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Polêmica do Carnaval

Guiné Equatorial entra em contradição sobre origem do patrocínio dado à Beija-Flor

Enquanto nota oficial diz que empresas brasileiras deram recursos, embaixador afirma que foram companhias africanas

Guiné Equatorial entra em contradição sobre origem do patrocínio dado à Beija-Flor
Comemoração do título de campeã do Carnaval 2015, na quadra da Beija-Flor, em Nilópolis (Reprodução/Domingos Peixoto/Agência O Globo)

Na última quinta-feira, 19, a origem dos R$10 milhões que patrocinaram a Beija-Flor de Nilópolis, escola campeã do Carnaval do Rio este ano, foi motivo de polêmica. O Ministério Público Federal (MPF) está investigando a doação à Beija-Flor, que teria sido feita pelo ditador da Guiné Equatorial. No entanto, os próprios dirigentes do país entraram em contradição sobre a origem e o valor do patrocínio. A Beija-Flor apresentou um desfile suntuoso em que cantou e dançou as maravilhas da Guiné Equatorial, um dos países mais desiguais do mundo, controlado por uma violenta ditadura, que governa o país há 35 anos.

Em nota divulgada pelo Escritório de Imprensa e Informação, o governo da Guiné Equatorial negou que recursos públicos tenham sido usados para patrocinar a escola, acrescentando que a iniciativa partiu de empresas brasileiras com negócios na nação africana. No entanto, o embaixador da Guiné Equatorial no Brasil, Benigno-Pedro Matute Tang, deu outra versão, dizendo que o dinheiro teria vindo de empresários do seu país, e que o valor arrecadado teria sido inferior a R$ 5 milhões. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Benigno-Pedro informou que 30 doadores teriam participado.

“Uma conta foi aberta na Guiné para depositar esses recursos. O dinheiro é movimentado por cidadãos da Guiné, que o repassam à escola. Tudo dentro da legalidade e comunicado inclusive ao Itamaraty”, explicou ao Globo.

Mas, o embaixador não quis revelar em qual banco foi aberta a conta e quem seriam seus titulares. Ele chegou a negar até que o patrocínio prometido fosse de R$ 10 milhões. Benigno-Pedro disse que esteve na quadra da Beija-Flor, na última quarta-feira, 18, e que ninguém da diretoria confirmou ter dito que esse seria o valor repassado à escola. Informação esta que teria sido divulgada pelo Globo.

O integrante da comissão de Carnaval da Beija-Flor, Fran-Sérgio, citou três empreiteiras brasileiras com negócios na Guiné que teriam repassado dinheiro à escola: a Odebrecht (citada na Operação Lava-Jato), que manteve um escritório na Guiné até o ano passado; a Queiroz Galvão (também sob investigação na Lava-Jato), que faz obras de saneamento na nação africana; e a ARG, que constrói duas grandes rodovias no país. A Odebrecht negou ter dado qualquer ajuda e até mesmo ter feito obras no país, já as outras duas empreiteiras brasileiras não quiseram comentar o assunto.

O vice e filho do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Nguema Obiang Mangue, conhecido como Teodorín, também é alvo de investigação do Procurador da República Orlando Monteiro da Cunha desde 2013. O filho do ditador tem pelo menos oito veículos de luxo no Brasil, entre eles um Lamborghini Aventador, um Maserati e um Porsche Cayenne, totalizando cerca de R$ 30 milhões, além de imóveis de luxo no país.

O presidente da Beija-Flor, Farid Abraão David, não quis comentar a polêmica do patrocínio. A rainha de bateria, Raíssa Oliveira, que sugeriu o enredo sobre a Guiné Equatorial, disse desconhecer Teodorín, acrescentando que seu contato foi com integrantes da comitiva que costumam contratar shows da Beija-Flor.

 

 

Fontes:
O Globo- Governo da Guiné Equatorial entra em contradição sobre origem dos R$ 10 milhões dados à Beija-Flor
O Globo-Ministério Público Federal apura doação da ditadura da Guiné Equatorial à Beija-Flor

2 Opiniões

  1. Celso Rodrigo Branicio disse:

    Torço pela Beija Flor e fiquei feliz com o título e ela de fato foi profissional e fez um desfile lindo e merecedor do título, uma pena que tenham usado verbas deste ditador infame, lamentável o envolvimento com ditaduras como da Venezuela anos atrás pela Vila Isabel e agora da Guiné Equatorial pela Beija Flor, além, do uso por várias escolas de verbas de bicheiros do Jogo do Bicho, só espero que não venham a ser financiadas pelo narcotráfico, isto se já não tem escolas se utilizando deste expediente, enfim, algo precisa ser feito urgente nas regras de financiamento destas escolas de samba, assim como nas eleições político-partidárias, as regras atuais são péssimas.
    É necessário mais ética.

  2. Hugo Leonardo Filho disse:

    Bobagem do MPF. O carnaval carioca é financiado pelo jogo, pelo tráfico e pelos miseráveis que usam o bolsa-família para pagar a fantasia. E depois, é uma festa internacional. Moralizar o carnaval é querer ser tão realista quanto o Rei Momo.

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