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NOVO GOVERNO

General Augusto Heleno: o Golbery do século XXI?

Conselheiro e homem de confiança de Bolsonaro, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional é visto como uma espécie de eminência parda do governo

General Augusto Heleno: o Golbery do século XXI?
Para muitos, ele é uma reedição do general e ex-ministro do Gabinete Civil, Golbery do Couto e Silva (Foto: Antonio Cruz/ABr)

Conselheiro político e homem de confiança do presidente Jair Bolsonaro, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, é visto como uma espécie de eminência parda do Governo. Para muitos, ele é uma reedição do falecido general e ex-ministro do Gabinete Civil, Golbery do Couto e Silva, que mandou e desmandou no país nos governos militares de Geisel e Figueiredo, de 1974 a 1981.

Diferentemente do colega gaúcho, criador do Serviço Nacional de Informações (SNI), o paranaense Heleno – além de rejeitar a comparação e ter um relacionamento infinitamente melhor com os jornalistas – não parece almejar tanto poder. Pelo menos, por enquanto. Enquanto Golbery era apelidado de “bruxo” e chamado de “Henry Kissinger brasileiro”, Heleno ainda não coleciona alcunhas ou comparações.

Nestes primeiros e atribulados dias de Governo, coube a ele apagar mais incêndios do que passar tropas em revista. Augusto Heleno teve de conter os ânimos entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Também sobre um eventual entrevero entre Guedes e Bolsonaro, Heleno usou seu inglês – misturado com jargão futebolístico – para esclarecer as coisas: “Não teve rusga nenhuma, nem carrinho por trás, nem tesoura voadora, não teve nada. São best friends”, brincou.

Sobre a possibilidade de instalação de uma base militar dos Estados Unidos em território brasileiro, ele fez eco ao que pensam as mais altas patentes militares do país – que não gostam da ideia – e disse claramente que este assunto nunca foi tratado pelo Governo. Aos jornalistas, ele disse: “Base americana? Não tem nada. Ele [Bolsonaro] me disse que não falou nada disso. Fizeram um auê aí sem nada”, garantiu.

Do Haiti ao Ibovespa

Mas esta não é a mais difícil tarefa deste ex-comandante Militar da Amazônia. De junho de 2004 a setembro de 2005, o General Heleno representou o protagonismo brasileiro ao comandar a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti. Deixou o cargo por discordar da estratégia adotada pela comunidade internacional em relação ao pequeno e miserável país do Caribe. Além disso, a tarefa não era nada fácil. Seu substituto, o general Urano Teixeira da Mata Bacelar, cometeria suicídio quatro meses depois de chegar a Porto Príncipe.

Sempre na desconfortável linha de tiro, esse ferrenho defensor da posse de armas, não se furta a discutir sequer os temas mais polêmicos do Governo que ora inicia. Esta semana, por exemplo, ele revelou que o Planalto não considera interromper o acordo bilionário entre a americana Boeing e a brasileira Embraer – que resultaria no controle absoluto da segunda pela primeira. Mesmo diante da instável volatilidade das ações no Ibovespa da fabricante nacional de aviões comerciais, acrescentou o general que o Governo – dono de ações especiais da Embraer, as chamadas “golden share” – está estudando os termos acertados no fim do ano passado, no tenebroso apagar das poucas luzes da era Temer.

Mas não é nada fácil a vida de ministro do Gabinete de Segurança Institucional, mesmo aos 71 anos e na reserva há sete. Nesta terça (8), ele foi cobrado pelos jornalistas sobre a Reforma da Previdência – assunto que os últimos governos empurraram com a barriga. Para todos, no entanto, a mesma resposta: “Ainda em estudo, continua aquela teoria de que as idades têm que ser viáveis para ter possibilidade de ser aprovada”, afirmou o ministro, demonstrando sensibilidade política e flexibilidade de pautas para alguém acostumado aos rigores da caserna.

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1 Opinião

  1. Ana Letícia Paranhos disse:

    Gostei de ler.

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