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Sabatina no Senado

Janot e Collor protagonizam embate em sabatina

O senador Fernando Collor acusou o procurador Rodrigo Janot de contratações irregulares. Janot rebateu as acusações

Janot e Collor protagonizam embate em sabatina
Troca de acusações foram um dos momentos mais tensos da sabatina (Foto: ABr)

O procurador-geral da república, Rodrigo Janot, e o senador Fernando Collor protagonizaram um embate durante a sabatina de Janot na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira, 26.

Leia mais: Rodrigo Janot é sabatinado em comissão do Senado

Acusado de corrupção e lavagem de dinheiro por Janot na Operação Lava Jato, Collor foi um dos primeiros parlamentares a chegar no plenário da CCJ e fez questão de sentar bem em frente ao procurador. Três horas depois, decidiu partir para o ataque.

O senador acusou Janot de ter omitido em seu currículo que advogou para a empresa Orteng em uma ação contra a Braskem, sócia a Petrobras, quando já era subprocurador da república.

Ele também acusou Janot de contratar pela Procuradoria-Geral da República uma empresa de comunicação por cerca de R$ 940 mil. Segundo Collor, a contratação foi feita sem licitação. Ele também disse que Janot contratou, irregularmente, um membro da mesma empresa para comandar a Secretaria de Comunicação da PGR.

Collor também acusou Janot de ter alugado indevidamente um imóvel para a PGR em uma área nobre de Brasília e disse que, em 1995, o procurador escondeu em sua casa em Angra dos Reis (RJ) um parente procurado pela Interpol. Além disso, ele disse que Janot é um “vazador contumaz”.

Irritado, o procurador rebateu as acusações. Ele afirmou que o contrato com a empresa de comunicação Oficina da Palavra, citada por Collor, foi feito dentro da legalidade. Ele confirmou ter contratado o jornalista Raul Pilati para a comunicação da PGR, mas disse que o Tribunal de Contas da União (TCU) constatou a legalidade da contratação.

“Ele foi funcionário, nunca foi dono (da Oficina da Palavra). Dela se desvinculou e foi contratado para exercer o cargo. A assessoria de comunicação foi prestada por um profissional de brilhante currículo e que se ausentou em junho por deliberação própria. Se fosse por mim, permaneceria lá”, disse Janot.

Ele também confirmou que advogou para a Orteng, mas disse que não há qualquer irregularidade nisso, pois a Constituição de 1988 permite que promotores e procuradores que já atuavam no Ministério Público àquela época continuem a exercer a profissão até hoje.

Sobre o aluguel do imóvel em Brasília, Janot disse ter cancelado o contrato de locação assim que foi constatada a irregularidade no alvará do imóvel. O procurador também falou sobre o suposto parente que teria se escondido da Interpol em sua casa em Angra dos Reis.

Segundo Janot, trata-se de seu irmão, que morreu há cinco anos e era acusado de ter cometido um crime na Bélgica. O procurador, porém, disse que não atuou na defesa do parente e que não ia se aprofundar no assunto porque o irmão já morreu. “A gente deve se referir a pessoas que podem apresentar defesa. Em respeito aos mortos, meu irmão é falecido há mais de cinco anos, não participarei dessa exumação pública de um homem que não pode se defender”.

Sobre acusação de ser um “vazador contumaz”, Janot disse que é uma pessoa discreta e que não é afeito a espetáculos midiáticos. “Houve agitação grande na imprensa sobre as delações, uma especulação enorme. Alguns veículos de comunicação deram nomes da “lista de Janot”. Alguns acertaram nomes, outros erraram nomes. Não se vaza nomes que não estão na lista. Eu sou discreto, não sou um vazador contumaz”.

Janot terminou de rebater as acusações defendendo a Operação Lava Jato e dando um sermão em Collor. “Não há futuro viável se condescendermos agora com a corrupção. Não há país possível sem respeito à lei. O que tem sido chamado de espetacularização da Lava-Jato nada mais é do que a aplicação de um princípio fundamental da República: todos são iguais perante a lei. Pau que dá em Chico dá em Francisco”. Collor saiu do plenário direto para o Senado, sem falar com a imprensa.

Fontes:
O Globo-Collor questiona Janot sobre advocacia para empresa, ajuda a parente e vazamento de informações

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