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Inflação ultrapassa meta do governo e acumula alta de 6,59%

Alta no preço dos alimentos foi a principal responsável pelo aumento do índice de inflação

Inflação ultrapassa meta do governo e acumula alta de 6,59%
Grupo de alimentos foi responsável por 60% do aumento do índice de inflação (Reprodução/Internet)

Dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira, 10, mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 6,59% nos 12 meses encerrados em março, ficando acima do teto estabelecido pelo governo.

A meta do governo é manter o índice de inflação em 4,5% ao ano, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima e para baixo. Esta é primeira vez que o índice ultrapassa a meta desde 2011, quando atingiu 6,64%.

A alta no preço dos alimentos foi o principal fator para o aumento do índice. Entre todos os grupos analisados pelo IBGE, o de alimentos foi responsável por 60% do aumento registrado. O tomate, que vem sendo considerado o principal vilão da inflação, acumula alta de 122,13% em 12 meses. A cebola também avançou 21,43%, seguida pelo açaí 18,31% e a cenoura, que subiu 14,96%.

O IPCA de março ganhou importância desde a semana passada, quando Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, discursou na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, alertando para a importância da inflação do mês passado para os rumos da política monetária.

Fontes:
G1-Inflação oficial acumula alta de 6,59% em 12 meses, mostra IBGE
Valor-IPCA sobe 0,47% e supera teto da meta no acumulado de 12 meses

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5 Opiniões

  1. carlos a.a.gameiro disse:

    Alguem ainda acredita no índice de inflação do governo ? Em passado não muito remoto os índices eram, para não dizer manipulados, incompatíveis com a realidade. Parece que o mesmo está ocorrendo agora.

  2. Jorge Christian Rodrigues Cunha disse:

    As pessoas que foram adolescentes nas décadas de 1980 e 1990 (tenho 42 anos) lembram da hiperinflação daquela época. Nossa geração foi muito punida, muito sacrificada pela inflação, e, digo sem receio de errar, foi mesmo traumatizada. Os preços subiam vertiginosamente; os salários também subiam, mas de forma muito mais modesta. Com isso, o poder aquisitivo do trabalhador, já bastante combalido, sofria constante desgaste. A inflação, herança mórbida da ditadura militar, deu ao país o câncer de renda mais concentrada do mundo. Muito da nossa desigualdade interna se deve à inflação daquele tempo.

    Quem tem a nossa idade lembra: a senha para a subida dos preços era o reajuste da gasolina. Subia a gasolina, como que por mágica subia tudo. Ao final do governo José Sarney a situação havia saído do controle: inflação de mais de 80% ao mês. Um produto custava um preço na segunda-feira, e outro na quarta. Algo inimaginável para os jovens dos nossos dias. Nem é necessário dizer o estrago que isso produziu no tecido social, com aumento da miséria, da fome, das dificuldades de todo tipo, com aumento da desesperança. As famílias brasileiras passaram por sérias privações nessa época, enquanto que a ciranda financeira gerava fortunas, concentrando quase toda a riqueza da sociedade em pouquíssimas mãos.

    Agora, como que um fantasma vindo de além-túmulo para assombrar os brasileiros, a inflação começa a bater à nossa porta. De modo muito preocupante, diga-se. Mas a maior arma para combatê-la está na mão do próprio cidadão: é a recusa do produto que subiu de preço. Subiu, não compramos. Ponto. Acreditem, quem conheceu o dragão da inflação não sente saudades; quem não conheceu, não vai gostar de vê-lo.

  3. helo disse:

    Jorge Christian,
    Ótimo o seu comentário, definição perfeita do que é inflação, descrição exata do que vivemos nos 80 e 90.
    Esse dragão, como diz tão bem, mata sonhos, causa miséria, desigualdade e é implacável com os mais pobres. Fazer contas e memorizar preços era realmente uma tortura. Acostumada a me considerar eficiente, não consegui ser uma boa fiscal do Sarney. Adquiri um trauma aritmético, uma incapacidade de avaliar qual produto subia de preço tantas eram as remarcações.
    A estabilidade foi uma conquista histórica que diminuiu a desigualdade e a miséria, curou traumas, devolveu sonhos, multiplicou o tempo. Vivemos o seus efeitos nos anos Lula. Pena que o atual governo não cuidou dela e nem lhe deu a importância mais que merecida. Assustador o que diz Gameiro: a inflação não só voltou mas com seus índices manipulados.

  4. celso disse:

    Somente temos que ter cuidado para não sermos convencidos que a única ferramenta para baixar a inflação seja o aumento da taxa Selic. Não sou economista, mas canso de ver entrevistas no Brasil de estrangeiros, que dizem não entender por que nossos juros são tão elevados. E no exterior todos os economistas são unânimes em afirmar que taxas acima de 6/7% são inviáveis a longo prazo. Estes comentários surgiram quando a Espanha, Grécia e Itália começaram a pagar juros nestes níveis e olhe que a frágilidade da economia deles é preocupante.

  5. celso disse:

    Como a inflação está baixando, esperamos que a selic baixe na próxima reunião do Copom.

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