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ECOS DA EPIDEMIA

HRW pede que Brasil não esqueça as famílias afetadas pela zika

Em artigo, entidade afirma que, após dois anos do auge da epidemia de zika, muitas famílias estão praticamente esquecidas e sem conseguir tratamento

HRW pede que Brasil não esqueça as famílias afetadas pela zika
Entidade aponta que nem mesmo os presidenciáveis parecem estar lembrando da epidemia (Foto: Wikimedia)

Um artigo da Humans Right Watch (HRW), publicado na última quinta-feira, 27, chama atenção para as famílias afetadas pela zika e esquecidas pelo governo brasileiro. Logo no início do texto, a entidade internacional de defesa de direitos humanos lembra que, mesmo no período eleitoral, os presidenciáveis não parecem estar lembrando da epidemia da doença, que teve seu auge em 2015 e 2016.

Agora, dois anos depois, muitas famílias estão praticamente esquecidas, com dificuldades para conseguir tratamento adequado para seus filhos, que ficaram com sequelas da doença. O artigo cita o caso de Carol e de Maria Paula, duas mães que se esforçam para conseguir cuidados adequados para as crianças.

No caso de Carol, que vive em Esperança (PB), ela precisa levar sua filha, Gabi, até Campina Grande – um trajeto de cerca de meia hora de viagem – para consulta com médicos e especialistas. No caso de Maria Paula, sua filha, Mariana, pesa 13 quilos e usa uma cadeira de rodas para se locomover em Recife (PE). Além da falta de assistência médica , a família ainda precisa enfrentar a falta de acessibilidade, principalmente em ônibus da cidade.

“As famílias que criam crianças com a síndrome congênita de zika não têm o apoio que precisam, muito menos acesso a serviços que protejam seus direitos humanos básicos à vida e à saúde”, destaca o texto da HRW.

Segundo dados divulgados em junho, pelo Ministério da Saúde, um terço das crianças com síndrome congênita de zika não recebia cuidados em puericultura (que acompanha o desenvolvimento infantil), enquanto dois terços não tinham acesso a serviços de estimulação precoce, que é extremamente importante para o desenvolvimento.

Além dos problemas diretamente ligados à doença, o artigo também relembra as dificuldades indiretas enfrentadas pelas famílias. Em um caso, um motorista de ônibus se recusou a abrir a porta para uma mulher e mandou ela “calar a boca”. Mesmo denunciando o caso, a mulher desenvolveu ataques de pânico e ficou meses sem conseguir andar de ônibus, o que atrapalhou as sessões de terapia de sua filha.

“Os cuidadores precisam de apoio. Uma maneira de ajudá-los é oferecer creches com equipes treinadas para trabalhar com crianças que tenham a síndrome de zika. […] A falta de serviços e apoio providos na comunidade pode ter consequências devastadoras para as crianças com síndrome congênita de zika”, explica o artigo.

Por fim, o texto relembra que, quando a epidemia explodiu, estava estampada nas capas de todos os jornais do Brasil, com todas as esferas políticas dando grande atenção para o caso. Agora, dois anos depois, o governo parece ignorar as consequências da doença, e os futuros governantes parecem também não estarem atentos a essas necessidades.

“O número decrescente de crianças nascidas com síndrome congênita de zika pode dar a impressão de que o surto de zika não requer mais atenção do Estado. Nada poderia estar mais longe da verdade. Para as famílias com crianças afetadas pela epidemia, as consequências durarão por toda sua vida”, ressalta o artigo.

 

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