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Joaquim Levy aceita convite para presidir o BNDES

Atual diretor financeiro do Banco Mundial, Levy é ex-ministro da Fazenda de Dilma Rousseff e ex-secretário de Fazenda de Sérgio Cabral

Joaquim Levy aceita convite para presidir o BNDES
Nome de Levy foi escolhido pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O economista Joaquim Levy aceitou o convite da equipe econômica do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL) para assumir a presidência do Banco Econômico de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A informação foi confirmada na última segunda-feira, 12, por Paulo Guedes – futuro ministro da Economia, Pasta que reunirá os ministérios da Fazenda e do Planejamento.

Atual diretor financeiro do Banco Mundial, Levy é ex-ministro da Fazenda de Dilma Rousseff e ex- secretário de Fazenda no primeiro governo de Sérgio Cabral no Estado do Rio.

Segundo informações do portal Congresso em Foco, a escolha de Levy representa uma mudança nos planos de Guedes, que inicialmente cogitou indicar seu amigo, o economista Rubem Novaes, para o cargo. Assim como Guedes e Novaes, Levy tem doutorado na Universidade de Chicago, instituição que é referência entre liberais.

A escolha de Guedes foi respaldada pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). “A equipe está sendo formada pelo Paulo Guedes. Ele que está bancando o nome Joaquim Levy. Ele tem um passado com a Dilma, sim, teve 10 meses, tem um passado no governo Cabral, mas nada tem contra sua conduta profissional. Assim sendo, eu endosso Paulo Guedes. Tá certo?”, disse Bolsonaro.

Levy foi ministro da Fazenda de Dilma, entre 1º de janeiro de 2015 e 18 de dezembro de 2015. Sua passagem pela pasta foi marcada por turbulência, gerada por ataques tanto do próprio governo quanto da oposição no Congresso.

Ele foi lançado ao posto no momento de maior crise do governo Dilma, e tinha como objetivo salvar o ajuste fiscal que tramitava no Congresso na época. Ele acabou ganhando o apelido de “mãos de tesoura”, em referência aos cortes de gastos que impunha para reduzir o déficit nas contas públicas.

Levy é contra a política anticíclica de elevar investimentos públicos como forma de amenizar os efeitos de ciclos econômicos. Durante seu tempo na Fazenda, ele defendia que somente a austeridade poderia conter o crescimento da dívida do Brasil, restaurar a credibilidade do país junto aos investidores, reduzir a inflação e evitar novos aumentos das taxas de juros.

Dentre as medidas de Levy tomadas na época para retomar a economia, está uma medida provisória (MP) que restringiu o acesso dos contribuintes ao seguro-desemprego, limitando o benefício a quem tivesse trabalhado por, pelo menos, 12 meses nos 18 meses anteriores à MP. Levy também liderou um corte de R$ 69,9 bilhões no Orçamento de 2015, cogitou aumentar o imposto de renda sobre pessoa física e o retorno do Cide (imposto sobre o preço dos combustíveis, zerado desde 2012). Ele também defendeu veementemente a mudança na política de preços da Petrobras, colocando o valor dos combustíveis de acordo com o praticado no mercado.

No final de 2015, Levy começou a sofrer intensas cobranças por resultados, o que aprofundou sua má relação com o governo. Ele chegou a cobrar apoio do governo, em um telefonema a Dilma, que acatou seu pedido e declarou apoio público a Levy na época, afirmando que o então ministro da Fazenda “não estava desgastado” nem “isolado” do governo. No entanto, a relação continuou abalada, e Levy renunciou ao cargo em dezembro, sendo substituído por Nelson Barbosa. Um mês depois, Levy assumiu o posto de diretor financeiro do Banco Mundial.

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