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SEGURANÇA PÚBLICA

Human Rights Watch critica a violência policial no Rio de Janeiro

Segundo a ONG, de janeiro a junho deste ano, policiais militares e civis mataram 895 pessoas no estado, um aumento de 39% em relação ao mesmo período de 2017

Human Rights Watch critica a violência policial no Rio de Janeiro
'No ritmo atual, o estado terá seu ano mais sangrento em uma década', aponta a ONG (Tomaz Silva/Agência Brasil)

A ONG Human Rights Watch (HRW) divulgou na última quinta-feira, 16, um comunicado com críticas as ações de segurança no Rio de Janeiro. Em fevereiro, o Senado aprovou que ocorresse uma intervenção de forças federais no estado para tentar controlar os índices de violência.

No entanto, o novo comunicado da HRW mostra que as ações podem ser pouco eficientes. Segundo a ONG, de janeiro a junho deste ano, policiais militares e civis mataram 895 pessoas no estado, um aumento de 39% em relação ao mesmo período de 2017. “No ritmo atual, o estado terá seu ano mais sangrento em uma década”, aponta a ONG.

A HRW admite que muitas das mortes ocorrem em legítima defesa. No entanto, cita relatórios de 2016, da própria HRW, e de 2015, da Anistia Internacional, que mostram que outras mortes são assassinatos, “execuções extrajudiciais”, como chama o comunicado.

O texto da HRW cita como exemplo o caso da morte do menino Marcos Vinícius da Silva, de 14 anos, que foi baleado durante uma ação policial, enquanto estava a caminho do colégio no Complexo da Maré, na zona norte do Rio, vestindo o uniforme escolar. Antes de morrer, o garoto disse que o tiro saiu de um veículo blindado – que normalmente é usado pelas forças policiais – e questionou: “Eles não viram meu uniforme escolar?”.

As mortes provocadas em ações policiais, porém, não são um grande problema aos olhos de uma parcela da população. Em tempos de “bandido bom é bandido morto”, o comunicado da HRW destaca que algumas pessoas “não se incomodam com a frequência que matam suspeitos – e os espectadores ocasionais”.

O pesquisador César Muñoz, autor do texto da HRW, revela que teve a oportunidade de conhecer o general Walter Braga Netto, o responsável pela intervenção federal, em maio. O militar explicou os planos para lidar com o alto índice de violência no Rio, o que, para Munõz, eram “medidas importantes”.

“Mas ele não reconheceu que estabelecer confiança entre a comunidade e a polícia é fundamental para reduzir o crime. E você não pode fazer isso quando os moradores veem a polícia como uma força que coloca em risco a vida de seus filhos”, escreveu Munõz.

Por outro lado, o relatório não critica apenas as ações de segurança, mas o cenário como um todo. Muñoz cita que, até o momento, 70 policiais já foram mortos apenas no estado do Rio de Janeiro. Para ele, “a brutalidade policial aumenta o ciclo de violência”. Com o alto índice de mortes, os policias temem pelas suas vidas, enquanto os civis enxergam as forças de segurança com desconfiança.

Por fim, o pesquisador afirma que os planos de Braga Netto focam na segurança, mas não na promessa feita pela Polícia Militar de reduzir as mortes cometidas por policiais. “Um plano de segurança pública que fecha os olhos quando a polícia usa força letal ilegalmente nunca pode ser considerado um sucesso”, conclui Munõz.

 

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3 Opiniões

  1. Francisco Taborda disse:

    O HRW condena o uso ilegal de força letal pelas forças de segurança. Pode até ser, mas porque não condenar o uso ilegal de força letal pela bandidagem. Se não houvesse recrudescimento da bandidagem, talvez não tivéssemos a situação que temos hoje.
    Um problema que vai durar gerações para ser completamente resolvido. É preciso começar este trabalho com seriedade, planejamento de longo prazo, disponibilização de recurso, crescimento econômico e um pouco de competência. Só para variar um pouco.

  2. carlos alberto martins disse:

    e a violencia dos bandidos e traficantes que estão matando inocentes?eles não se preocupam?é triste saber que nossas leis mais ajudam os contraventores do que os que trabalham,e,ainda por cima tem a proteção dos Direitos Humanos.

  3. Aureo Ramos de Souza disse:

    como é que os cariocas irão confiar na policia, se existe policiais infiltrados com traficantes. Deixa eu quieta aqui no Meu Recife.

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