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Fulguras, ó Brasil: Bolsonaro, Mourão e ministros cantam juntos o Hino Nacional

Seria cômico, não fosse trágico, ver um governo como o de Jair Bolsonaro cantar a ‘paz no futuro’ do Brasil

Fulguras, ó Brasil: Bolsonaro, Mourão e ministros cantam juntos o Hino Nacional
Coube ao presidente e ao vice-presidente interpretar os primeiros versos do hino (Foto: Alan Santos/PR)

Em um ambiente de “retrocesso civilizatório”, para usar a expressão que já se consolida na comunidade internacional para classificar o governo Jair Bolsonaro, seria de se esperar um retrocesso estético também – além do ético, político, social e econômico. O vídeo produzido pela presidência da República para comemorar o Dia da Independência é uma peça exemplar disso.

O vídeo começa com pessoas comuns radiantes com o país que hoje têm e em meio a dois símbolos pátrios, a camisa da seleção da CBF quase tanto quanto a bandeira nacional, enquanto ressoam os primeiros acordes da melodia de Francisco Manuel da Silva. Quando começa a parte cantada, a comunicação social do Palácio do Planalto teve a ideia de produzir um videoclipe do Dia da Independência mais ou menos como o clipe de “We Are the World” do USA For Africa, com todo o alto escalão do Poder Executivo revezando-se na letra de Joaquim Osório Duque-Estrada, cabendo ao presidente da República e a seu vice interpretarem os primeiros versos.

Mas com a diferença, fundamental, de que Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão não são exatamente Lionel Richie e Steve Wonder. O resultado foi que, cantando o hino nacional brasileiro, Bolsonaro pareceu ler o hino nacional num teleprompter também, tamanha a semelhança da “espontaneidade” de sua interpretação com os pronunciamentos que faz na televisão; o resultado foi que Hamilton Mourão pareceu cantar “de um povo heróico o brado retumbante” mais ou menos como bradou, mesmo, aos berros, seu juramento de posse no Congresso Nacional, ainda que agora parecendo um pouco mais tímido diante da câmera.

De modo que Bolsonaro e Mourão, que entre as coisas que têm em comum está a admiração por Carlos Alberto Brilhante Ustra, fizeram mais um dueto de homenagem à tortura, por assim dizer. A quatro mãos, ou melhor, a dois gogós, dessa vez massacrando um dos quatro símbolos oficiais da República Federativa do Brasil.

O vídeo segue, e um índio de camisa pólo e uma índia de echarpe cantam “brilhou no céu da pátria nesse instante”; o vídeo segue, e sucedem-se, soltando a voz, Abraham Weintraub, Marcos Pontes, Onyx Lorenzoni e Ernesto Araújo, o chanceler “antiglobalista” a quem coube cantar “gigante pela própria natureza”. Na parte “dos filhos deste solo é mãe gentil”, é claro que os originalíssimos comunicadores do “novo Brasil” puseram uma mulher grávida cantando para o seu bebê, acariciando o barrigão.

A performance da intérprete de libras a quem coube o verso “do que a terra mais garrida” é mesmo digna de nota, talvez de Oscar, e contrastou com um general Heleno um tanto desanimado para fazer a sua parte, por amor à pátria, com “teus risonhos, lindos campos têm mais flores”. Por falar em amor à pátria, com vocês, a sumida Damares Alves, que apareceu para cantar: “Ó pátria amada, idolatrada, salve, salve”.

Mas o ponto alto do vídeo parece ter sido protagonizado por ele, o ministro mais popular do governo Bolsonaro, Sergio Fernando Moro, que com seu carregado sotaque de Maringá puxou forte no erre para cantar: “Mas se ergues da justiça a clava forrrrrrrrrrrrrrrrrrrte”. Seria cômico, não fosse trágico que um ministro precisamente da Justiça pego em flagrantes violações da ordem jurídica nacional ainda aparecesse em peças publicitárias do governo insuflando o orgulho nacional, em vez de ser demitido.

Seria cômico, não fosse trágico assistir a esta “obra-prima” do verde-amarelismo que viceja no Brasil na esteira do açulamento do medo infantil do fantasma do comunismo, também conhecido como “volta do PT”; assistir a esta pérola do patriotismo de farda, fardão, camisola de dormir, por mais que este seja um governo de militares que se recusam a vestir seus respectivos pijamas – um governo-pária ante o mundo, de “retrocesso civilizatório”.

Seria trágico, não fosse cômico ver o alto escalão do governo Bolsonaro cantar a “paz no futuro e glória no passado” no momento em que um dos filhos do presidente, o que derruba ministros, ameaça as “vias democráticas” e outro, futuro embaixador do Brasil nos Estados Unidos da América, vai armado visitar o pai no hospital. Fulguras, ó Brasil, florão da América…

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4 Opiniões

  1. salomao disse:

    Hugo Souza ! Opiniao de CRITICO LETERARIO OU DE “ESQUERDOPATA” ?

  2. jayme endebo disse:

    O comentário patético, apaga isso Hugo Souza não passe vergonha.

  3. José Antonio Alves disse:

    Hugo Souza, mais um apátrida contra o “conserto” que o Brasil precisa fazer pelos estragos deixados pelos esquerdopatas!

  4. Luiz Alberto Franco disse:

    Hugo Souza: continue produzindo seu ótimos textos. A direita que baba na gravata continua esperando a intentona comunista e está atônita com o desempenho dos seus ídolos…

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