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MINISTRO DA ECONOMIA

Guedes pede desculpas por ofender Brigitte Macron

Em palestra, ministro disse que a primeira-dama francesa 'é feia mesmo'. Analistas políticos alertam para os riscos da ‘diplomacia da grosseria’

Guedes pede desculpas por ofender Brigitte Macron
Guedes respaldou a ofensa de Bolsonaro em palestra no Ceará (Foto: Fernando Frazao/ABr)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, reviveu na última quinta-feira, 5, a polêmica desencadeada pelo presidente Jair Bolsonaro envolvendo uma chacota à primeira-dama da França, Brigitte Macron.

Em uma palestra a empresários em Fortaleza (CE), Guedes disse que Brigitte “é feia mesmo”. O comentário foi feito quando Guedes falava sobre as ações da equipe econômica nos últimos meses e defendia as políticas do governo Bolsonaro. Ele afirmou que, apesar dos avanços, o foco são as polêmicas do presidente.

“Estou vendo progresso em várias frentes, mas a preocupação é se xingaram a [Michelle] Bachelet, xingaram a mulher do Macron, chamaram a mulher de feia. O presidente falou mesmo, e é verdade mesmo. A mulher é feia mesmo. Não existe mulher feia. O que existe é mulher vista pelo ângulo ruim”, disse o ministro, sob risos do público presente.

A fala de Guedes é referente à controvérsia gerada por Jair Bolsonaro ao endossar o comentário de um seguidor que fazia chacota da aparência da primeira-dama francesa – algo que teve forte repercussão negativa e gerou críticas de sexismo por parte do presidente no Brasil e na França.

Após a fala, o Ministério da Economia divulgou um comunicado com um pedido de desculpas do ministro. “O ministro Paulo Guedes pede desculpas pela brincadeira feita hoje em evento público em Fortaleza (CE), quando mencionou a primeira-dama francesa Brigitte Macron. A intenção do ministro foi ilustrar que questões relevantes e urgentes para país não têm o espaço que deveriam no debate público. Não houve qualquer intenção de proferir ofensas pessoais”, diz o comunicado.

Assim como ocorreu com Bolsonaro, o comentário de Guedes repercutiu negativamente, sendo noticiado pela Bloomberg, que mencionou o pedido de desculpas, mas destacou que tais insultos “representam riscos reais”.

“Guedes posteriormente se desculpou pelo que chamou de ‘brincadeira’ envolvendo Brigitte Macron. No entanto, os insultos representam riscos reais, dado o atual estado das relações entre Brasil e França. Recentemente, Macron ameaçou rejeitar o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, a união aduaneira da América do Sul, a menos que o Brasil fizesse mais para preservar a floresta amazônica. Enquanto poucos outros líderes concordam com sua ideia de abandonar o acordo, Bolsonaro corre o risco de afastar os políticos europeus moderados que ainda precisam ratificar o acordo. Muitos parlamentares na Alemanha e na Irlanda já estão relutantes em fazê-lo”, diz o texto.

A fala de Guedes também foi rechaçada por personalidades como a ex-diretora do BNDES, Elena Landau, o cientista político Guilherme Casarões e o jornalista especializado em cobertura internacional Mário Vitor Rodrigues, da Band.

Assim como a Bloomberg, Rodrigues alertou para o risco que os impactos do comentário podem trazer ao país.

Já Casarões afirmou que o atual governo promove uma “diplomacia da grosseria”, disparando ofensas a líderes mundiais com se estivessem em um botequim e listou, em uma série de postagens no Twitter, uma gama de ações equivocadas tomadas pelo governo no âmbito da diplomacia.

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1 Opinião

  1. Rogerio Faria disse:

    Estamos sendo governados por uma trupe.

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