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ANIQUILADO PELO FOGO

Juscelino foi último presidente a visitar Museu Nacional

'Vamos ser pobres para sempre. Estamos condenados a ser o que somos', diz membro da ONG SOS Patrimônio

Juscelino foi último presidente a visitar Museu Nacional
O site do museu exibe uma fotografia da visita de Kubitschek na seção 'Personalidades' (Fonte: Reprodução/Site do Museu Nacional)

Juscelino Kubitschek foi o último presidente brasileiro a pôr os pés no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, segundo o diretor do museu, Alexander Kellner. O último nos dois sentidos, pois nem Michel Temer, nem seus sucessores poderão visitar, nem que se dignificassem, a maior parte do acervo de mais de 20 milhões de peças que foi irreparavelmente destruída no incêndio que acabou com o mais importante museu científico da América Latina, que acabara de completar 200 anos de história. Nenhuma autoridade compareceu à comemoração dos 200 anos do museu, em junho.

Juscelino, que governou o Brasil entre os anos de 1956 e 1961, esteve no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista em 1958. O site do museu aniquilado pelo fogo neste domingo, 2 de setembro, exibe uma fotografia da visita de Kubitschek na seção “Personalidades”.

Estão lá na mesma seção do site imagens de Albert Einstein em visita ao Museu Nacional e de Claude Levi-Strauss no Jardim das Princesas, onde brincava ao ar livre a princesa Isabel, e que já estava, antes do incêndio, fechado ao público por falta de condições de recebê-lo.

Albert Einstein em visita ao Museu Nacional (Fonte: Reprodução/Site do Museu Nacional)

 

Claude Levi-Strauss no Museu Nacional, no Jardim das Princesas (Fonte: Site do Museu nacional)

Há também um registro do renomado fisiologista brasileiro Álvaro Osório de Almeida ao lado do meteorito Bendegó, o maior já encontrado no Brasil. Nesta segunda, 3, imagens do Bendegó apareciam nos telejornais da manhã aparentemente intacto após o incêndio, já que, como se sabe, meteoritos são resistentes a altas temperaturas, ao contrário de múmias, fósseis de dinossauros, de Luzia, esqueleto mais antigo das Américas, e praticamente tudo mais que havia no museu.

Registro de Álvaro Osório de Almeida ao lado do meteorito Bendegó (Fonte: Reprodução/Site do Museu Nacional)

Até abril, apenas R$ 54 mil em verbas para manutenção foram repassados ao Museu Nacional em 2018. Essa verba chegou a ser de R$ 531 mil em 2013, caiu para R$ 427 mil em 2014 e despencou para R$ 257 mil em 2015, último ano completo do governo Dilma Rousseff. Em 2016 foram repassados R$ 415 mil para manutenção do Museu Nacional. No ano passado, primeiro ano de vigência da PEC do teto dos gastos públicos, o total foi de R$ 346 mil.

Manutenção de ‘personalidades’

Cada deputado do Congresso que aprovou a PEC do teto dos gastos públicos “custa” aos cofres públicos mais de R$ 2 milhões por ano. É de R$ 1 milhão a previsão de gastos do Supremo Tribunal Federal em 2018 só com manutenção da frota de carros da casa. Antes de o governo Michel Temer completar um ano, o Palácio do Planalto abriu licitação com valor previsto de R$ 1,75 milhão para abastecer o avião presidencial durante um ano com presunto de parma, queijo brie, mussarela de búfala e sorvete Häagen-Dazs.

Em entrevista ao Bom Dia Rio, da Rede Globo, na manhã desta segunda de cinzas, Marconi Andrade, da Ong SOS Patrimônio, afirmou ao vivo sobre a destruição do quinto maior acervo científico do mundo, enquanto ao fundo bombeiros faziam o trabalho de rescaldo no palácio onde em um outro 2 de setembro, de 1822, a imperatriz Leopoldina assinou a declaração de independência do Brasil; enquanto fragmentos de livros raros do Museu Nacional, transformados em fuligem, eram encontrados por estudantes no campus da também sucateada UERJ:

“Isso é um crime, e há culpados. Gasta-se dinheiro com milhões de coisas supérfluas nesse país. O país hoje perdeu uma parte de sua história que não vai ser a economia voltando a crescer, não vão ser planos econômicos… Vamos ser pobres para sempre. Nós estamos condenados a ser o que somos, porque não preservamos o nosso patrimônio, não preservamos nossa história. Não sou religioso, mas digo uma coisa de coração: amaldiçoados sejam os culpados por essa tragédia”.

Incêndio destrói o Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na zona norte da capital fluminense (Fonte: Tania Rego/Agência Brasil)

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3 Opiniões

  1. CHRISTIAN LOPES FRANCISCO disse:

    Não há graça por nenhum ponto de vista, é só tragédia.
    Trágico ao quadrado, em um dia o brasileiro aprendeu mais sobre o Museu Nacional do que aprenderia em toda sua vida! 2 vezes Lamentável!!!
    Você que está perplexo com o ocorrido, quantas vezes visitou algum museu?
    Isso me deixa ainda mais triste.

  2. Marcelo disse:

    Pois é Christian, sempre que posso visito os museus aqui em São Paulo, onde moro. Um que nunca conheci foi o Museu Nacional. O prédio pode ser reconstruído, mas não será a mesma experiência visitá-lo.

  3. Vânia disse:

    Não há uma valorização da história, da cultura, o povo cresce e envelhece sem compreender o valor destas coisas em sua vida, na vida do país e da humanidade. Se o último presidente a visitar o Museu Nacional foi Juscelino Kubitschek, como consta nesta matéria,então não é só o povo em geral que não desenvolveu esse gosto, ou valores, fica claro que nossas autoridades também não detém esta compreensão. É uma constatação bem triste.

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