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CRISE DE GESTÃO

Crise entre acionistas ameaça futuro da Usiminas

A mais tensa disputa já vista em anos no país em um conselho administrativo tem raízes no conflito entre duas culturas empresariais: a japonesa e a ítalo-argentina

Crise entre acionistas ameaça futuro da Usiminas
Os dois lados enxergam a cisão da empresa como a única solução viável (Divulgação/Usiminas)

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Uma batalha entre acionistas ameaça o futuro da Usiminas, gigante do setor siderúrgico. O campo se divide em duas frentes: de um lado está a japonesa Nippon Steel & Sumitomo Metal Corp, acionista da Usiminas desde sua fundação; do outro está a ítalo-argentina Ternium, líder na produção de aço na América do Sul que passou a compor o quadro de acionistas em 2012.

A batalha teve início em 2014, sendo o cerne da tensão o impasse sobre a demissão do ex-chefe executivo da empresa, Julián Eguren, e dois vice-presidentes após uma auditoria constatar a realização de pagamento de bônus excessivos. A Nippon Steel defendeu a demissão, enquanto a Ternium foi contra.

O impasse sobre a demissão foi decidido em setembro de 2014, após a votação ser desempatada por Paulo Penido, presidente do conselho da Usiminas, que foi indicado pela Nippon. Com a decisão, a Ternium perdeu o controle sobre os rumos da empresa, o que aprofundou a crise.

A mais tensa disputa já vista em anos no país em um conselho administrativo de empresa tem raízes no conflito entre duas culturas empresariais e na desconfiança mútua entre as duas acionistas. A crise no conselho administrativo põe em xeque futuro da Usiminas. A empresa já fechou uma de suas duas maiores usinas, localizada no porto de Santos, reduziu a produção e colocou em regime de lay-off dois mil empregados. Os problemas são exacerbados pela recessão no país.

Os dois lados enxergam a cisão da empresa como a única solução viável. “As coisas foram muito além do que é permitido pelo bom senso”, disse à Reuters, em condição de anonimato, um ex-membro do conselho.

Para Florêncio Resende de Sá, presidente do Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista, a categoria está em meio a uma batalha entre Argentina e Japão. “O fechamento da usina foi resultado da crise de gestão, não da crise do setor siderúrgico”. Ele espera que a usina reabra após a Usiminas ser dividida entre a Nippon e a Ternium.

Fontes:
Reuters-How a boardroom feud left Brazilian steel giant on the brink

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