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DEPOIMENTO

‘Fui condenado à morte civil’, diz Geddel

Em depoimento na Justiça Federal em Brasília, ex-ministro Geddel Vieira Lima nega ter atuado para impedir a delação de Lúcio Funaro

‘Fui condenado à morte civil’, diz Geddel
Geddel disse ter sido lançado ao ‘vale dos leprosos’ pelos aliados (Foto: Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil)

O ex-ministro Geddel Vieira Lima prestou depoimento na sede da Justiça Federal em Brasília nesta terça-feira, 6. Geddel está preso desde setembro do ano passado por tentativa de obstrução de Justiça nas investigações das operações Sépsis e Cui Bono, que apuram sua participação em um esquema de desvio de recursos da Caixa Econômica Federal.

Em um discurso recheado de dramaticidade, Geddel negou ter atuado para impedir a delação premiada do operador Lúcio Bolonha Funaro, através de telefonemas intimidatórios a Raquel Pitta, esposa de Funaro.

O ex-ministro negou “peremptoriamente” ter oferecido vantagem ao delator ou enviado recados a ele. “Fui condenado à pior das penas. Não há remissão, não há indulto, não há anistia, não há graça. Fui condenado à morte civil. As conversas que tinha sobre Funaro eram as mesmas que se tinha sobre José Dirceu, nesse redemoinho de notícias”, disse Geddel.

O ex-ministro disse que os telefonemas feitos a Raquel tinham como objetivo prestar “solidariedade” e disse que suas “ligações amigáveis devem ter feito bem” a ela. “Digo isso porque amigos de longa data me lançaram ao degredo, me lançaram ao vale dos leprosos”, disse o ex-ministro.

Em seguida, Geddel chorou ao lembrar que foi preso pela segunda vez no dia do aniversário do filho de oito anos e citou Padre Vieira, religioso português da Companhia de Jesus, que foi missionário no Brasil no século 17. “Me reencontrei com Padre Vieira. Os olhos foram feitos para ver e para chorar, mais chorar do que ver. É a manifestação da alma de dor, de saudade de família”, disse o ex-ministro.

Antes do depoimento de Geddel, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, depôs na condição de testemunha de defesa de Geddel. Padilha disse que conhece Geddel desde 1995, quando os dois foram deputados, e que, em seu entendimento, não há nada no ex-ministro que o desabone. “Sempre tive nele uma pessoa correta, alguém que cumpria com suas obrigações”, disse Padilha.

Acusação de obstrução de Justiça

Segundo procuradores do Ministério Público Federal (MPF), Geddel “intimidava indiretamente o custodiado, na tentativa de impedir ou, ao menos, retardar a colaboração de Lúcio Funaro com os órgãos investigativos”.

A conclusão se baseia em depoimentos de Raquel Pitta. A Polícia Federal identificou 17 contatos telefônicos com Geddel no celular de Raquel em um período de 19 dias. Deste total de ligações, 16 foram feitas pelo ex-ministro.

 

Leia mais: MPF denuncia Geddel Vieira Lima por obstrução de Justiça

Fontes:
Folha-'Amigos me lançaram ao vale dos leprosos', diz Geddel em depoimento

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2 Opiniões

  1. Beraldo disse:

    Padilha safado e sem vergonha diz que o cara é correto e cumpridor de suas obrigações.

    Falou com a boca?

    Ele, o Padilha, é o segundo no comando do PCB – Primeiro Comando do Brasil, abaixo apenas do TemerCola, dando ordens de dentro da Penitenciária Domiciliar de Segurança Máxima do Planalto.

    O terceiro é o Moreira Franco, o quarto fica entre o Aécio Neves e o Romero Jucá. De quinto pra baixo vem o Eduardo Cunha, Henrique Alves e vai por aí a fora.

    No campo operacional, aquele que faz as coisas acontecerem estão os Presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, respectivamente.

    E pra dar cores legais a todos os crimes, a PGR Raquel Dodge e o Ministro do STF Gilmar Mendes.

    A propósito, a Dodge teve a cara de pau de encenar um choro, ao falar do combate ao trabalho escravo, que para ela é uma prioridade. Lixo e marionete, manda arquivar processos do colarinho branco e tem dó dos trabalhadores escravos, escravos dos colarinhos brancos.KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

  2. Daniela Villa disse:

    O Geddel chorou lágrimas de crocodilo e ainda não disse de onde saíram aqueles 51 milhões.

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