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Fusos e horário de verão podem causar transtornos ao Enem

O horário de verão pode preocupar alguns estudantes que irão participar do Exame Nacional do Ensino Médio

Fusos e horário de verão podem causar transtornos ao Enem
Dividir o planeta em fusos equivale a cortá-lo em 24 fatias de 15° (Foto: Pixabay)

Os brasileiros ainda devem estar intrigados depois que seus celulares enfrentaram um verdadeiro bug no último dia 15 de outubro, entrando em horário de verão antes do dia determinado pelo Governo. Essa confusão acabou fazendo, no máximo, muitos chegarem a seus compromissos com uma hora de antecedência. O problema, ocorrido porque alguns aparelhos – especialmente aqueles com sistema Android – tinham já o dia 15 no automático, é apenas um dos que surpreendem um país com dimensões continentais e quatro fusos horários, como o nosso. E pode preocupar alguns estudantes que irão participar do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), já no próximo domingo (4 de novembro).

Também por causa do fuso horário, como determina o artigo 239 da Resolução nº 23.554 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os resultados da apuração dos votos em segundo turno para presidente da República, no último domingo, somente foram divulgados a partir das 19 horas de Brasília. Isso ocorreu porque o fuso horário do Acre tem uma defasagem de duas horas em relação ao horário oficial. Com o fechamento das urnas no pequeno estado – no extremo oeste do país e com pouco mais de 500 mil eleitores -, começou a apuração dos 147.302.357 de votos em todo o país.

Quantos quilômetros mede um fuso horário

Dividir o planeta em fusos equivale a cortá-lo em 24 fatias de 15° – cada uma correspondendo a uma hora do dia. A ideia foi do senador canadense Sanford Fleming, em 1878. Antes, cada país determinava o seu próprio horário legal. Seis anos depois, foi realizada a Conferência Internacional do Primeiro Meridiano. O evento, nos Estados Unidos, deliberou que a longitude 0° passaria pelo Observatório Real de Greenwich, na Inglaterra, e que o antimeridiano – a 180° – localizado no Oceano Pacífico, seria a linha internacional de data. É lá que o dia começa primeiro. O Brasil aderiu a este Tempo Universal Coordenado (UTC, na sigla em inglês) em 1913.

Na altura dos polos Norte e Sul, cada fatia mede 289,4 km e vai crescendo à medida que se aproxima da Linha do Equador, onde a largura atinge 1667 km. É por isso que nosso país tropical – com distância de 4.319 km entre o Leste e o Oeste – tem quatro fusos. Basta fazer as contas. A China tem extensão territorial suficiente para ter os mesmos quatro fusos do Brasil, mas Pequim obriga todo o país a utilizar um único horário, causando distorções no Oeste (no “Acre chinês”), onde, no inverno, o sol somente nasce quando o relógio já marca 9 horas da manhã. A Rússia é o país com maior número de fusos horários em território contínuo: 11 ao todo.

Os fusos horários no Brasil

Contando a partir de Greenwich (UTC 0), o Atol das Rocas e as ilhas de Fernando de Noronha, Martim Vaz, São Paulo, São Pedro e Trindade estão no primeiro fuso brasileiro, o UTC -2 (duas horas a menos que o meridiano zero). As regiões Sudeste, Sul e Nordeste, o Distrito Federal e ainda os estados do Amapá, Goiás, Pará e Tocantins ocupam a fatia UTC -3 (três horas a menos) que contempla o horário de Brasília. Integram a UTC -4 (quatro horas a menos) os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima e grande parte do Amazonas. Cabe ao Acre – olha ele de novo – e parte menor do Amazonas o quarto fuso brasileiro: o UTC -5 com cinco horas a menos do que Londres.

Para encerrar, cabe um parágrafo sobre o Jet Lag – a doença do fuso horário. Trata-se do mal-estar que se sente em longas viagens de avião ao atravessar diversos fusos horários – pelo menos quatro – em curto espaço de tempo. Tal descompensação pode causar dor de cabeça, perda ou excesso de sono, taquicardia e mesmo desequilíbrios de ordem hormonal. Esse desajuste do relógio biológico pode ser corrigido com um dia de descanso para cada fuso de diferença. Talvez nosso Ministério da Saúde devesse recomendar que o estudante não voltasse direto da China para fazer a prova do Enem.

 

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