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Jânio Quadros é eleito prefeito de São Paulo

No dia 24 de março de 1953, Quadros, um dos políticos mais emblemáticos do Brasil, é eleito prefeito da cidade onde cresceu

Jânio Quadros é eleito prefeito de São Paulo
Jânio Quadro durante campanha eleitoral em 1960 (Reprodução/Internet)

O político brasileiro Jânio da Silva Quadros, lembrado pelo slogan “varre varre vassourinha, varre varre a bandalheira”, renunciou à presidência do Brasil após sete meses no cargo. Antes de se eleger presidente, no dia 24 de março de 1953 ele conquistou a prefeitura de São Paulo, cidade onde cresceu.

Em 1953, na primeira campanha eleitoral para a prefeitura de São Paulo desde a Revolução de 1930, Jânio venceu por larga margem, usando o slogan que o levaria até a presidência para “varrer” a corrupção do Brasil. Em 1954, abdicou do cargo para candidatar-se a governador do estado de São Paulo. No ano seguinte, tomou posse. Seu mandato foi marcado pelo combate à corrupção e a moralização do serviço público.

O político e ex-presidente nasceu em Campo Grande — então estado de Mato Grosso e atual capital do Mato Grosso do Sul — no dia 25 de janeiro de 1917. Criado no bairro da Vila Maria, Jânio ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo em 1935. Concorreu a vereador nas eleições de 1947, mas não foi eleito. Com a suspensão do registro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a cassação dos mandatos de seus parlamentares, Jânio ingressou na Câmara como suplente em 1948. Começou mesmo sua carreira política em 1950, quando foi eleito deputado estadual, apenas três anos antes de vir a se tornar prefeito.

Em 1959, um grupo reuniu-se na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) no Rio de Janeiro e fundou o Movimento Popular Jânio Quadros (MPJQ), lançando a candidatura do político à presidência da República. Em três de outubro de 1960, Jânio venceu as eleições e João Goulart foi eleito vice-presidente.

Legado como presidente

Jânio desenvolveu uma política interna considerada conservadora e aceita pelos Estados Unidos. Já no plano externo, exerceu uma política independente e aberta a relações com todos os países do mundo, o que provocou protestos de vários setores que o apoiavam. Recebeu no palácio do Planalto a primeira missão comercial da República Popular da China enviada ao Brasil e uma missão soviética, também para incrementar o intercâmbio comercial entre os dois países.

No encontro com Ernesto Che Guevara, ex-guerrilheiro e ministro da Economia de Cuba, Jânio pediu a libertação de 20 padres presos em Cuba e obteve êxito. Em contrapartida, condecorou Che com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, o que repercutiu negativamente entre os mais conservadores.

Em 25 de agosto de 1961, Jânio renunciou abruptamente à presidência. Os militares e a igreja católica não aceitavam que seu vice João Goulart assumisse, com medo de ele querer implantar uma ditadura no estilo de Getúlio Vargas,  ou pior, uma ditadura socialista. O Congresso votou às pressas uma mudança na Constituição pela qual o Brasil passava a ser uma República Parlamentarista, na qual o presidente é subordinado ao primeiro-ministro, escolhido pelo Congresso. Goulart assumiu e algum tempo depois propôs um plebiscito para que o povo escolhesse entre o regime parlamentarista ou presidencialista. Usando a máquina do governo para fazer propaganda, o presidencialismo ganhou com facilidade. Goulart começou aos poucos a agitar as massas, dando a impressão de que estava preparando um golpe para implantar uma ditadura. Pressionado pela classe média e pela Igreja Católica, o exército acabou dando o golpe de 1964, o que redundou em 21 anos de regime militar.

Em 1962, Jânio disputou o governo paulista, mas não foi eleito. Com o golpe militar, que derrubou o governo Goulart em 1964, Jânio teve seus direitos políticos cassados. Em 1982, concorreu ao governo de São Paulo e sofreu outra derrota. Em 1985, lançou-se candidato à prefeitura de São Paulo pelo PTB e foi eleito.

Em 1990, Jânio foi abalado pela morte de sua esposa, Eloá do Vale, com quem teve dois filhos. Seu estado de saúde agravou-se, e em 16 de fevereiro de 1992, morreu em São Paulo. Encerrou-se assim uma carreira política sem paralelo na história do Brasil: um homem que em menos de 15 anos passou de vereador a Presidente da República.

 

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2 Opiniões

  1. Regina Caldas disse:

    Jânio Quadros adotou o dramalhão em suas campanhas. Aparecia nos palanques despenteado, interrompia para comer seu sanduíche, e o seu símbolo era a vassoura, aliás sua figura estava mais para bruxa. Durante sua campanha ao governo do estado, apareceu em Piraju, e teve a ousadia de atacar o maior médico de toda a Sorocabana, Dr Luiz Ferreira de Oliveira, na ocasião candidato à prefeito da cidade, pelo PSD. Atacou o candidato gritando que ali na região existia um louco solto que precisava imediatamente ser levado para o hospício. Data deste comício a profunda antipatia que sempre nutri por Jânio Quadros.

  2. Benedito Lacerda disse:

    Além de comer o sanduíche de “mortandela”, coisa de povo, ele jogava talco nos ombros do paletó para parecer caspa.

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