no Rio de Janeiro.

“O país”, diz o artigo, “tem cerca de sete milhões de trabalhadores domésticos, de acordo com um estudo de 2013 pelo International Labour Office”. Segundo o estudo, uma em cada seis trabalhadoras está atualmente empregada como funcionária doméstica no Brasil. O número é ainda mais alto entre as mulheres negras.

“Para ser justa, os patrões – especialmente aqueles que constantemente viajam para fora do país – ficam pelo menos um pouco tímidos sobre seus estilos de vida aristocráticos quando perguntados. No entanto, não está claro o quão dispostos eles estão a abrir mão disso. O mesmo pode ser dito da corrupção: enquanto os brasileiros reclamam sobre os políticos ladrões, a quantidade de quebra de regras que acontece no dia a dia em todos os níveis sociais é impressionante.”

Fontes:
Financial Times-Brazil makes excess look like child’s play

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2 Opiniões

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Samantha Pearson tenta analisar um fenômeno comum à países pobres com os paradigmas da sua cultura inglesa. Se ela, podendo, tivesse contratado os garçons, teria gerado uma renda extra para muitos desempregados que fazem bico nessa atividade. Nem falarei das empregadas domésticas.

  2. helo disse:

    A maior tragédia nos países pobres é a falta de emprego. No primeiro mundo migrantes trabalham como faxineiros, babysitters, os quais tanto aqui como lá para trabalhar também pagam por ajuda doméstica. Não contamos infelizmente com escolas com horário semi-integral, que certamente poderiam ajudar as famílias que trabalham.

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