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EMBAIXADOR REJEITADO

Israel alerta para deterioração dos laços diplomáticos com o Brasil

Segundo o governo israelense, relações entre os dois países estão ameaçadas, caso o Brasil não aceite o embaixador indicado por Israel

Israel alerta para deterioração dos laços diplomáticos com o Brasil
Itamaraty se recusa a aceitar ativista pró-assentamentos judeus como embaixador (Foto: Flickr/Ruy Barbosa Pinto)

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A relutância do Brasil em aceitar o embaixador designado por Israel, Dani Dayan, põe em xeque as relações entre os dois países. Nascido na Argentina, Dayan é ex-líder ativista de um assentamento judaico e foi indicado meses atrás.

No entanto, a posição do governo brasileiro contra a política de assentamentos de Israel torna inviável a aceitação de Dayan. No último domingo, 27, a ministra adjunta das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Hotovely, afirmou que Dayan continuará sendo o único indicado do país e que a recusa pode ter implicações nas relações bilaterais.

Leia mais: Itamaraty trava aceitação de embaixador enviado por Israel

“O Estado de Israel vai levar as relações diplomáticas com o Brasil a outro nível se a aceitação de Dayan não for confirmada”, disse Tzipi, em entrevista à emissora de TV israelense Channel 10. Segundo a ministra, o país vai pleitear a aceitação de Dayan recorrendo à comunidade judaica brasileira, a conselheiros da presidente Dilma Rousseff e a apelos diretos do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Dayan também veio a público defender sua indicação, afirmando à imprensa israelense que o governo de seu país não está fazendo o bastante para pressionar o Brasil a aceitá-lo. Segundo Dayan, se não tomar uma atitude, Israel pode abrir um precedente que impedirá colonos como ele de representar o país no exterior.

O governo brasileiro não comentou as declarações de Tzipi e Dayan. Porém, em condição de anonimato, um parlamentar brasileiro falou à Reuters que a indicação não será aceita. “Não vejo isso acontecendo”, disse o parlamentar.

O fato de Dayan ser um colono ativista não é o único motivo para a recusa. Netanyau já anunciou no Twitter Dayan como novo embaixador do país no Brasil, antes que a indicação fosse aceita pelo governo brasileiro, o que desagradou o Itamaraty. O protocolo diplomático prevê que o anúncio oficial somente seja feito após a aceitação.

O porta-voz do Ministério das Relações israelense, Emmanuel Nahshon, afirmou que os laços entre os dois países são “bons e importantes”, lembrando que Israel abriu, recentemente, um novo consulado no país e indicando as possibilidades de negócios para Israel em áreas de segurança que serão abertas com as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Israel também tem um papel crucial no fornecimento de tecnologia para o setor aéreo e de defesa brasileiro. Na última sexta-feira, 25, o ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o impasse gerado por Dayan mostra que “está na hora das Forças Armadas do Brasil reduzirem sua dependência de Israel”.

Histórico de impasses diplomáticos

As relações diplomáticas entre Brasil e Israel começaram a se deteriorar no segundo mandato do governo Lula, quando o Brasil começou a se aproximar do Irã. As coisas pioraram em 2010, quando o Brasil reconheceu o Estado da Palestina com as fronteiras traçadas em 1967, que incluem Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, territórios posteriormente tomados por Israel. Em 2005, o governo israelense afirmou que qualquer acordo de paz entre Israel e Palestina terá de prever Jerusalém como indivisível e manter os assentamentos judeus na Cisjordânia.

No ano passado, Israel chamou o Brasil de “anão diplomático” após o país convocar seu embaixador em Tel Aviv em represália ao que o governo brasileiro classificou de “inaceitável escalada de violência” gerada por uma ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

Fontes:
The New York Times-Israel Presses Brazil to Accept Pro-Settler Envoy

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5 Opiniões

  1. Roberto1776 disse:

    Uma vez ANÃO DIPLOMÁTICO, o Brasil dificilmente deixará de ser. Principalmente sob o tacão petista. Azar do Brasil. Israel, felizmente, não necessita de nós.

  2. Ludwig Von Drake disse:

    O governo brasileiro não consegue assentar o MST e está preocupado com os assentamentos judaicos. Lembro o Barão de Itararé que dizia: “de onde menos se espera é que não sai nada mesmo”.

  3. Beraldo disse:

    Israel, desde a sua criação, foi e continua sendo um grande investimento geo-político dos EEUU na conturbada região do Oriente Médio. Apenas por isso é a maior potência bélica nuclear da região e, “do alto desta posição”, não respeita nem mesmo decisões da ONU. No caso em questão. a decisão diplomática anã foi a de Israel, que nomeou um Embaixador sem consultar o Brasil. Por outro lado, não é razoável imaginar que o Brasil dependa só de Israel para o fornecimento de qualquer tipo de tecnologia.

  4. André Luiz D. Queiroz disse:

    Pergunto: qual país nomeia seus diplomatas mediante ‘consulta prévia’ do país para onde são designados?…
    De resto, o Brasil depende, e muito!, de empresas israelenses para fornecimento de várias tecnologias sensíveis, mormente na esfera de defesa. Além disso, temos um grande e influente comunidade judaica brasileira! Pra quê o governo vai ficar procurando cabelo em casca de ovo?! Ganha-se o quê com isso?!…

  5. Beraldo disse:

    Todos. É uma atitude diplomática.

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