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Governo quer transferir o Coaf para o Banco Central

Jair Bolsonaro diz que a ideia é retirar o Coaf do ‘jogo político’ para que o órgão atue ‘sem qualquer suspeição de favorecimento’

Governo quer transferir o Coaf para o Banco Central
‘O que nós pretendemos é tirar o Coaf do jogo político’, disse Bolsonaro (Foto: Antonio Cruz/ABr)

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta sexta-feira, 9, que o governo pretende transferir o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Economia para o Banco Central (BC).

A declaração foi dada em entrevista a jornalistas no Palácio da Alvorada. Segundo o presidente, a ideia é retirar o Coaf do que classificou como “jogo político” para que ele atue “sem qualquer suspeição de favorecimento”.

“O que nós pretendemos é tirar o Coaf do jogo político, pretendemos. Estamos conversando… vincular ao Banco Central, aí acaba. Tudo onde tem política, mesmo sendo bem intencionado, sempre sofre pressões de um lado ou de outro, a gente quer evitar isso daí. […] Se o Coaf, por ventura, vá para o Banco Central, vai fazer o seu trabalho sem qualquer suspeição de favorecimento político”, disse o presidente, segundo noticiou a Reuters.

A declaração de Bolsonaro confirma o que vinha apontando o ministro da economia, Paulo Guedes. Em uma recente entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Guedes já havia indicado a mudança, apontada como forma de “blindar o Coaf” e acelerar o processo de autonomia do BC.

Se a mudança for consolidada, o Coaf pode mudar de nome e ter seu atual presidente, Roberto Leonel, demitido. Segundo apontou Bolsonaro nesta manhã, a escolha de um novo presidente para o órgão ficaria ao encargo do presidente do BC, Roberto Campos Neto.

Não é a primeira vez que Bolsonaro expressa intenção de mudar a Pasta à qual o Coaf é vinculado. Logo que tomou posse, o presidente tentou transferir o Coaf para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a pedido do ministro Sergio Moro – que argumentava que a medida ampliaria o combate à lavagem de dinheiro. A transferência, no entanto, foi barrada pelo Congresso.

O Coaf foi o órgão responsável pelo relatório que apontou movimentações financeiras atípicas que resultaram em inquéritos contra o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente da República. A investigação ficou conhecida como Caso Queiroz, em referência ao nome do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, alvo de uma investigação que revelou as movimentações atípicas envolvendo o gabinete do senador na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

As investigações do Caso Queiroz foram suspensas após o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), atender a um pedido da defesa de Flávio Bolsonaro e suspender investigações criminais que usem dados detalhados de órgãos de controle financeiro, sem prévia autorização judicial.

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