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O ministro otimista

Guido Mantega: no mundo da lua

Revista 'Economist' explica por que, eventualmente, o ministro da Fazenda terá de cair na real

Guido Mantega: no mundo da lua
O ministro da Fazenda Guido Mantega acha que a economia vai muito bem, obrigado (Reprodução/Reuters)

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Guido Mantega, ministro da Fazenda, vive no mundo da lua. Ele parece acreditar que o crescimento do país depende apenas da força de seus pensamentos positivos, ao invés de corrigir o rígido mercado de trabalho, o impenetrável código tributário, a burocracia pesada e as frágeis finanças públicas do país. Dados do PIB divulgados nesta quinta-feira, 27, devem servir de combustível para o otimismo mágico de Mantega, sem que isso resolva, porém, fundadas preocupações sobre a saúde econômica da maior economia da América Latina.

O PIB brasileiro cresceu 0,7% no quarto trimestre, melhor que as melhores previsões, e 2,3% em todo o ano de 2013. Esse resultado, fruto de investimentos surpreendentes e de exportações, deu fim a boatos sobre uma recessão técnica no país (previsões anteriores levantavam a possibilidade de o Brasil ter dois trimestres consecutivos de contração).

Mantega vem tentando amenizar as preocupações sobre o estado das finanças públicas. Em 20 de fevereiro, ele apresentou um orçamento revisado para este ano, com um corte de R$ 44 bilhões e uma meta para o superávit primário de R$ 99 bilhões, ou 1,9% do PIB. Os mercados reagiram positivamente e o real foi fortalecido em relação ao dólar. As agências de rating, que monitoravam o Brasil com nervosismo, acenaram positivamente.

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No entanto, muitos economistas ainda não estão convencidos. Mantega prevê um crescimento de 2,5% do PIB em 2014, abaixo da sua “previsão cor-de-rosa” anterior de 3,7% , mas ainda bem acima das previsões do setor privado, de 2% ou menos. Turbulências na Argentina e na Venezuela podem cortar R$ 4 bilhões das exportações para os dois vizinhos do Brasil. O governo também não pode contar com grandes receitas pontuais, como os R$ 15 bilhões que embolsou com a venda de concessões para explorar o vasto campo petrolífero de Libra.

Quanto aos gastos do governo, Mantega também parece excessivamente otimista. Talvez sua omissão mais gritante seja na conta da energia elétrica que o governo provavelmente terá de pagar se não começar a chover em breve.

O déficit previdenciário, orçado em R$ 40 bilhões, também parece otimista demais. No ano passado, ele totalizou R$ 50 bilhões. Com o número de aposentados aumentando em 2,5% ao ano e os salários, aos quais as pensões estão atreladas, aumentando em 7% ao ano, é de se esperar que esses gastos irão subir, não cair. Além disso, há sérias dúvidas sobre a capacidade do governo de cumprir os cortes que prometeu. Os R$ 13,3 bilhões que devem sair dos projetos preferidos dos legisladores podem ser difíceis de cortar em ano eleitoral.

Consultorias de risco sugerem que teria sido mais prudente se o ministro das Finanças tivesse estabelecido uma meta de superávit primário menos ambiciosa. Ao invés de 1.9% do PIB, algo mais em linha com as expectativas do setor privado, de cerca de 1,5%. Isso teria indicado o despertar do governo do seu estupor otimista para a verdadeira situação econômica vivida pelo país. Eventualmente, Mantega terá de cair na real.

 

Fontes:
The Economist - Sunny to a fault

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2 Opiniões

  1. Miguel Meira disse:

    Votem NULO.

  2. Leidy Santos disse:

    MORAL DA HISTÓRIA…
    A CULPA DESSA SACANAGEM TODA É DOS APOSENTADOS!!!
    QUEM PODE AGUENTAR ESSA RAÇA???

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