Início » Brasil » Identificada origem de fake news contra Jean Wyllys
NOTÍCIAS FALSAS

Identificada origem de fake news contra Jean Wyllys

Primeiro tuíte associando Wyllys a Adélio Bispo partiu de mulher que tem Carlos Bolsonaro entre seguidores no Twitter, segundo relatório do Monitor de Debate Político no Meio Digital, da USP

Identificada origem de fake news contra Jean Wyllys
Notícia falsa diz que Jean Wyllys deixou o país por ter ligação com Adélio Bispo (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

O Monitor de Debate Político no Meio Digital, da Universidade de São Paulo (USP), identificou de onde partiu a primeira mensagem associando o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) a Adélio Bispo, autor da facada em Jair Bolsonaro (PSL), quando este estava em campanha presidencial.

Após anunciar que não assumiria o terceiro mandato para o qual foi reeleito, por estar recebendo ameaças de morte, o ex-parlamentar foi vítima de ataques pelas redes sociais, com notícias falsas que insinuavam que sua saída do país seria, na verdade, uma fuga por conta de seu envolvimento com Adélio Bispo.

A notícia falsa chegou aos trending topics (os assuntos mais comentados) do Twitter, através da hashtag #InvestiguemJeanWyllys. O site Aos Fatos, especializado em desmistificar boatos, já apontou que a informação é falsa.

De acordo com o Monitor de Debate Político no Meio Digital, a primeira mensagem sobre o assunto teria sido disparada às 16h49, do último dia 24 de janeiro, por uma mulher identificada como Milene Reis. Ela tem quase 12 mil seguidores no Twitter, entre eles, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) e o assessor do presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins.

“Vídeo comprova que Adélio, ex-PSOL, visitava um deputado no Congresso. Quem pagou os advogados de Adélio? Moro vai investigar entrada de dinheiro da ditadura de Maduro no Brasil. Maduro é deposto. Jean Wyllys desiste do mandato e foge do país. Coincidência? #VaiPraCubaJean”, escreveu Milene.

Foto: Milene Reis/Twitter

Foto: Milene Reis/Twitter

A partir daí, outros perfis no Twitter começaram a seguir a mesma linha de raciocínio, replicando ou postando mensagens com o mesmo teor, sempre associando Jean a Adélio. Na noite do último dia 24 de janeiro foi a vez de Romeu Tuma Jr., ex-secretário nacional de Justiça, replicar a notícia falsa. “Essa história do Jean Wyllys tá muito estranha!!! Tem coelho nesse mato!”, afirmou em uma postagem do Twitter. A mensagem de Tuma teve mais de 2,7 mil retuítes e 15,2 mil curtidas. O ex-secretário tem mais de 102 mil seguidores na rede social.

Foto: Romeu Tuma/Twitter

Foto: Romeu Tuma/Twitter

 

Outro fator que contribuiu para que a fake news se alastrasse pelo país foi o vídeo gravado pela jornalista Regina Villela, que se candidatou a deputada federal pelo PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, mas não foi eleita, recebendo menos de 3 mil votos.

Segundo o Monitor de Debate Político no Meio Digital, o vídeo foi reproduzido pelo canal do YouTube Política Play, que já excluiu o conteúdo, e pela página do Facebook Avança Brasil, que também já retirou o conteúdo do ar. A jornalista, mais tarde, gravou um vídeo explicando a gravação anterior, afirmando que não apontou Wyllys como envolvido no caso da facada.

O músico Lobão foi mais um que contribuiu para disseminar a informação falsa de que Jean Wyllys estaria ligado à tentativa de assassinato de Bolsonaro. No último dia 25 de janeiro, ele conclamou seus seguidores a levantarem a hashtag #InvestigarJeanWyllys no Twitter. Em poucas horas, ela chegou aos trending topics da rede social.

“Essa parada de Jean Willis [sic] sair do Brasil e deixar a vida pública só levanta sérias suspeitas sobre seu envolvimento na tentativa de assassinato a Jair Bolsonaro. Deve ser investigado imediatamente. Esse papo é lorota. #InvestigarJeanWillis [sic]”, escreveu ex-roqueiro no Twitter.

Foto: Lobão/Twitter

Foto: Lobão/Twitter

Outro que alimentou a notícia falsa foi o próprio presidente da República, sem, no entanto, citar diretamente Jean Wyllys. Logo após saber da notícia referente à saída do parlamentar do Brasil, Bolsonaro compartilhou uma imagem que lembra e reforça a ligação de Adélio Bispo com o Psol, partido ao qual o autor da facada já foi filiado. Pelas redes sociais, Bolsonaro traçou uma “linha do tempo” dos passos de Bispo.

 

Ameaças

O deputado federal eleito Jean Wyllys afirmou, no último dia 24 de janeiro, que não iria assumir o seu novo mandato como deputado federal por conta de ameaças de morte. Segundo o parlamentar, as ameaças se estendiam a membros de sua família. Ademais, sentindo-se confinado, o deputado só se locomovia com o apoio de seguranças por temer atentados contra sua vida – especialmente após a execução da vereadora Marielle Franco, que também era do Psol.

No último sábado, 26, o Ministério da Justiça e da Segurança Pública divulgou uma nota afirmando ter identificado um dos responsáveis pelas ameaças contra Wyllys. A pessoa em questão é Marcelo Valle Silveira Mello, preso desde 2018. Marcelo integrava um grupo autointitulado “Homens Sanctos”.

Ademais, a Pasta revelou que diferentes inquéritos foram instaurados pela Polícia Federal para apurar as ameaças. Segundo o comunicado, “as investigações estão em andamento”.

Alvo de fake news

Esta não foi a primeira vez que Jean Wyllys foi um dos principais alvos das fake news na internet brasileira. Em abril do ano passado, o então parlamentar compartilhou um vídeo contra as notícias falsas e o discurso de ódio nas redes sociais, relembrando, inclusive, os boatos envolvendo a vereadora assassinada Marielle Franco.

Após anunciar que iria se retirar da política e se tornar alvo, mais uma vez, de uma onda de notícias falsas, Jean Wyllys excluiu sua página oficial no Facebook – mantendo apenas o seu perfil pessoal – e fixou o vídeo contra fake news e discurso de ódio no topo da sua página no Twitter.

Também pelas redes sociais, o Psol, partido ao qual Jean Wyllys é filiado, pediu para que todas as denúncias envolvendo fake news contra o parlamentar fossem enviadas para o e-mail denuncia.lidpsol@gmail.com. Segundo o partido, já foram recebidas mais de 4 mil denúncias.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Cleide disse:

    Com erteza essas investigações da pf não vai dar em nada, ou será que Moro tá preocupado em garantir a segurança do Jean Willys? ???

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *