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NÃO TRABALHA NEM ESTUDA

IBGE mostra aumento de jovens nem-nem no país

População jovem que não trabalha nem estuda cresceu no país, e não é por falta de interesse. Falta oportunidade de trabalho e evasão escolar é alta

IBGE mostra aumento de jovens nem-nem no país
Pessoas conhecidas como nem-nem chegam a 27,9%, no recorte entre 18 e 24 (Foto: EBC)

A quantidade de jovens que não estudam e nem trabalham aumentou no Brasil no ano passado. E não é por falta de interesse, mas porque não há oportunidade de trabalho e porque a alta evasão no ensino médio impede muitos deles de continuarem os estudos.

As conclusões são do IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que divulgou na última quarta-feira, 6, a síntese de indicadores sociais. As pessoas conhecidas como nem-nem são 23% de todos os jovens com idades entre 15 e 29 anos no país e chegam a 27,9%, no recorte entre 18 e 24.

Mais de 1 milhão desses jovens se declararam desalentados, quando a pessoa desiste de encontrar um trabalho diante da dificuldade. Mas a pesquisadora do IBGE Luanda Botelho explica que nem tudo se explica pela conjuntura econômica.

A interrupção dos estudos está bastante relacionada com esse cenário. Entre os jovens nem-nem, 46% não tinham concluído o ensino fundamental e 27% terminaram esta etapa mas não conseguiram concluir o ensino médio.

E essa realidade tende a se repetir no futuro, já que 11,8% dos adolescentes com idades entre 15 e 17 anos estavam fora da escola no ano passado. Além disso, a taxa que mede se o aluno está frequentando determinado nível, na idade adequada, cai de 97,4% nos anos iniciais do ensino fundamental, para menos de 70%, no ensino médio.

Para os adolescentes pertencentes aos 20% da população mais pobre, a taxa de atraso escolar é quatro vezes maior do que entre os 20% mais ricos. A adequação também é mais de 10 pontos percentuais menor entre negros, na comparação com os brancos.

A analista do IBGE Betina Fresneda explica que tudo isso é resultado de problemas estruturais, mas que o gargalo do ensino médio precisa ser visto com prioridade.

Em 2018, quase 64% dos jovens, entre 18 e 24 anos, não frequentavam o ensino superior. O IBGE também aponta que outra questão estrutural está relacionada com a alta prevalência de nem-nem no Brasil: a divisão igualitária do trabalho doméstico. 28,4% das mulheres jovens não trabalham, nem estudam, contra 17,6% dos homens na mesma faixa etária.

Mais de 67% delas estavam fora da força de trabalho, ou seja, não tomaram nenhuma providência para obter uma ocupação e a razão alegada para quase 36% dessas pessoas era a necessidade de cuidar da casa e da família.

Fontes:
Agência Brasil-IBGE mostra aumento de jovens nem-nem no país; falta trabalho e evasão escolar é alta

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1 Opinião

  1. Élio J. B. Camargo disse:

    O motivo desta catátrofe com os jovens é exatamente um curso médio que não forma pessoas e completamente desligado da realidade. Além de ser exclusivamente teórico, não atrae os jovens e visa apenas uma preparação para o exame do ENEM e alcançar algum curso superior. Quem se submete a esta tortura e acaba o curso médio não segue para um curso superior, fica na mesma situação de quem não fez, não sabe fazer nada e perdeu seu tempo.
    A maioria dos jovens não vai fazer um curso superior e nem a sociedade precisa de profissionais teóricos.
    Não é possível que o curso médio seja o mesmo pre-requesito aos cursos técnicos.
    A solução passa por mudar o sistema educacional e fazer como na Alemanha, em priorizar os cursos técnicos. Os cursos técnicos deveriam ser pré-requesito para todos os cursos superiores. O curso técnico tem a sua formação teórica e prática necessária ao trabalho e quem quiser fazer o curso superior pode, depois fazer. Se, além disso, algum curso superior precisar de mais aprendizagem teórica, incorpore-os no início destes, não no curso técnico.
    Um jovem que pretendesse ser médico, deveria por exemplo, fazer curso um técnico relacionado: enfermagem, laboratório, etc. e depois sim, prestar um exame admissional numa faculdade de medicina. Com certeza teríamos melhores médicos, que não dependeriam de outrem para aplicar uma injeção.
    Portanto o fracasso do ensino médio é uma falha estrutural da educação brasileira. E isso não se conserta tentando consertar o ensino médio, mas sim a sua substituição pelo ensino técnico, logo depois da educação básica. A formação técnica propricia aos jovens uma possibilidade profissional e depois, se quiserem, continuarem seus estudos.
    Manter o esquema do ensino médio é um engodo e traição aos jovens que querem continuar sua formação, mas de fato, pelo tipo de ensino no curso médio (teórico e desligado à realidade dos jovens), acabam sendo nem-nem e muitas vezes, como não tem uma formação profissional, acabam caindo na marginalidade.

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