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FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL

Imprensa estrangeira critica discurso de Bolsonaro

Jornais dos EUA e da Europa apontam que o presidente brasileiro perdeu uma grande oportunidade de se apresentar ao mundo

Imprensa estrangeira critica discurso de Bolsonaro
A atuação breve e superficial do presidente frustrou expectativas (Foto: Alan Santos/PR)

O discurso do presidente Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial, em Davos, repercutiu nos principais veículos de comunicação do mundo. Porém, não exatamente como esperava o governo brasileiro.

Jornais dos EUA, Alemanha, França, Reino Unido e Espanha chamaram atenção para a curta duração e a superficialidade do discurso do presidente brasileiro, que era aguardado com grande expectativa, pela falta de líderes presentes e pela curiosidade em conhecer aquele que se apresenta como um “Trump dos trópicos”.

No entanto, Bolsonaro, que tinha 45 minutos para discursar, passou apenas 15 minutos no palco. Durante pouco mais de sete minutos, ele prometeu abrir a economia do Brasil para o mundo, relembrou promessa de campanha de governar sem viés ideológico e de implementar as reformas tributária e da Previdência. Em seguida, respondeu a questões do presidente do fórum, Klaus Schwab.

A atuação breve e superficial do presidente frustrou as expectativas de quem esperava que Bolsonaro detalhasse propostas de tornar a economia brasileira mais liberal. Em geral, a atuação de Bolsonaro foi considerada uma oportunidade perdida.

Nos EUA, a jornalista chefe da editoria de economia do Washington Post, Heather Long, classificou o discurso do presidente brasileiro como um “grande fracasso”. “Para resumir: o presidente brasileiro Bolsonaro falou por menos de 15 minutos. Grande fracasso. Ele tinha o mundo inteiro o assistindo e o melhor que conseguiu dizer foi para as pessoas passarem férias no Brasil. Ele é chamado de ‘Trump da América do Sul’, mas pareceu morno”, escreveu Long, em sua conta no Twitter.

 

O New York Times lembrou que, diante da ausência de Trump, Bolsonaro foi o encarregado de representar a bandeira do populismo no fórum. O jornal, no entanto, lembrou que o nacionalismo defendido pelo presidente brasileiro é a antítese do espírito liberal de Davos e afirmou que o discurso de abertura do presidente brasileiro reflete a edição deste ano do fórum.

“O discurso principal do Sr. Bolsonaro deu o tom de uma reunião em Davos sem a participação habitual de líderes americanos e europeus, em embate com forças políticas, da América Latina à Europa, que estão em desacordo com o caráter da conferência de cooperação global e ordem global liberal”, disse o jornal.

Outro que criticou o discurso do presidente brasileiro foi Brian Winter, editor chefe da revista Americas Quarterly. “O discurso de Bolsonaro em Davos foi muito mais curto do que o esperado, não mencionou a reforma da Previdência, não deu detalhes nem quando perguntado. ‘Nunca vi nada parecido em se tratando de presidentes por aqui’, me escreveu um amigo. ‘Realmente bizarro’”, escreveu Winter, em sua conta no Twitter.

 

Em uma outra postagem, Brian citou um e-mail recebido por ele de um dos presentes na plateia que disse: “Desastre. Eu queria gostar dele, mas ele não disse nada. Por que veio?”.

Na Europa, o francês Le Monde afirmou que Bolsonaro “fez o mínimo para vender o Brasil um novo Brasil em Davos”, com um discurso que não entrará para a história do fórum.

Em sua conta no Twitter, a diretora editorial do jornal, Sylvie Kauffmann, chamou atenção para a superficialidade do discurso, que classificou como “fracasso”. “Fracasso de Bolsonaro em Davos, incapaz de responder concretamente as perguntas feitas por Klaus Scwab. 15 minutos de generalidades”, disse Kauffmann.

Em uma postagem em seguida, Kauffmann afirmou que “Bolsonaro não agradou a plateia” e fez um discurso de campanha. “Um breve discurso de campanha, muito generalista e evitou dar respostas concretas”, escreveu Kauffmann.

Segundo noticiou a Deutsche Welle, na Alemanha, o Die Welt afirmou que o “mini-Trump brasileiro perdeu uma oportunidade única” e fez um discurso “sem tirar os olhos do teleprompter”.

No Reino Unido, o Guardian destacou que a estreia de Bolsonaro em Davos foi ofuscada pelos escândalos envolvendo seu filho, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). O jornal lembrou que, enquanto Bolsonaro discursava, novas evidências surgiam contra seu filho, incluindo a suspeita de ligação com uma milícia de esquadrão da morte intitulada “Escritório do Crime”. O jornal apontou que o escândalo “contrasta com as afirmações de Bolsonaro em Davos de que vai liderar uma cruzada contra a corrupção e o crime organizado”.

O jornalista Thiago Ferrer Morini, do espanhol El País, também chamou atenção para o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro. “Enquanto Bolsonaro fala sobre absolutamente nada por oito minutos, em casa seus problemas de um dos seus filhos aumentam”, escreveu Morini, em uma postagem em sua conta no Twitter, na qual compartilhou o link de uma matéria sobre a investigação da morte de Marielle Franco.

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