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ELEIÇÕES 2018

Imprensa mundial destaca guinada à direita no Brasil

Principais jornais do mundo deram destaque à eleição presidencial no Brasil e apontaram a vitória de Bolsonaro

Imprensa mundial destaca guinada à direita no Brasil
A rede BBC deu grande destaque à eleição presidencial brasileira (Foto: Reprodução/BBC)

Jornais de todo o mundo destacaram a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência do Brasil nesta segunda-feira, 29. Grande parte da imprensa mundial apontou a guinada à direita e o fim dos governos de esquerda com a escolha de pouco mais de 55% dos votos válidos.

Estados Unidos

O New York Times destacou, na primeira página do site, como um “populista de extrema-direita” transformou a crise econômica e política brasileira em oportunidade para impulsionar a sua ascensão ao posto mais alto da democracia no país. Já em duas outras matérias, o jornal aponta que “a vitória de Bolsonaro é a mudança política mais radical do Brasil desde que a democracia foi restaurada” e para o “discurso ofensivo”, que emocionou os eleitores e “apavorou” os opositores, destacando as próprias frases do presidente eleito.

Já o Washington Post, que também reservou um espaço na capa para a eleição de Bolsonaro, destacou que a ascensão do político “populista” é a “mudança mais dramática da América do Sul para a direita desde o fim das ditaduras militares da época da Guerra Fria”. Ademais, os jornalistas apontaram como o militar reformado conseguiu direcionar uma “onda de fúrias” de eleitores para a sua ascensão política.

Enquanto isso, a rede CNN não deu tanto destaque para a eleição de Bolsonaro. Apesar de citá-la na home do site da rede, os jornalistas se limitaram a dizer que “Brasil elege Bolsonaro como presidente”.  Na matéria, o destaque foi para a divisão no Brasil durante a campanha presidencial. Ademais, apontou ainda que, após o resultado divulgado, os eleitores pró-Bolsonaro celebraram, enquanto os opositores demonstraram preocupação com o futuro da democracia, mesmo com Bolsonaro garantindo que seu governo será “constitucional e democrático”.

O Wall Street Journal destacou a vitória do “conservadorismo” e a guinada à direita no Brasil. Na capa, o jornal americano destacou que a eleição de Bolsonaro coloca-o “em posição de se juntar às crescentes fileiras de populistas em todo o mundo e mudar a maior nação da América Latina para a direita”. Na matéria, os jornalistas apontaram as promessas do presidente eleito para levar o Brasil para uma nova era de “ordem e progresso”, dizeres expostos na bandeira do país.

Já a rede Fox News, reconhecida como uma das maiores apoiadoras de governos republicanos nos Estados Unidos, apontou a “impressionante vitória dos conservadores” com a eleição de Bolsonaro. A emissora americana lembrou a carreira de quase 30 anos de Bolsonaro na política, apesar de ele ter se apresentado como um outsider durante a campanha. Além disso, destacou que o presidente eleito é “um produto de uma tempestade política no Brasil”, destacando que suas frases “duras” contra a violência o catapultaram nas eleições.

América Latina

O Clarín, um dos mais importantes jornais da Argentina, deu grande destaque para a eleição presidencial brasileira. No topo de sua capa, o jornal colocou a porcentagem e a quantidade de votos que Jair Bolsonaro e Fernando Haddad (PT) conquistaram no segundo turno. Na chamada para a matéria, o Clarín aponta a “vitória por 10 pontos” e a promessa de Bolsonaro de “defender a democracia e a liberdade”. Ademais, aponta que a campanha do presidente eleito “se baseou na denúncia contra a corrupção do PT e Lula” e a insegurança no país.

No entanto, o Clarín também deu uma perspectiva de como a eleição de Bolsonaro pode influenciar a América Latina, visto que o Brasil é um dos países mais importantes do continente. Em uma segunda matéria, os jornalistas apontam que Paulo Guedes, ministro da Fazenda de Bolsonaro, não considera a Argentina e o Mercosul como “prioridades”. Em outra reportagem, porém, o embaixador da Argentina no Brasil diz que não imagina “de forma alguma” o fim do Mercosul.

Assim como o Clarín, o La Nación, também da Argentina, deu destaque para a eleição presidencial brasileira no topo de sua capa, destacando a porcentagem e a quantidade de votos conquistados por cada um dos presidenciáveis. Ainda na capa, em diferentes matérias, os jornalistas destacam as felicitações de Trump a Bolsonaro; a não priorização do Mercosul pelo presidente eleito; e como votou cada estado brasileiro. Por fim, dois colunistas do jornal também escreveram sobre como a vitória de Bolsonaro “humilha os ideais da democracia” e como o novo presidente brasileiro é “um enigma, um desafio e uma oportunidade para a Argentina”.

O Excelsior, do México, destacou na capa que Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil. O jornal mexicano destacou o primeiro discurso do novo chefe de Estado, que garantiu que “todas as promessas de campanha serão cumpridas”. Em outra reportagem, os jornalistas falam sobre a trajetória e a vida de Bolsonaro.

Já o portal Televisa.News, da emissora mexicana Televisa, deu destaque para a vitória do “ultradireitista Jair Bolsonaro”. Além de apontar a promessa do militar reformado de respeitar “a democracia e a constituição”, os jornalistas também lembraram a promessa do presidente eleito de “pacificar uma nação atormentada pelo crime e pela corrupção”.

O chileno El Mercurio apontou a reação do mercado com a vitória de Bolsonaro na eleição presidencial brasileira. De acordo com os jornalistas, as ações de empresas chilenas com operações no Brasil subiram após o anúncio do fim da apuração dos votos. Ademais, destacou também a promessa de Bolsonaro de “transformar esse país em uma grande nação, livre, democrática e próspera”.

Por sua vez, o El Nacional, da Venezuela, destacou a vitória de Bolsonaro na eleição presidencial, suas primeiras palavras como presidente eleito e as principais propostas do novo chefe de Estado.

O El Universal, também da Venezuela, deu ainda mais destaque para a vitória de Bolsonaro. No topo da capa do portal, a manchete destaca as felicitações do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ao chefe de Estado eleito e o pedido para retomar as “relações diplomáticas” entre os países. Em outra reportagem, o “realinhamento econômico, social e diplomático” foram apontados como as chaves do programa de governo de Bolsonaro.

Europa

O britânico Guardian reservou uma parte considerável da capa para falar sobre a eleição de Bolsonaro. Na principal reportagem, o jornal do Reino Unido destaca que a “extrema-direita conquistou o Brasil”, chamando atenção para a admiração do presidente eleito a ditadores. Em outra matéria, o jornal aponta frases polêmicas do presidente eleito sobre diferentes temas. Os jornalistas apontam ainda que a desilusão fez com que os brasileiros trocassem a “política de esperança pela política da raiva e do desespero”. Já em uma análise, é debatido como possivelmente será um governo do presidente eleito.

A rede BBC também noticiou a vitória de Bolsonaro e a guinada à extrema-direita no Brasil. No entanto, a rede britânica destacou que o poder de um presidente da República depende de outras instâncias, logo, muitas de suas promessas de campanha dependerão da aprovação e da interlocução entre o Palácio do Planalto e o Congresso.

O também britânico Independent deu destaque para o medo da oposição com a ascensão de Bolsonaro. Em uma reportagem, o jornal aponta o temor de repressão às liberdades civis, baseado em afirmações do presidente eleito. Já em uma matéria de opinião, é apontado que “o fascismo chegou ao Brasil” e como “a presidência de Jair Bolsonaro será pior do que você imagina”.

O Telegraph foi mais conciso ao apontar que “Jair Bolsonaro, candidato de extrema-direita do Brasil, chega à vitória eleitoral”. O jornal britânico apontou ainda a campanha presidencial de Bolsonaro, a divisão partidária do Brasil e a vontade de eleitores de tirar o Partido dos Trabalhadores do poder.

O Financial Times destacou a influência do anúncio da vitória de Bolsonaro nas ações brasileiras. Em uma reportagem na capa do portal, o jornal aponta que as “ações brasileiras atingem novo patamar depois que Bolsonaro cruza para a vitória”. Segundo a matéria, o índice de ações da Bovespa saltou 3 pontos percentuais em poucos minutos depois do mercado ser aberto, apontando ainda os avanços das ações da Petrobras (4%) e da Vale (1,5%).

Na manhã desta segunda-feira, o francês Le Monde estava respondendo as dúvidas de seus leitores ao vivo sobre o que significa a eleição de Jair Bolsonaro para o Brasil e para o mundo. Já em um editorial, o jornal destacou o “retorno perturbador” do Brasil ao passado, apontando que o Brasil foi adicionado à lista de países que adotaram um posicionamento nacionalista-populista. Logo nas primeiras frases da matéria, o Le Monde afirma que o Brasil elegeu um presidente “racista, sexista, homofóbico”.

O francês Le Figaro fez uma série de matérias a respeito da ascensão de Bolsonaro. Na principal, o jornal destaca o comunicado do presidente Emmanuel Macron a respeito da eleição brasileira e o desejo de “boa sorte” da líder de extrema-direita Marine Le Pen a Bolsonaro. Em outra reportagem, os jornalistas falam sobre os principais desafios do novo presidente brasileiro. Em seguida, o Le Figaro aponta quem deve governar o Brasil junto com o presidente eleito. O jornal também destaca a promessa de Bolsonaro de libertar a economia.

Na Espanha, o El Mundo destacou a vitória do “ultradireitista brasileiro”. Ademais, também apontou as celebrações da vitória de Bolsonaro por parte dos seus eleitores e o receio de repressão dos seus opositores. O também espanhol El País seguiu a mesma linha, destacando a vitória do ultradireitista e a “eleição mais polarizada, tensa e violenta em décadas”.

Entre as reportagens mais acessadas do jornal italiano Corriere Della Sera está uma com as frases mais polêmicas de Bolsonaro sobre LGBTs, mulheres e a ditadura militar. Na matéria, o jornal reuniu frases do presidente eleito, destacando ainda as “ameaças aos adversários”, “a exaltação a ditadura” e os “ataques aos jornais”.

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2 Opiniões

  1. HENRIQUE O MOTTA disse:

    Nada de novo no posicionamento do “Independent” e do “Le Monde” ambos jornais de extrema esquerda nos seus respectivos países. Preocupem-se com os problemas dos seus próprios governos que dos nossos cuidamos nós. Critiquem o sistema implantado pelos bolivarianos na Venezuela e em outros países do continente e comparem com o que teremos no Brasil para então falarem em liberdades quer de expressão quer de pluralismo.

  2. Rene Luiz Hirschmann disse:

    Não sei se todas as traduções feitas por esses jornalistas que estão divulgando o que os jornais do mundo dizem a respeito das eleições brasileira é verdade mas com certeza esqueceram de lembrar que Bolsonaro foi esfaqueado quando pacificamente estava sendo ovacionado pelo povo, usam palavras como “populista da direita” sem saber o seu significado, no meu entendimento a mídia deveria ser menos parcial para ter maior credibilidade, até acho que o presidente americano tem razão.

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