Início » Brasil » Intervenção do governo na Petrobras trava setor aéreo do Brasil, diz FT
preço dos combustíveis

Intervenção do governo na Petrobras trava setor aéreo do Brasil, diz FT

Jornal 'Financial Times' diz que a política de preços imposta à estatal tornou o combustível de avião do Brasil o 2º mais caro do mundo, impedindo a redução nos preços das passagens aéreas

Intervenção do governo na Petrobras trava setor aéreo do Brasil, diz FT
O preço do combustível representa 40% do custo operacional das empresas aéreas brasileiras (Reprodução/Internet)

Uma reportagem publicada nesta segunda-feira, 13, no jornal Financial Times, alerta para o impacto da política de controle de preços de combustíveis do governo sobre o setor de aviação comercial brasileiro.

Segundo o jornal, o Brasil tem o terceiro maior mercado doméstico de aviação, e o setor é um elemento-chave para o crescimento do país.

Em entrevista ao FT, o chefe da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) disse que o preço do combustível impede a redução dos preços das passagens aéreas no Brasil. “O combustível para avião no Brasil passou a ser o segundo mais caro do mundo, atrás apenas do vendido na República do Malawi, na África, tornando impossível para as empresas aéreas reduzir o preço das passagens”.

Segundo, Sanovicz o preço do combustível representa 40% do custo operacional das empresas aéreas brasileiras. O percentual é superior à média global de 30%. “Essa é uma barreira a ser superada para que o setor de aviação nacional aumente o número de passageiros em voos domésticos, atualmente em 111 milhões”.

Segundo, Sanovicz o preço do combustível de avião no Brasil é tão caro porque a Petrobras precisa pagar uma alta taxa de importação, mesmo refinando 75% do combustível no Brasil.

“A estrutura de preços imposta pelo governo à Petrobras faz parecer que a estatal importa 100% do combustível”, diz Hemant Mistry, chefe da Associação Internacional de Transportes Aéreos.

Segundo o jornal, o governo brasileiro obriga a Petrobras a subsidiar gasolina e diesel vendidos no país. A reportagem diz que essa medida coloca a divisão de refino da estatal sob uma grande pressão financeira. “Esse subsídio, uma medida artificial para conter a inflação, custou à divisão de refino da empresa US$ 6 bilhões somente no primeiro semestre deste ano”, diz o texto.

Fontes:
Financial Times-Petrobras blamed for stalling Brazilian airline growth

1 Opinião

  1. André Luiz D. Queiroz disse:

    E pra piorar esse cenário, a PETROBRAS ainda detém, ‘de facto’, o monopólio do fornecimento do combustível de aviação no Brasil. É possível importar o QAV, mas não é economicamente viável. E as cias. de aviação não conseguem negociar com a PETROBRAS o preço ex-refinaria do combustível. Elas negociam somente com as distribuidoras (que fazem o serviço de abastecimento nos aeroportos) o diferencia cobrado pelo abastecimento. Soma-se a isso 1,1% sobre o ex-refinaria como ‘taxa de arrendamento variável’ para a INFRAERO, e, no caso dos abastecimentos nacionais, o ICMS — que gera uma bela guerra tributária entre os Estados!
    Tocar uma cia. aérea no Brasil é negócio pra herói! Aliás, tocar qualquer negócio nesse país de ‘custo Brasil’ é coisa pra heróis!!

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *