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PARALISAÇÃO

Greve de caminhoneiros causa dificuldades em todo o Brasil

Universidades sem aula, postos sem combustíveis e redução na mobilidade urbana são alguns dos problemas enfrentados

Greve de caminhoneiros causa dificuldades em todo o Brasil
Diferentes postos em cidades por todo o Brasil já sinalizaram a falta de combustível para abastecer os veículos (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A greve dos caminhoneiros segue afetando todo o Brasil nesta quinta-feira, 24. Os reflexos da paralisação, que entra em seu quarto dia, já começam a ser sentidos em todo o país e incluem postos com falta de combustível, alta nos preços dos produtos e redução na mobilidade urbana. Os caminhoneiros exigem a redução no preço da gasolina e do diesel.

A possibilidade de paralisação dos caminhoneiros começou a surgir de forma orgânica. Descontentes pelo aumento rápido no preço do combustível, os profissionais começaram a conversar através de aplicativos de mensagens e pelas redes sociais. Dessa forma, não apenas os caminhoneiros autônomos adotaram a paralisação, como também os sindicatos, associações e até a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos  (CNTA).

O governo federal, por outro lado, não pareceu se importar com a paralisação até o meio desta semana. A CNTA já havia entrado em contato com o Estado no último dia 16 de maio solicitando o congelamento no preço do combustível, mas não foi atendida. Na última sexta-feira, 18, a Confederação lançou um comunicado alertando sobre a possibilidade de paralisação a partir do dia 21 de maio. Como não obteve resposta satisfatória, a greve teve início.

Ações do governo

Na tentativa de dar fim à greve, vendo os reflexos da paralisação nos serviços nacionais, a Petrobrás anunciou a redução de 10% no preço do diesel nas refinarias por 15 dias. Mesmo com a medida inicial, os caminhoneiros prosseguiram com a greve nesta quinta-feira.

Outra medida adotada pelo governo foi a afirmação, feita na última quarta-feira, 23, de que iria eliminar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). No entanto, o presidente da CNTA, Diumar Bueno, afirmou que a eliminação da taxa é “insuficiente e representa cinco centavos no preço, se for repassado”.

Também na última quarta-feira, preocupado com a greve dos caminhoneiros, que recebia cada vez mais apoio, o presidente Michel Temer solicitou uma trégua de “dois ou três dias” para que um novo planejamento fosse traçado. A solicitação do chefe de Estado foi ignorada.

O presidente, no entanto, afirma que está trabalhando, juntamente com uma equipe do governo, desde o último domingo, 20, “para dar tranquilidade não só ao brasileiro que não quer ver paralisado o abastecimento, mas também tentando encontrar uma solução que facilite a vida dos caminhoneiros”, conforme noticiou a BBC. Uma reunião entre Michel Temer e alguns líderes dos caminhoneiros estava prevista para a tarde desta quinta-feira.

Uma outra medida, que poderia dar um alento à categoria, seria a aprovação do Projeto de Lei 8456/17, que foi aprovada na última quarta-feira na Câmara. No entanto, o Senado ainda não tem previsão para votar o projeto, que tem potencial para reduzir cerca de 14% do preço final do óleo diesel.

O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), no entanto, afirmou, nesta quinta-feira, conforme noticiou a Agência Brasil, que a paralisação só chegará ao fim quando Michel Temer sancionar e publicar no Diário Oficial da União a decisão de zerar a alíquota de PIS/Cofins sobre o diesel. A redução do Pis/Cofins é defendida pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Através das redes sociais, o Senado Federal informou que o presidente Eunício Oliveira convocou uma reunião entre os líderes para às 19h desta quinta-feira para falar sobre a crise dos combustíveis.

Reflexo na mobilidade

Diferentes postos em cidades por todo o Brasil já sinalizaram a falta de combustível para abastecer os veículos. Nos postos de abastecimento que ainda contam com combustível, grandes filas podem ser notadas devido ao medo da população de ficar sem se locomover.

A falta de abastecimento fez com que os ônibus do Rio de Janeiro, por exemplo, reduzissem a frota que está em funcionamento. O BRT, um serviço de ônibus expresso da cidade do Rio, atua somente com 50% de sua frota em funcionamento, assim como acontece com os ônibus de Recife, em Pernambuco.

Os aeroportos também estão passando por grande dificuldade. A Azul informou, através de seu site oficial, o cancelamento de diferentes voos devido a falta de combustível nos aviões. A Infraero informou, através de seu site, que está monitorando a situação de todos os aeroportos do país, e solicitou que os passageiros entrem em contato com as companhias aéreas para terem informações a respeito dos voos.

A CCR Barcas, do Rio de Janeiro, anunciou a suspensão de alguns serviços e a mudança de horários em alguns trechos para o próximo final de semana devido à crise do combustível.

Reflexos nos alimentos

Diferentes locais do Brasil estão vendo seus alimentos, como frutas e verduras, apodrecerem devido a dificuldade para realizar entregas. Produtores de leite estão despejando milhares de litros de leite diariamente. Como consequência, mercados, feiras e outros estabelecimentos já têm demonstrado falta de produtos em suas prateleiras.

Por outro lado, devido à ausência de produtos, os alimentos estão ficando mais caros, como é o caso do saco de batata, que registrou um aumento de 650% do Ceasa do Distrito Federal. Enquanto isso, o tomate aumentou 230%.

Reflexo nacional

Os Correios suspenderam a entrega de alguns tipos de Sedex, devido à falta de combustível. Algumas ambulâncias, ao redor do Brasil, já sinalizaram a ausência de combustível. No Rio de Janeiro, os bloqueios em estradas estão afetando, até mesmo, a entrega de produtos químicos, o que pode resultar em falta de água em algumas localidades.

Alguns hospitais já estão suspendendo procedimentos, por conta da falta de recursos. A Associação Nacional de Hospitais Privados, segundo noticiou o El País, tendo em vista a possibilidade da falta de medicamentos, solicitou que os caminhoneiros em greve não impeçam o transporte de recursos como “de gases medicinais (como oxigênio, por exemplo), medicamentos e outros insumos essenciais” para não prejudicar os pacientes.

Algumas universidades já começaram a suspender as aulas em todo o Brasil, por causa da dificuldade de locomoção e a mobilização dos caminhoneiros em algumas estradas do país.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) divulgou uma nota solicitando que os caminhoneiros que carregam cargas vivas libertem os animais.  Segundo o comunicado, existem relatos de animais que estão há mais de 50 horas sem qualquer tipo de alimentação.

“Também está travada em vários pontos a circulação de caminhões de ração, que levariam alimentos para os criatórios espalhados por pequenas propriedades dos polos de produção. A situação nas granjas produtoras é gravíssima, com falta de insumos e risco iminente de fome para os animais”, informou a nota.

Fontes:
G1-Greve de caminhoneiros chega ao 4º dia e causa reflexos pelo país

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