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RECORDE DE R$ 1,4 TRILHÃO

Impostômetro: brasileiro bate recorde de pagamento de tributos

Painel instalado no centro da capital paulista para mostrar o tamanho da carga tributária do país a cada segundo atingiu na quinta-feira, 9, a marca recorde de R$ 1,4 trilhão

Impostômetro: brasileiro bate recorde de pagamento de tributos
Contagem considera impostos pagos desde o primeiro dia do ano (Foto: Pixabay)

Painel em formato de relógio digital instalado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) no centro da capital paulista para mostrar o tamanho da carga tributária do país a cada segundo, o impostômetro atingiu na quinta-feira, 9, a marca recorde de R$ 1,4 trilhão, considerando os impostos, taxas e contribuições pagos pelos contribuintes aos três níveis de governo – municipal, estadual e federal – desde o primeiro dia do ano.

Quando, em maio, a engenhoca alcançou R$ 900 bilhões, a ACSP destacou que o valor equivalia ou era superior ao PIB de países como Finlândia, Chile, Hungria, Portugal, Qatar, Angola, Bolívia, República Checa, Equador e Grécia. O reloginho não para de rodar um único instante – nem de madrugada. A cada 20 segundos, o imposto avança na ordem de R$ 1 milhão. Ou seja, são R$ 3 milhões de impostos por minuto e R$ 4,320 bilhões por dia.

Quando instalou o painel, na Rua Boa Vista, no Centro, em 2005, era intenção da ACSP demonstrar quanto o país recolhia em tributos para que o contribuinte pudesse cobrar do governo a melhor utilização do dinheiro. Mas o impostômetro hoje tem a função única de multiplicar a indignação e revirar o estômago do brasileiro.

Brasileiro trabalha 153 dias do ano para pagar imposto

O maior vilão desta história é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com 20,09% do total e que “incide em praticamente tudo que as pessoas consomem”, como revela Marcel Solimeo, economista da instituição. Para os que se deixam levar pela balela de que a Reforma da Previdência é necessária por falta de recursos, saibam que a contribuição para o INSS está em segundo lugar e corresponde a 17,26%, – ou seja, já estaria beirando os R$ 300 bilhões até meados de agosto -, enquanto que o Imposto de Renda aparece em terceiro lugar com 16,82% dos tributos.

Mas o impostômetro não é um mero reloginho para estragar o humor daquele que trabalha 153 dias do ano somente para pagar impostos. O site da ACSP aponta o Índice de Retorno e Bem Estar Social nos países em que os impostos são cobrados de forma responsável e são administrados para trazer mais bem estar à sociedade. Nesse critério, o Top 7 é formado por Austrália, Coreia do Sul, Estados Unidos, Suíça, Irlanda, Japão e Canadá. O Brasil aparece em 30º lugar, a uma distância considerável que permite dizer que aqui se paga imposto demais e se obtém retorno de menos.

O que se poderia comprar com esse imposto que os governos recolhem

Na intenção de criar um certo mal estar nas autoridades – mas elas sequer ruborizam -, o Impostômetro aponta que os tributos recolhidos até quinta-feira dariam para comprar 3 bilhões de cestas básicas. Para transportar esse dinheiro em notas de R$ 100 seriam necessários 468 containers de 20 pés. Aplicada na poupança, a bufunfa renderia de juros R$ 8.246.584.070 por mês, ou R$ 274,5 milhões por dia ou ainda R$ 11,4 milhões por hora.

Diante de governos – nos três níveis – que não medem esforços para gastar com mordomias e privilégios, seria até arriscado revelar que o imposto recolhido em 2018 daria para comprar também uma frota de 1400 veículos Porsche Panamera ou 3.900 BMW. Top de linha total! Quem preferisse investir em imóveis, compraria 859.641 apartamentos de três quartos, com duas vagas na garagem, no bairro carioca de Botafogo, por exemplo. Que os governantes não leiam até este último parágrafo.

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4 Opiniões

  1. Aureo Ramos de Souza disse:

    E através destes impostos que o ministério que aumentar seus salários de R$ 33 mil para R$ 39 mil e quem paga? somos nós e tenho a certeza que haverá um efeito cascata

  2. Francisco Chicao Somavilla disse:

    E sobre o SONEGOMETRO, alguma informação?

  3. Roberto Figueredo disse:

    Sinto falta de matérias sobre a criação de um “sonegômetro” – penso que nem tudo que o impostômero apura é recolhido aos cofres públicos – e até um “isentômetro”, para medição de isenções e perdões de dívidas de impostos de grandes empresas, bancos, fortunas etc.

  4. Buckminster disse:

    Que seja também criado o cretinometro para medir a falta de interesse do povo para procurar informações em fontes confiáveis pouca enganar não é crime no Brasil mais lesa o bolso do povo todos os dias através das “grandes mídias”, “empresas” e outras organizações criminosas que foram legalizadas no Brasil.

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