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COMPRA E VENDA

Flávio Bolsonaro comprou R$ 4,2 milhões em imóveis em três anos

Em parte das transações, os valores declarados são inferiores ao cálculo para o imposto de transição de bens da Prefeitura

Flávio Bolsonaro comprou R$ 4,2 milhões em imóveis em três anos
Revelação vem na esteira do novo relatório do Coaf (Foto: Divulgação/Alerj)

O deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) movimentou, em um período de três anos, R$ 4,2 milhões em compra de imóveis.

A informação foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo. Segundo dados obtidos em cartório pela reportagem do jornal, de 2014 a 2017, Flávio adquiriu dois apartamentos no Rio de Janeiro, ao custo de R$ 4,2 milhões. Em parte das transações, o valor declarado pelos vendedores e compradores é menor que o determinado no cálculo para o imposto de transição de bens da Prefeitura.

A revelação vem na esteira do novo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), elaborado na última semana, a pedido do Ministério Público do Rio. O novo relatório aponta que, em 2017, Flávio recebeu 48 depósitos de R$ 2 mil em dinheiro em sua conta bancária, que somavam R$ 96 mil. Os depósitos foram feitos em um espaço de cinco dias. O relatório também apontou o pagamento de um título bancário da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 1.016.839.

Na noite do último domingo, 20, Flávio concedeu uma entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Rede Record. Flávio afirmou que o pagamento do título e os depósitos fracionados eram referentes a um imóvel que adquiriu na planta em 2017. Segundo apurou a Folha, o imóvel fica no bairro das Laranjeiras, zona sul do Rio. No mesmo ano, ele se desfez do imóvel. Flávio disse que passou a dever à Caixa após a instituição ter quitado a dívida dele com a construtora, o que explicaria o pagamento do título de R$ 1 milhão detectado pelo Coaf.

Em sua versão, Flávio também disse que os valores recebidos por foram depositados em sua conta de forma fracionada porque R$ 2 mil é o limite para cada depósito no caixa automático utilizado – as movimentações suspeitas identificadas pelo Coaf partiram de um terminal de autoatendimento, que fica na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Na entrevista, o senador eleito levou papéis que afirmou serem documentos que comprovam a negociação imobiliária, mas não quis mostrá-los, pois afirmou que a imprensa não é o foro adequado para isso, mas sim o Ministério Público.

“Não tem mistério nenhum, está tudo declarado, justificado no papel. Está tudo declarado ao Fisco [Receita Federal], está declarado na escritura. Se fosse algo ilícito, você acha que estava na minha conta? Não tem dinheiro ilícito na minha mão”, disse o senador eleito.

A entrevista, no entanto, deixou dúvidas em aberto. Flávio não foi questionado sobre o porquê de ter optado por 48 depósitos no valor de R$ 2 mil, em vez de depositar o total que recebeu em espécie na agência bancária onde tem conta. Ele também não foi questionado sobre por que optou por receber em espécie, em vez de transferência bancária.

O senador eleito afirmou que se desfez do imóvel, assim que o pagamento foi quitado. Na ocasião, o imóvel tinha subido para R$ 2,4 milhões. Flávio teria se desfeito do imóvel em uma permuta, na qual recebeu troca uma sala comercial na Barra da Tijuca e um apartamento em na Urca, além de R$ 600 mil em dinheiro, sendo R$ 50 mil em cheque e R$ 550 mil sem descrição da forma de pagamento.

A prática de adquirir imóveis por um valor abaixo do cálculo da Prefeitura e vender pouco tempo depois, por um valor muito acima, é antiga na família Bolsonaro e já foi apontada em uma reportagem da Folha de janeiro de 2018, sobre a evolução do patrimônio da família.

Segundo critérios do Coaf e do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), transações desse tipo têm indícios de lavagem de dinheiro. O Cofeci aponta que há indícios deste tipo de crime em transações imobiliárias nas quais há “aparente aumento ou diminuição injustificada do valor do imóvel” e “cujo valor em contrato se mostre divergente da base de cálculo do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI)”. Além disso, transações com valor abaixo do real também são uma forma de driblar o imposto imobiliário, ao registrar um valor de aquisição menor, pagando o restante por fora.

 

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