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CPI DAS FAKE NEWS

Hasselmann aponta filhos de Bolsonaro como mentores de ataques virtuais

Dados sobre perfis fakes nas redes sociais, acusações a assessores de parlamentares e ataques pessoais marcaram audiência da deputada na CPI das Fake News

Hasselmann aponta filhos de Bolsonaro como mentores de ataques virtuais
Eduardo Bolsonaro seria um dos líderes mentores de ataques virtuais (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

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A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) apontou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filhos do presidente Jair Bolsonaro, como dois dos principais mentores de ataques virtuais e divulgação de fake news contra críticos do governo.

A afirmação de Hasselmann foi feita na última quarta-feira, 4, durante audiência na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, na qual a deputada foi convidada a depor. Segundo a deputada, Carlos comandava uma “mídia paralela” durante a campanha presidencial de Bolsonaro, mantendo as senhas das redes sociais dessa mídia.

“Na campanha, o PSL fazia a mídia normal e tinha a mídia ‘paralela’, que sempre foi o Carlos [Bolsonaro] que controlou. As senhas das redes sociais sempre ficaram de posse dele. Não sei se o presidente tem consciência do tamanho da loucura que esse ‘gabinete do ódio’ produz. Quero crer que não. É preciso colocar um freio nisso. Há toda uma desconstrução de imagem das pessoas que ajudaram”, afirmou Hasselmann.

Apontando vários exemplos de ataques de ódio e emprego de notícias falsas durante a sua fala, Hasselmann indicou que, segundo números conseguidos através do Botometer – um projeto da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos -, mais de 1,8 milhão dos internautas que seguem os perfis de Eduardo e Jair Bolsonaro no Twitter são robôs. Eduardo Bolsonaro, inclusive, estaria “amplamente envolvido” nessa rede chamada de “milícia digital” pela deputada.

“Nós temos quase dois milhões de robôs em apenas duas contas de Twitter. Eu quero crer que o presidente Bolsonaro não sabe disso. Mas pelo que vocês vão ver nas conversas do grupo do gabinete do ódio, o deputado Eduardo Bolsonaro está amplamente envolvido e é um dos líderes desse grupo que chamamos milícia digital”, destacou Hasselmann.

Além de apontar os filhos de Bolsonaro como envolvidos, a parlamentar destacou o emprego de assessores em gabinetes do governo federal para promover os ataques. Além disso, citou nominalmente os deputados estaduais do PSL Douglas Garcia (SP), Gil Diniz (SP) e Alana Passos (RJ) e servidores comissionados como integrantes do “gabinete do ódio”.

“Não estamos falando de fofoquinha de WhatsApp. É uma organização criminosa que funciona de maneira coordenada. Há dinheiro público. Escolhe-se um alvo, combina-se o ataque, em questão de minutos temos uma mensagem espalhada para o Brasil inteiro. É uma sensação passada para que muitos fiquem atemorizados com ‘o levante da internet’”, afirmou a parlamentar.

Apontando o emprego de servidores e assessores de deputados, Hasselmann destacou o uso do dinheiro público para coordenar os ataques. No entanto, a parlamentar admitiu não saber de onde vem o dinheiro para a contratação dos robôs – também conhecidos como bots -, mas sugeriu uma investigação mais aprofundada para descobrir. Segundo a deputada, um único impulsionamento pode custar até R$ 20 mil.

“O principal foco desta comissão [tem de ser] seguir o dinheiro. Se o ataque é em grupo e isso é feito em perfis de todos os cantos, de onde vem o dinheiro? Estamos falando de milhões de reais”, afirmou, destacando que qualquer um que discorde do governo federal pode virar alvo de ataques, como já aconteceu com ela e com o deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP), que foi eleito pelo PSL, mas migrou para outro partido, após ser expulso da legenda governista por criticar a gestão Bolsonaro.

Fora o levantamento no Twitter, o Botometer também identificou 21 perfis no Instagram e diferentes páginas no Facebook como disseminadores de memes – imagens populares nas redes sociais, comumente com tons humorísticos ou ofensivos – e notícias falsas nas plataformas. Já o perfil recentemente criado do partido Aliança pelo Brasil, que deve receber parlamentares de extrema-direita fiéis a Bolsonaro, teria 26 mil robôs entre os seguidores – quase 15% do total dos 169,8 mil seguidores.

Entrevistado quase que ao mesmo tempo em que ocorria a audiência na CPI das Fake News, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “inventaram o gabinete do ódio e alguns idiotas acreditaram”, descartando temer o resultado da comissão. Em seguida, sem citar nomes, Bolsonaro afirmou: “Outros idiotas vão até prestar depoimento, como tem um idiota prestando depoimento uma hora dessas lá”, segundo noticiou o portal G1.

Apoios e ataques

Durante a audiência, Hasselmann recebeu apoio de diferentes parlamentares, tantos alinhados com o seu posicionamento, como é o caso dos deputados Alexandre Frota e Nereu Crispim (PSL-RS), quanto da oposição, como os senadores Humberto Costa (PT-RS) e Rogério Carvalho (PT-SE).

“Ou o presidente da República sabe da existência dessa rede e apoia a existência dessa rede e o que ela faz, ou o presidente da República não tem conhecimento da existência dessa rede e aí quem tem que ser responsabilizado são os órgãos de inteligência que trabalham na Presidência da República, que, ou são incompetentes a ponto de não saber que existe isso ou não dizem ao presidente da República que isso existe. Em qualquer das duas condições, é uma situação muito grave para o país”, afirmou Costa.

Já outros parlamentares se uniram para contestar o que foi apontado pela deputada federal, partindo, inclusive, para agressões pessoais – respondidas também por Hasselmann. Nas redes sociais, em tom de ironia, os deputados Carla Zambelli (PSL-SP) e Filipe Barros (PSL-PR) – que já tentou barrar a instalação da CPI – posaram com uma caneca da milícia digital do gabinete do ódio, que traz uma caricatura do presidente Bolsonaro.

Em seu pronunciamento, o deputado federal Filipe Barros relembrou a vida profissional de Joice Hasselman como jornalista, afirmando que foi marcada por “fake news e plágio”. Em seguida, ele leu manchetes sobre processos judiciais que a deputada federal sofreu em referência ao plágio em reportagens jornalísticas – que teria sido momentaneamente anulado por um erro formal, mas que, segundo Barros, segue em andamento – e por fraude no livro Delatores.

“Então, senhor presidente [da CPI], o que nós vimos e estamos vendo nesta tarde, início de noite, na data de hoje nada mais é do que uma repetição da história profissional de Joice Cristina Hasselmann”, afirmou Barros. Em seguida, o parlamentar questionou se os dados apresentados pela deputada realmente eram de sua autoria ou se também eram plágio.

Ademais, acusou Hasselmann de divulgar fake news, inclusive na própria audiência da CPI. Além disso, em um vídeo que ganhou as redes sociais, Filipe Barros expôs um suposto áudio da deputada criticando o senador Major Olimpio (PSL-SP), afirmando que está de “saco cheio” e xingando anônimos. “A senhora produzia manchetes bem mais interessantes quando se limitava a plagiar jornalistas”, concluiu.

Em resposta, Hasselmann afirmou que o deputado Filipe Barros deu um “showzinho”, classificando a narrativa construída pelo parlamentar de “babac*”. Sobre a acusação de plágio, a deputada federal disse ter uma briga histórica com o sindicato dos jornalistas e reforçou que o processo foi anulado por um erro formal.

A respeito do processo sobre o livro, Hasselmann afirmou que houve um problema com a nomenclatura de um colaborador e, por isso, houve o procedimento na Justiça – no qual a parlamentar foi condenada a pagar danos morais ao acusador. Sobre as críticas ao Major Olimpio, Hasselmann lembrou de uma briga pública com o senador e disse que o áudio seria dessa época, quando ambos eram pré-candidatos.

No decorrer da CPMI, além da discussão com o deputado Filipe Barros, Joice Hasselmann também se envolveu em discussões, políticas e pessoais, com parlamentares bolsonaristas, como Carlos Jordy (PSL-RJ), Márcio Labre (PSL-RJ) e Carla Zambelli (PSL-SP).

Leia mais: CPI das fake news é o novo foco de instabilidade do governo
Leia mais: O que é o ‘Gabinete do Ódio’ do governo?

Fontes:
O Globo-'Eduardo Bolsonaro está amplamente envolvido' em ataques virtuais, diz Joice
G1-Ex-aliada de Bolsonaro, Joice detalha à CPMI da Fake News como atua 'gabinete do ódio'
Agência Senado-Joice acusa participação de assessores parlamentares em ataques virtuais

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1 Opinião

  1. Almanakut Brasil disse:

    Para a “vaca” que ajudamos a abrir a porteira, faremos de tudo para que ela vá para o brejo.

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