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CRIMINALIDADE

Intervenção no Rio: Exército perde território para o PCC

O Primeiro Comando da Capital (PCC), violenta facção criminosa nascida em São Paulo, acaba de invadir o território fluminense

Intervenção no Rio: Exército perde território para o PCC
O PCC tomou o controle da favela da Rocinha, um dos principais entrepostos de drogas do Rio (Foto: ABr)

Em meio a uma açodada intervenção federal de efeitos mais midiáticos e eleitoreiros do que práticos e a uma dança das cadeiras na Polícia Federal – que acabou premiando um estabanado diretor com um cargo em Roma -, o Rio de Janeiro acaba de receber a pior das notícias. O Primeiro Comando da Capital (PCC), violenta facção criminosa nascida em São Paulo, acaba de invadir o importante território fluminense ao tomar um de seus principais entrepostos de drogas: a favela da Rocinha.

Enquanto as patentes mais altas do Comando Militar do Leste (CML) dão mostras de jamais ter lido o milenar livro “Arte da Guerra” – escrito pelo general chinês Sun Tzu, com suas estratégias militares -, a facção ocupou a gigantesca comunidade sem dar um único tiro – com um simples movimento no tabuleiro de um intrincado e marginal jogo de xadrez. Tudo aconteceu quando o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, virou a casaca – como se diz na gíria do futebol – ao promover a aliança entre a facção Amigos dos Amigos (ADA) e o PCC.

Enquanto o porta-voz do CML se nega a comentar essa infiltração em suas trincheiras, é certo que tal movimento é um golpe na tentativa de reduzir a violência carioca, no primeiro momento, e fluminense, no curto prazo. O mais preocupante é que Nem está preso no estado de Rondônia, distante pelo menos 3.400 km do campo de batalha. O controle é remoto. Nada poderia ser pior para a estratégia militar, nascida da impulsividade do presidente Michel Temer ao ver cair por terra sua reforma da Previdência. Em tempo: a mão armada do PCC é a mesma que corrompe autoridades e mata policiais sem dó nem piedade.

Como no jogo War, objetivo é conquistar territórios

O cenário de violência a se estabelecer na Rocinha se torna ainda mais explosivo com a divisão de forças do submundo. Isso porque o PCC – armado de fuzis até os dentes – vai encontrar ali a resistência dos inimigos do Comando Vermelho (CV). É um barril de pólvora. Nitroglicerina e adrenalina como no joguinho de War da fábrica de brinquedos Grow. Ao anunciar a ocupação militar no Rio há alguns dias, Governo e Exército não contavam com esta ousada investida do crime que tem, como estratégia, estender sua atuação para outras favelas – a começar pelos vizinhos do Vidigal. Temer terá saudades dos problemas que enfrentaria para aprovar a reforma previdenciária.

Muito já se disse que o presidente da República receberia os louros do sucesso da intervenção e que transferiria o eventual fracasso para as gandolas militares. Antes mesmo da efetividade da ação do Exército no Rio, Temer já acende holofotes para temas menos espinhosos como a expansão do PIB em 2017 ou sua possível candidatura à reeleição – que nega ainda com certa veemência.

Depois de insistir por meses em retirar direitos previdenciários dos trabalhadores, Temer resolveu mudar sua trajetória em direção à História. Quer entrar para os livros didáticos do futuro como um dos grandes presidentes deste país, mesmo que faltem exemplos a serem enumerados para uma boa “decoreba”, até porque o país anda carente de nomes ou lideranças. Para tanto, ele mudou a pauta para temas de maior apelo como a retomada do crescimento econômico e o combate à violência. Deve cruzar os dedos para que pelo menos um dos dois assuntos renda bons frutos.

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11 Opiniões

  1. Rogerio Faria disse:

    O Brasil de uma reengenharia.

  2. douglas disse:

    O temer é outro bandido safado,fez acordo com o pcc aqui em sp, e ta fazendo joguinho sujo no rio, se ele quer ser correto entra numa cela e se prende, pra dar exemplo

  3. Carlos Valoir Simões disse:

    Os generais tem que tomar muito cuidado para o Exército Brasileiro não sair desmoralizado dessa incursão carioca, não que ele não possa sozinho acabar com a criminalidade, ele pode, e aí é que reside o problema.

  4. oliveira disse:

    exercito brasileiro estar sucatiado.

  5. oliveira disse:

    sou ex. militar e exercito estar sucatiado.

  6. Carlos disse:

    Na sua noticia o PCC equivale à Guerra Civil e o Exército ao povo brasileiro.

  7. Laércio disse:

    PCC, CV, etc, não significam nada sem o atual apoio do governo!

    Se houvessem leis para proteger policiais e população e prisão perpétua para criminosa não haveria a gama de problemas que hoje se apresenta.

    Infelizmente o Brasil hoje é algo explosivo: a soma de uma mídia “comunista”, uma população hiper ignorante mais uma constituição absurdamente falha, levam o Brasil a total inversão de valores; o incentivo ao consumo de drogas, prostituição e atentados de todos os tipos, entram em nossas casas todos os dias por meio de uma mídia cheia de fome por dinheiro que atenderá as necessidades luxuriosas dia chamados especialistas que ganham espaço na TV

  8. Ronaldo disse:

    Com todo respeito a opiniões contrarias, mas, pelo andar da carruagem, nada do que esta acontecendo no Rio de Janeiro irá ser reduzido ou acabar, somente Deus, com muitas orações e rezas poderá por fim a essa Guerra Urbana, onde muitos perecerão.
    que Deus guarde os valentes soldados do Exército Brasileiro.

  9. Flavio disse:

    Eu acredito que isso já fosse uma hipótese pensada.
    O exército, com tao pouco tempo, atendendo ao chamado de urgência (como vc tão bem justifica), pudesse ter feito uma avaliação atualizada da situação do Rio. Foi midiática sim.
    Agora vão ter que reaprender o jogo.

  10. Beta disse:

    Não vejo solução. Infelizmente, o Rio criou essa situação absurda de convivência com o crime organizado.

  11. André Vinícius Vieites disse:

    Entre a razão e a ação policial, existe a bandidagem e os valores de poucos investimentos e enormes prejuízos, esses estão excluindo a possível economia turística carioca, que impulsionava os grandes negócios de varejo e supermercados dentro do contexto de viagens, um dos primeiros nomes que víamos uns 7 anos atrás, era o do Rio de Janeiro, agora estamos vendo em 2018 o Rio de Janeiro como uma das últimas opções em turismo econômico e de negócios. Sem perspectivas de melhora, o Rio de Janeiro vai perdendo investimentos aproximados de R$900.000,00 a cada trimestre posteriores a intervenção republicana no Rio. No Brasil ou mesmo, no resto do mundo, o crime organizado é bem organizado mesmo, o fenômeno da violência e as reflexões de seus efeitos, tem se comportado como uma epidemia mundial, tomando característica peculiar a cada região em especial no Rio de Janeiro e o grau de intensidade só aumentando, de acordo a cada país, gerando sérias preocupações aos Governos, me parece perdida a sustentabilidade de business no Rio de Janeiro. Assim, o nível de acuidade de violência, segundo dados estatísticos, se encontra onde prevalece a situação de pobreza, acarretando nas pessoas um sentimento de insegurança cada vez maior e de impotência face ao quadro retratado pelo crescimento do crime. O crime espantou boa parte de investimentos turísticos cariocas, principalmente no turismo de negócios. Os maiores pensadores que eu vi sobre esse assunto são Safatle e Pondé, eu concordo plenamente, o Rio de Janeiro é quase um “business place” inseguro, descartável, abominável e esquecido.

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