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TRAGÉDIA EM JANAÚBA

Governo de Minas Gerais decreta luto por tragédia em creche

O governador Fernando Pimentel (PT) decretou luto oficial em solidariedade às famílias das vítimas do ataque à creche Gente Inocente, em Janaúba

Governo de Minas Gerais decreta luto por tragédia em creche
Ao todo, morreram sete pessoas no ataque, sendo cinco crianças, uma professora e o autor do crime (Foto: Policia Militar)

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O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), decretou luto oficial de três dias no estado por conta da tragédia na creche Gente Inocente, ocorrida na última quinta-feira, 5, no município de Janaúba, região norte do estado. Ao todo, morreram sete pessoas, sendo cinco crianças, uma professora e o autor do crime, que ateou fogo em seu próprio corpo e atacou crianças e funcionários.

O prefeito de Janaúba, Carlos Isaildon Mendes (PSDB), também decretou luto oficial de sete dias em solidariedade às famílias afetadas pela tragédia. “Neste momento de tamanha tristeza em nossa cidade, a Prefeitura Municipal de Janaúba solicita o apoio de todos para dar prosseguimento ao tratamento das vítimas hospitalizadas”, informou a prefeitura, em nota publicada no Facebook.

A pequena cidade agora se mobiliza para atender os feridos e familiares das vítimas. Segundo o Corpo de Bombeiros da cidade, cerca de 40 pessoas foram atacadas e pelo menos 31 delas foram hospitalizadas, sendo a maioria crianças. Uma parte dos feridos tem sido levada para hospitais em Montes Claros e Belo Horizonte.

A assessoria de imprensa do governo de Minas Gerais informou que todas as forças de saúde pública e segurança do estado estão à disposição desde a manhã de quinta-feira e que concentrarão seus esforços para atender as vítimas do ataque.

A tragédia

O ataque à creche foi arquitetado pelo vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura de Janaúba, o vigia entrou na creche com uma mochila rosa nas costas que carregava um líquido inflamável, possivelmente álcool ou gasolina.

Segundo funcionários da creche, Damião teria dito que iria entregar um atestado médico à direção da unidade e, em seguida, entrou em uma sala de aula. Lá, ele fechou as portas e despejou o líquido inflamável nas crianças, nos funcionários e em seu próprio corpo. Testemunhas ainda afirmam que ele abraçou algumas crianças, que também começaram a ter os corpos incendiados.

Quatro crianças morreram queimadas ainda na manhã de quinta-feira. De noite, a Polícia Civil confirmou a morte de mais uma criança e de uma professora, que tentou impedir que o vigia ateasse fogo nas crianças. Os bombeiros chegaram a confirmar a morte de uma sexta criança, mas logo depois informaram que ela passou por procedimentos de reanimação e está viva.

Autor do ataque

Segundo a prefeitura, Damião era funcionário efetivo desde 2008 e estava de férias entre julho e agosto. Em setembro, ao retornar ao trabalho, alegou problemas de saúde e ficou afastado. Ainda segundo a prefeitura, ele foi à creche para entregar o suposto atestado médico.

Entretanto, o motivo que levou Damião a cometer o crime ainda segue um mistério. O delegado Bruno Fernandes Barbosa afirmou que o vigia premeditou o crime e que ele tinha planos para se matar.

“Tenho plena convicção de que o crime foi premeditado, ele escolheu a data de dia 5 de outubro porque o pai dele morreu no dia 5 de outubro, há três anos”, informou Barbosa. Além disso, o delegado acrescentou que Damião teria dito à família que “que daria um presente a todos, se matando em breve”.

O delegado aponta ainda que a Polícia Civil encontrou galões de combustível inflamável na casa do vigia e cartas escritas por ele, nas quais dizia ter predileção e afeto por crianças. Questionado sobre o que teria causado o ataque, Barbosa resumiu: “loucura”. “Conseguimos um relatório do Caps [Centro de Apoio Psicossocial] indicando que ele estava em tratamento psiquiátrico desde 2014; ele sofria de muitas manias de perseguição”, explicou o delegado.

O prefeito de Janaúba, no entanto, negou que ele tivesse apresentado algum indício de problemas. “O que me relataram lá é que ele chegou normal e tranquilamente até a diretora para supostamente entregar um atestado médico. Estamos mesmo muito surpresos com o que aconteceu”, afirmou Mendes.

Semelhanças com o massacre de Realengo

A tragédia de Janaúba relembra o episódio conhecido como “massacre de Realengo”, ocorrido em 7 de abril de 2011, no Rio de Janeiro. Na ocasião, um homem identificado como Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, entrou em uma escola municipal e atirou contra alunos. No ataque, morreram 12 estudantes e o agressor cometeu suicídio.

Segundo testemunhas, Wellington, que estudou na escola, entrou na unidade afirmando que participaria de uma palestra. Lá ele conversou com uma professora e depois começou a atirar. O agressor matou dez meninas e dois meninos e ainda feriu outros 13 adolescentes, sendo dez meninas e três meninos.

Ao ouvir os disparos e ver uma movimentação estranha, um policial militar entrou na escola e conseguiu balear Wellington. Ferido pelo disparo do policial, Wellington cometeu suicídio atirando em si mesmo.

Fontes:
Estado de Minas-Pimentel decreta luto de três dias e acompanha ação em Janaúba
UOL-Morre professora que tentou salvar crianças em creche de MG; nº de mortos em incêndio chega a 7
G1-Vigia de creche em Janaúba falou que 'iria morrer', diz delegado; perícia indica que ele trancou portas antes de atear fogo
Estado de Minas-Tragédia de Janaúba relembra 'Massacre de Realengo', há seis anos em escola no Rio

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1 Opinião

  1. olbe disse:

    O mundo está doente, muito doente!!!!

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