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ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

João Doria em 2019?

Não é segredo que a maior parte das múltiplas viagens de Doria prepara sua candidatura à presidência da República

João Doria em 2019?
Doria afirma que se Alckmin estiver mais bem colocado nas pesquisas do que ele próprio, apoiará o atual governador (Foto: Flickr/Eder Fonseca)

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Até as eleições vamos procurar neste espaço dar notícias dos candidatos à sucessão presidencial em 2018, especialmente através de depoimentos pessoais ao vivo, sem declarar nosso voto. Assim, na última semana, o prefeito de São Paulo, João Doria Junior, visitou o Rio de Janeiro para fazer uma palestra a empresários e comerciantes da cidade.

Não é segredo que a maior parte de suas múltiplas viagens prepara sua candidatura à Presidência da República, por mais que haja idas e vindas e inúmeros conflitos dentro de seu partido, até mesmo candidatos quase oficiais, como o governador Geraldo Alckmin.

Dentro da questão partidária, Doria afirma que se Alckmin estiver mais bem colocado nas pesquisas do que ele próprio, apoiará o atual governador e não descarta sua própria candidatura ao governo de São Paulo.

Por mais que diga que é novato na política, seu currículo registra passagens como Secretário de Turismo do prefeito Mario Covas e presidente da EMBRATUR no governo Sarney, além da carreira na publicidade e televisão.

Na eleição para a prefeitura de São Paulo, em 2016, Doria teve fortes concorrentes nas prévias de seu partido para a indicação a candidato e depois enfrentou vários caciques e ex-prefeitos nas urnas populares: 45 dias antes das eleições tinha alcançado somente 2% nas pesquisas sobre intenções de votos e chegou à vitória em primeiro turno com 53%. Ou foi produto de mágica publicitária ou veio atender um anseio novo dos eleitores, a conferir.

À primeira vista, transparece que seu grande programa de governo se baseia numa extensa privatização, que incluiria até a Petrobras e os Correios, empresas ícones da administração federal. Seu discurso não é, entretanto, novo, já que segue à risca uma posição caracterizada como liberal: além de vender estatais, Doria é a favor do equilíbrio fiscal, das concessões de serviços, de leilões de imóveis públicos que só geram despesas, do fim da burocracia que gera corrupção, das reformas na economia, regras claras e segurança jurídica para os negócios.

É abertamente a favor da reforma da previdência, indicando que a medida de estabelecer idade mínima de 62 anos para as mulheres e 65 anos para os homens economizará R$ 250 bilhões e seria um começo para o governo que assumir em 2019 possa completar (ele acha que a idade mínima deveria ser igual para os gêneros…), o que deve tirar muitos votos femininos que se sintam prejudicados.

É contra a lei de estabilidade dos funcionários públicos condenados pela corrupção e na área de comércio exterior prega uma grande abertura comercial, já que o Brasil é um país que faz poucas trocas internacionais.

Na capital paulista, Doria criticou a burocracia que leva um potencial empresário a consumir mais de 100 dias para abrir uma empresa, tendo estabelecido uma meta para reduzir para 1 dia; critica a morosidade e a dificuldade de fazer obras na cidade, pois se vê impedido pelo excesso de tombamentos, já que afirma que em São Paulo até trilhos de trens perdidos são tombados.

Tem como alvo predileto o ex-presidente Lula e sugere que quem goste de bandeira vermelha vá para Cuba, já que a sua bandeira será sempre verde e amarela. Para ele, não adianta fazer o discurso de choque do capitalismo, pois não é uma linguagem que o povo entenda.

No tempo limitado da palestra, não foram apresentadas propostas específicas sobre os assuntos que mais preocupam os eleitores como segurança, saúde, educação e habitação. Será, portanto, indispensável conhecer a fundo seu programa de governo e identificar o que pensa sobre os demais temas, para não ficarmos só nas medidas de maior impacto. Doria se apresenta com bom desembaraço, possivelmente é seu próprio marqueteiro, mas também terá de lidar com o desgaste que seu partido tem sofrido nos últimos tempos, ou, até mesmo, procurar outra legenda.

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1 Opinião

  1. carlos alberto martins disse:

    o governador de são paulo déve estar pensando a respeito de Dória:até tu Brutus.pelo visto o seu partido o está apunhalando pelas costas.

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