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São Paulo

Indústrias avaliam parar produção por conta da crise hídrica

O setor prepara-se para novas restrições de consumode água nas regiões abastecidas pela Bacia do Alto Tietê

Indústrias avaliam parar produção por conta da crise hídrica
Depois de um ano e meio de crise, só agora o governador Geraldo Alckmin reconheceu oficialmente a gravidade do cenário, podendo suspender captações de água do setor privado (Foto: Pixabay)

O setor industrial de São Paulo passa por um período grave com a crise hídrica. A atividade industrial, que consome 10% da água disponibilizada na região metropolitana, foi obrigada a reduzir em 30% a captação do recurso em Campinas este mês. Agora, o setor se prepara para novas restrições nas regiões abastecidas pela Bacia do Alto Tietê.

Depois de um ano e meio de crise, só agora o governador Geraldo Alckmin reconheceu oficialmente a gravidade do cenário, podendo suspender captações de água do setor privado, tanto da agricultura como da indústria.

“Estamos chegando no fundo do poço e se os reservatórios, tanto o Alto Tietê como o Cantareira, não se recuperarem a prioridade absoluta vai ser o abastecimento humano, e aí vamos ter que parar a produção”, alerta Anicia Pio, gerente do Departamento de Meio Ambiente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

“A água captada nos rios piorou muito, a vazão se reduz e os poluentes acabam se concentrando. Temos casos de indústrias que gastam dez vezes mais do que gastavam antes para tratar essa água. A água é tão ruim que qualquer indústria precisa de um tratamento para que fique em condições, da indústria de vidros à metalúrgica”, diz Pio.

O professor José Galizia Tundisi, um dos maiores especialistas em recursos hídricos do Brasil, já demostrou preocupação quanto à crise. “A crise hídrica afeta a economia até tal ponto que têm vários bancos preocupados pelos possíveis impactos, inclusive a inadimplência. As empresas dependentes da água no seu processos produtivo podem reduzir a produção”.

“O governo declara oficialmente que existe uma crise porque a situação é de preocupação. Mas ele [o governador Geraldo Alckmin] sempre negou e passou o ano inteiro dizendo que não há racionamento. Mas da mesma forma que as pessoas ficam sem água à noite, aquela pequena indústria que depende da rede pública sofre também com esse racionamento horário”, afirma Pio “Só se fala de cortar, caçar, restringir [captações], mas qual é a contrapartida? O governo não fez as obras que devia fazer e agora nós [cidadãos e indústria] temos que pagar a conta?”.

 

Fontes:
El País-Afetadas pela escassez de água, indústrias já avaliam parar produção

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