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ENVOLVIDA NA LAVA JATO

Hypera Pharma estuda acordo de leniência com a Justiça

Produtora de medicamentos vê sua situação se complicar desde 2015, quando foi citada em delações da Operação Lava Jato

Hypera Pharma estuda acordo de leniência com a Justiça
Executivos da Hypera são acusados de pagar por apoio dos parlamentares do MDB (Foto: Divulgação)

A Hypera Pharma (antiga Hypermarcas) estuda fechar um acordo de leniência com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Este tipo de acordo funciona como uma espécie de delação premiada de pessoas jurídicas, onde empresas admitem irregularidades e colaboram com a Justiça em troca de redução de penas.

A informação do possível acordo foi dada ao jornal Estado de S. Paulo, por uma fonte ligada ao empresário e controlador da empresa, João Alves Queiroz Filho. Segundo a fonte, Queiroz estaria consultando advogados para a negociação do acordo.

Criada em 2001, com a ambição de ser uma “Unilever brasileira”, a Hypera Pharma vê sua situação se complicar desde 2015, quando teve seu nome envolvido pela primeira vez na Operação Lava Jato.

Naquele ano, o ex-diretor de relações institucionais da empresa, Nelson Mello, afirmou, em delação premiada, que a empresa teria repassado R$ 30 milhões a parlamentares do MDB para garantir a atuação dos mesmos na aprovação de medidas em prol da empresa. O pagamento foi feito através dos operadores Lúcio Funaro e Milton Lyra, presos no âmbito da Lava Jato.

Mello afirmou à Justiça que a iniciativa foi de responsabilidade totalmente sua e que os pagamentos ilícitos foram feitos sem o conhecimento do grupo. Ele disse ter reembolsado a empresa pelos valores pagos.

No entanto, em sua delação, Funaro disse à Justiça que, além de Mello, Queiroz também era seu interlocutor na empresa. Segundo Funaro, uma das Medidas Provisórias pela qual recebeu para garantir a atuação em prol da Hypera “tinha o intuito de facilitar as transações imobiliárias de Queiroz, feitas através da empresa Stan Empreendimentos Imobiliários”.

No dia 10 de abril deste ano, a Polícia Federal foi à casa de Queiroz e do presidente do grupo, Claudio Bergamo, para obter coletar provas de informações omitidas por Mello em sua delação. A operação foi batizada de Tira-Teima e foi autorizada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os acusados de receber para atuar em prol da empresa está o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), que teria recebido de Mello R$ 5 milhões para sua campanha ao governo do Ceará nas eleições de 2014.

Processo de reestruturação de dívidas

A Hypera vem passando por um intenso processo de reestruturação, que envolve a venda de ativos de higiene e beleza. A troca de nome, de Hypermarcas para Hypera Pharma, em fevereiro deste ano, faz parte do processo, uma vez que a empresa passou a se dedicar somente à produção de medicamentos. Ao longo deste processo, a empresa vendeu as marcas Monange, Risqué, Perfex e Assolan, além das marcas Etti e Salsaretti, do setor alimentício.

No ano passado, a Hypera faturou R$ 3,6 bilhões. Um balanço dos resultados financeiros do primeiro trimestre deste ano está previsto para ser divulgado em breve, em uma reunião que também discutirá a saída de Bergamo da presidência da empresa e o afastamento de Queiroz, sócio majoritário da empresa, dos debates referentes aos negócios do grupo. As duas medidas seriam partes do possível acordo de leniência.

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