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VAZA JATO

Intercept divulga o 1º áudio atribuído a Dallagnol

No áudio, Dallagnol celebra a liminar que proibiu a entrevista de Lula. Glenn Greenwald diz esperar que o conteúdo encerre a discussão sobre a autenticidade do material

Intercept divulga o 1º áudio atribuído a Dallagnol
Mensagem de áudio foi enviada no dia 28 de setembro de 2018 (Foto: Rodrigues Pozzebom/ABr)

O site The Intercept divulgou o primeiro áudio da série de reportagens intitulada Vaza Jato na última terça-feira, 9. O áudio é atribuído ao procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa da Operação Lava Jato.

Em mensagem de áudio, trocada por meio do aplicativo Telegram, Dallagnol aparece se dirigindo a outros procuradores para celebrar a decisão do ministro Luis Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia concedido uma liminar suspendendo a decisão do ministro Ricardo Lewandowski que autorizava o ex-presidente Lula a conceder entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

A mensagem de áudio foi enviada no dia 28 de setembro de 2018. Na manhã daquele dia correu nos noticiários a informação de que Lewandowski havia concedido a liminar autorizando a jornalista Monica Bergamo, da Folha, a entrevistar Lula. A notícia movimentou grupos de procuradores, que, através em conversas por meio do Telegram, passaram a criticar a decisão do ministro.

Segundo o Intercept, doze horas mais tarde, Fux concedeu a liminar suspendendo a decisão de Lewandowski. A notícia foi repassada aos procuradores em uma mensagem de áudio compartilhada por Dallagnol, que pediu sigilo em torno da informação.

“Caros, o Fux deu uma liminar suspendendo a decisão do Lewandowski que autorizava a entrevista dizendo que vai ter que esperar a decisão do plenário. Agora, não vamos alardear isso aí. Não vamos falar para ninguém, para evitar a divulgação o quanto for possível. Porque quanto antes divulgar isso, antes vai ter recurso do outro lado. O pessoal  pediu pra gente não comentar aí publicamente e deixar que a notícia surja por outros canais pra evitar recurso de quem tem uma posição contrária à nossa. Mas a notícia é boa pra terminar bem a semana. Depois de tantas coisas ruins e começar bem o final de semana”, diz o áudio.

O áudio foi divulgado na data em que a série de reportagens completou um mês. O conteúdo não traz novidade em relação à atuação de Dallagnol e de outros procuradores em mensagens divulgadas em outros textos da série de reportagens. Porém, a divulgação visa encerrar as acusações de que o conteúdo é fruto de edição ou adulteração.

Foi o que comentou o jornalista Glenn Greenwald, do Intercept, ao postar a reportagem em sua conta no Twitter. “Será que Deltan – cuja voz é distinta e reconhecível – vai negar que essa é sua voz? Isso deve encerrar para sempre, para qualquer pessoa razoável, o jogo cínico que Moro e Deltan têm usado para evitar a responsabilidade usando insinuações sobre a autenticidade desse material”, escreveu o jornalista.

Greenwald disse ainda que o conteúdo destaca que Dallagnol tinha acesso secreto e prévio a decisões de Fux e agiu para ocultar a concessão da liminar de forma a impedir que Folha recorresse.

Desde que a série de reportagens do Intercept teve início, já foram reveladas conversas que apontam parcialidade e conduta irregular de procuradores da força tarefa da Lava Jato e do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

As conversas vazadas apontam que moro atuava como coordenador de fato da Lava Jato, contrariando a legislação que determina que o juiz responsável por um processo deve manter a equidistância entre as partes de forma a garantir um julgamento isento.

Nas mensagens divulgadas pelo Intercept, Moro aparece orientando a força tarefa, cobrando novas operações, sugerindo a troca de fases da Lava Jato, oferecendo dicas sobre testemunhas, propondo ações contra a defesa de Lula, se posicionando contra o envio de uma ação contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por medo de “melindrar alguém cujo apoio é importante” e contra o fechamento de uma delação premiada do deputado cassado Eduardo Cunha.

Desde que as mensagens vieram à tona, Moro e Dallagnol têm permanecido na defensiva. Moro diz não reconhecer a autenticidade dos diálogos, mas deu afirmações contraditórias sobre o conteúdo. A princípio, ele disse que o material não atestava conduta ilegal e que algumas orientações a procuradores foram fruto de “descuido”. Conforme as mensagens continuaram a ser publicadas, o ministro passou a questionar a veracidade do material e a insinuar que o conteúdo poderia ter sido alterado.           

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3 Opiniões

  1. Henrique Oswaldo Motta disse:

    O Sr. Greenwald acha que a “sua verdade” pode e deve ser aturada e aceita por todos. Bem, não é. TODO E QUALQUER MORTAL comemora vitórias. Os advogados do Sr. Luiz Inácio com certeza comemoraram a estapafúrdia decisão do Sr. Lewandowski quando deferiu em liminar a entrevista que seria dada a um órgão de imprensa estrangeira e lamentaram quando esta foi cassada por decisão do Fux. A ser verdadeiro o áudio (o que não quer dizer que seja, nem que tampouco o sejam as mensagens divulgadas, tudo ilicitamente obtido) este nada traz senão a legítima manifestação de um operador do direito pelo sucesso em medida judicial proposta. O fato de ser Procurador da República, funcionário público, não tira do Sr. Dallagnol o direito de comemorar a vitória. Se tal lhe remete à interferência política, dispiciendo dizer que o que o seu pretenso veículo de comunicação faz é exatamente interferência política num país que não é o seu o que, francamente, eu considero lamentável. Volte para os EUA e atormente o Trump. Da nossa política cuidamos nós e por certo não precisamos nem queremos a ajuda de pessoas como o senhor, que parece ter interesses pessoais em denegrir a imagem do país e daqueles que trabalham para torná-lo melhor. Cabe aqui, para terminar, a famosa expressão: “Yankee go home …” ainda que o Sr. Greenwald não seja originário da Nova Inglaterra …

  2. Rene Luiz Hirschmann disse:

    Esse Sr.Glenn Greenwald nem brasileiro é, não consigo entender quais são seus objetivos, deve estar ganhando alguma coisa grande por traz.

  3. Roberto Henry Ebelt disse:

    Quem não comemorou? Isso nem é notícia…

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