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RUÍDO NA RELAÇÃO

Israelenses condenam fala de Bolsonaro sobre perdoar o Holocausto

Centro de memória israelense e presidente de Israel criticam declaração do presidente dada em evento com evangélicos no Rio

Israelenses condenam fala de Bolsonaro sobre perdoar o Holocausto
‘Nós podemos perdoar, mas não podemos esquecer’, disse o presidente (Foto: Valter Campanato/ABr)

A declaração do presidente Jair Bolsonaro de que os crimes do Holocausto podem ser perdoados gerou reação em Israel, país recentemente visitado pelo presidente e com o qual o governo brasileiro vem estreitando laços.

Na última quinta-feira, 11, em um evento com evangélicos no Rio de Janeiro, Bolsonaro disse que se pode “perdoar, mas não esquecer” o Holocausto.

“Fui, mais uma vez, ao Museu do Holocausto. Nós podemos perdoar, mas não podemos esquecer. E é minha essa frase: Quem esquece seu passado está condenado a não ter futuro. Se não queremos repetir a história que não foi boa, vamos evitar com ações e atos para que ela não se repita daquela forma”, disse o presidente brasileiro.

Em Israel, a fala do presidente brasileiro foi recebida com indignação por aqueles que consideram que o extermínio de cerca de 6 milhões de pessoas pelo nazismo seja algo passível de perdão.

No último sábado, 13, o museu Yad Vashem, em Jerusalém, divulgou um comunicado criticando a afirmação. O museu, que se dedica à memória do Holocausto e a homenagear as vítimas e aqueles que combateram o genocídio de judeus, afirmou que ninguém tem o direito de “determinar se crimes hediondos do Holocausto podem ser perdoados”.

“Desde a sua criação, o Yad Vashem tem trabalhado para manter a lembrança do Holocausto viva e relevante para o povo judeu e a toda humanidade. Não concordamos com a fala do presidente brasileiro de que o Holocausto pode ser perdoado. Não é direito de nenhuma pessoa determinar se crimes hediondos do Holocausto podem ser perdoados”, disse o comunicado, segundo informou a agência de notícias alemã Deutsche Welle.

Outro que se manifestou sobre a declaração foi o presidente de Israel, Reuven Rivlin. No sábado, sem citar diretamente Bolsonaro, Rivlin disse que o povo de Israel sempre irá se opor “àqueles que negam a verdade ou aos que desejam expurgar nossa memória”.

“Sempre vamos nos opor àqueles que negam a verdade ou aos que desejam expurgar nossa memória — indivíduos ou grupos, líderes de partidos ou premiês. Nós nunca vamos perdoar nem esquecer. O povo judeu sempre vai lutar contra o antissemitismo e a xenofobia. Líderes políticos são responsáveis por moldar o futuro. Historiadores descrevem o passado e investigam o que aconteceu. Nenhuma das partes deveria entrar em território da outra”, escreveu Rivlin.

O ruído na relação com Israel não foi o único experimentado por Bolsonaro em relação a aliados. Na quinta-feira, o Museu Americano de História Natural, em Nova York, admitiu estar estudando alternativas para o evento que vai homenagear o presidente do Brasil.

A homenagem em questão é a premiação de Pessoa do Ano, feita pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, que foi anunciada no último mês de fevereiro, e está prevista para maio.

O museu americano, que é dedicado à natureza e ciências, tem recebido críticas por permitir a realização da solenidade. Pelas redes sociais, o museu se explicou.

“O evento externo e privado no qual o atual presidente do Brasil deve ser homenageado foi reservado no Museu antes do homenageado ser garantido. Estamos profundamente preocupados, e estamos explorando nossas opções”, escreveu o Museu.

Além do museu, o prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio, também criticou a homenagem, citando o risco que Bolsonaro oferece a Amazônia e relembrando que ele é “a pessoa com maior poder de impacto” na região.

“Se você está falando de uma instituição apoiada publicamente e está falando sobre alguém que está fazendo algo tangivelmente destrutivo, fico desconfortável com isso, e eu certamente pedirei ao museu que não permita que ele seja hospedado lá”, disse o prefeito, em entrevista à rádio WNYC.

Já no cenário interno, o ruído na relação foi com o mercado financeiro. Isso porque, também na quinta-feira, o presidente surpreendeu setores econômicos ao intervir na Petrobras para vetar um reajuste de 5,7% no diesel.

Anunciado pela Petrobras na quinta-feira, o reajuste foi vetado por Bolsonaro, que ligou para o presidente da empresa, Roberto Castello Branco, determinando que ele suspendesse a medida. A ação de Bolsonaro tinha como objetivo arrefecer os ânimos entre caminhoneiros, que cogitam uma nova paralisação.

A categoria celebrou a intervenção. Já para o mercado financeiro, Bolsonaro “dilmou”. A decepção foi temperada pelo fato de que o presidente brasileiro tinha justamente como uma das bandeiras de campanha a não intervenção na política de preços da Petrobras.

“Bolsonaro está fazendo exatamente o populismo perigoso que Dilma fez, e isso é uma afronta às regras de governança e compliance da empresa. Se quer questionar a política, que se manifeste através do conselho de administração, mas quem decide preço é a diretoria executiva, e não o presidente da República”, disse uma fonte ouvida pela Reuters.

Diante da repercussão do veto ao reajuste, Bolsonaro se manifestou, durante um evento em Macapá.

“Não sou economista, já falei que não entendia de economia, quem entendia afundou o Brasil, tá certo? Estou preocupado também com o transporte de cargas no Brasil, com os caminhoneiros. São pessoas que realmente movimentam as riquezas, de norte a sul, leste a oeste e que têm que ser tratados com devido carinho e consideração. Nós queremos um preço justo para o óleo diesel”, disse Bolsonaro.

De fato, Bolsonaro afirmou inúmeras vezes em campanha não entender de economia, apontando que para isso escalou Paulo Guedes para seu governo.

O fim da ingerência na política de preços – uma agenda adotada pelo governo Dilma que trouxe prejuízos à Petrobras – foi crucial na recuperação da empresa. Porém, a ação do governo trouxe incerteza e receio em relação ao retorno da política de represamento de preços.

Logo após o anúncio, segundo noticiou o jornal Valor Econômico, a Petrobras registrou uma perda de valor de mercado de R$ 32,4 bilhões, o que gerou à empresa seu pior pregão em um ano. A queda afetou a bolsa como um todo, com o Ibovespa registrando uma queda de 1,98%, caindo do patamar de 97 mil pontos para 92 mil pontos.

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7 Opiniões

  1. Almanakut Brasil disse:

    Criminalizar o Nazismo e não comunismo é como perdoar figurativamente.

  2. Marcelo disse:

    Só mesmo o Bolsolixo para falar uma barbaridade dessas!

  3. DINARTE DA COSTA PASSOS disse:

    Já está se queimando com os judeus que lhe apoiaram. Primeiro foi prometer a mudança da embaixada brasileira para Jerusalém e depois adiar a promessa que nunca vai se cumprir. Se queimou com os árabes durante a campanha política e a gora quer recuperar, mas os árabes não confiam nele.

    Este presidente é o cúmulo da burrice! Não sabe se relacionar com estadistas. Não sabe se relacionar com o Congresso. Com 100 dias de governo é o mais impopular da História do Brasil. Espere para ver o que esta topeira fará de desgraça tanto na política interna quando na política externa.

    O erro é de quém? Os que votaram nele sabiam que tinha sido aposentado por insanidade mental, mas mesmo assim acharam que era o “Messias”, o enviado dos céus para salvar o bando de jumento. E só o começo muitas coisas piores virão até ao impeachment deste cara.

  4. Célia Regina de Moraes disse:

    Difícil agradar gregos e troianos, né? Bom mesmo era o Lula e a Dilma que enfiava dinheiro no rabo de todo mundo e marinha a oposição cúmplice e calada!

  5. Pesali disse:

    o cara falou sobre o perdão Cristão, não esquecer as atrocidades do holocausto. Ou é Cristão ou não

  6. Renato Cesar disse:

    Ué! Mas o povo alemão não foi perdoado??? Houve o crime e os nazistas (e os comunistas) genocidas, foram julgados e condenados, o povo alemão foi perdoado e vida que segue. É isso que o Presidente Bolsonaro quis dizer, mas o animus esquerdopata é intolerante e sofre de surdez, cegueira e amnésia seletiva.

  7. Alex disse:

    O cristianismo prega que se deve perdoar à todos. A maioria de sobreviventes e soldados de Hitler já morreu…
    E como foi dito, perdoar não é esquecer.

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