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POLÊMICA ELEITORAL

‘Kit gay’: a construção de uma farsa

Conheça a raiz da polêmica que envolve a campanha do presidenciável Fernando Haddad

‘Kit gay’: a construção de uma farsa
Bolsonaro acusa Haddad de ser o mentor de um 'kit gay' para crianças (Foto: EBC)

Um dos maiores desafios do presidenciável Fernando Haddad (PT) nestas eleições vem sendo esclarecer a polêmica envolvendo o chamado “kit gay”.

O tema vem sendo uma das maiores armas da campanha de seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL), que acusa Haddad de ser o mentor de um “kit gay”, durante sua gestão como ministro da Educação, que tinha como destino as escolas públicas do país.

Mas o que foi o kit? Ele de fato existiu? A princípio, é preciso esclarecer que o termo “kit gay” é equivocado. Isso porque ele sugere uma espécie de estojo, munido com um conjunto de elementos, que chegaria às escolas com o objetivo de fornecer às crianças tudo o que elas necessitariam para se transformarem em homossexuais mirins. E tal conclusão não poderia estar mais errada.

A raiz da polêmica

Para entender onde a polêmica em torno do tema começou, é preciso voltar ao ano de 2011, quando Haddad ocupava o cargo de ministro da Educação. Naquele ano, o Ministério da Educação (MEC) lançou a cartilha “Escola sem Homofobia”.

A cartilha visava complementar a campanha “Brasil Sem Homofobia“, lançada pelo governo federal em 2004, um ano antes de Haddad assumir a pasta da Educação. A campanha, por sua vez, era fruto de conversas globais sobre o tema, cujo debate começou a ganhar destaque em meados da década de 1990, como aponta um trecho do documento de apresentação da campanha.

“O tema da discriminação com base na orientação sexual foi formalmente suscitado, pela primeira vez, em um foro das Nações Unidas, durante a Conferência Mundial de Beijing (1995), pela Delegação da Suécia. Tendo em vista que a regra para a aprovação de qualquer proposta durante a Conferência é o consenso entre os Estados, a apresentação de objeção por delegações islâmicas impossibilitou a sua adoção”, diz o texto.

O debate do tema, no entanto, foi retomado em 2001, durante a Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Conexas de Intolerância, realizada, em Durban, na África do Sul. Após a conferência, o Brasil passou a discutir junto à sociedade civil formas de combate à discriminação por orientação sexual. E uma das primeiras medidas tomadas pelo governo federal foi a criação do Conselho Nacional de Combate à Discriminação, em outubro de 2001. No ano seguinte, Lula assumiu a presidência da República e deu continuidade às iniciativas de combate à discriminação e violência iniciadas na gestão de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso.

Dentre as ações tomadas neste viés pelo governo Lula está a campanha “Brasil Sem Homofobia”, lançada em 2004. Em 2011, o Ministério da Educação, já sob o comando de Haddad, deu seguimento à campanha, ao lançar a cartilha “Escola sem Homofobia”, que tinha como objetivo combater o preconceito já na base, ou seja, durante a formação escolar. Em sua apresentação, o projeto ressalta que a medida é complementar à campanha lançada em 2004.

“O Plano de Implementação proposto pelo Programa Brasil sem Homofobia recomenda em seu componente V – ‘Direito à Educação: promovendo valores de respeito à paz e a não discriminação por orientação sexual’”, diz o documento.

Dessa forma, o projeto defende o combate à naturalização da homofobia em conteúdos disciplinares e nas interações cotidianas que ocorrem dentro das escolas. O projeto também visa capacitar professores para que estes tenham recursos para lidar com o tema.

Polêmica travou o projeto

Se em meados da década de 1990 delegações islâmicas travaram o debate da homofobia na Conferência Mundial de Beijing, no Brasil, em 2011, foi a bancada evangélica que cumpriu esse papel em âmbito nacional.

O lançamento da cartilha gerou tanta polêmica, que a então presidente Dilma Rousseff decidiu vetar a distribuição da cartilha. Um dos motivos foi a pressão da bancada evangélica, e as críticas de setores conservadores da população ao projeto. Tais críticas, em grande parte, se deram por informações desencontradas e distorções. Foi noticiado, por exemplo, que a cartilha seria destinada a crianças pequenas, quando na verdade o material tinha como público alvo estudantes do 6º ao 9º ano. Além disso, foram divulgadas imagens falsas sobre a cartilha, que utilizavam fotos retiradas de uma campanha do Ministério da Saúde de conscientização sobre DSTs como se fossem a capa da cartilha.

A proibição da distribuição do material e a atual aversão ao debate do tema em alguns setores, acaba por colocar o Brasil na contramão de países desenvolvidos, que prezam, antes de tudo, pelo respeito às liberdades individuais, como o Canadá. O país é um dos mais avançados em relação aos direitos LGBT. Lá, gays podem casar, adotar, trocar de sexo e são protegidos pela legislação do país. Cabe ressaltar que nenhum desses direitos resultou na perversão da sociedade, como apontam aqueles que são contra ações de combate à homofobia. Ao contrário, ao conceder direitos iguais, o país consolida a cidadania e combate a violência.

 

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9 Opiniões

  1. Marcelo Machado disse:

    Lamentável sua tentativa de fazer a opinião pública acreditar que a cartilha de combate à homofobia seria simplesmente um”inocente” material escolar. E os errados são sempre os outros…

  2. Ivone disse:

    São visões distorcidas sobre problemas sociais e minorias que nos esperam no futuro próximo.

    Salve-se quem puder…

  3. HENRIQUE O MOTTA disse:

    Eu não sabia que negros e homosexuais tinham “direitos diversos” dos demais brasileiros brancos e heterosexuais como quer inferir a afirmativa “…ao conceder direitos iguais, o país consolida a cidadania e combate a violência …”. TODOS, independentemente da cor da pele (branca, negra, amarela …) temos os mesmos direitos; TODOS, independentemente da sua opção sexual, temos os mesmos direitos. Pretender sensibilizar a opinião pública com colocações equivocadas em nada ajuda. Sou brasileiro, branco e hetero e tenho orgulho do que sou. Imagino e desejo que os brasileiros negros ou afro-descendentes (o que na verdade toda a humanidade é) e os brasileiros homosexuais tamnbém tenham orgulho do que são, pois sempre devemos nos orgulhar se somos honestos no sentido maior da palavra. NUNCA discriminei quem quer que fosse independentemente de sua cor ou preferência sexual.

    Somos sim uma sociedade com preconceitos e estes não acabam com a sua possível criminalização mas sim com uma melhor compreensão das razões do porque estes não devem existir. Hoje percebo, e é claro que tanto quanto o preconceito esta atitude é incorreta, uma arrogância, que presumo ser defensiva no negro, na mulher e no homosexual, ao lidar com pessoas de outro gênero (homem, branco, hetero). É provável que até se justifique, mas com certeza não ajuda a acabar com o preconceito e intolerância. Repensemos todos nossas atitudes na relação com a sociedade. Leis de proteção ao que não precisa ser protegido são tão deletérias para a sociedade como as que estimulam discussões em idade precoce sobre a sexualidade. Tudo a seu tempo. Não sou evangélico mas acho que “cartilhas”, se mal formuladas só prejudicam. A experiência do que o governo em geral faz na educação não é muito positiva. Eu não gostaria que meus filhos (e tenho 3 já adultos) a partir da 6a. série do ensino fundamental tivessem “educação sexual” sem que eu fosse consultado a respeito e pudesse me manifestar contra ou a favor da forma. O Estado brasileiro é intervencionista, pretendendo sempre “ditar” como este ou aquele problema deve ser tratado, em total descaso com o que querem ou imaginam seus cidadãos. Esta atitude deve ser repensada e modificada.

  4. Jan disse:

    No minimo deveria comentar as inúmeras narrativas falsas ou no minimo forçadas, financiadas por anos com dinheiro publico e que agora consolidadas em rótulos, são usadas como arma de ataque pela esquerda na guerra politica. A saber: Fascista, estuprador, racista, homofóbico, etc….

  5. A.G.MENDES disse:

    Se “kit Gay” é errado, “cura gay”, idem .
    Artigo lamentável, haja vista dezenas de videos na internet e artigos na midia.
    “Se colar, colou”!

  6. jayme endebo disse:

    Os livros foram editados mas não foram distribuídos aos alunos porque houve pressão dos evangélico, foi mostrado na internet com todos os detalhes e dizer que era mentira passa a ser desonestidade.O que o lulopetismo fez de mal ao Brasil levará ainda muitos anos para voltarmos a ser uma nação com valores de honestidade,patriotismo, familiares etc.
    Bolsonaro terá um trabalho hercúleo para destruir tudo isso e ainda colocar o país nos trilhos do desenvolvimento.

  7. Aureo Ramos de Souza disse:

    Esta aí a confirmação, a coisa que Bolsonaro é uma realidade e só fez gastar o dinheiro da educação o cara não seria nenhum otário mostrar uma coisa que não era real. Taí a conclusão. Ser ou não ser, ex a questão

  8. Telbia Campos Weiss disse:

    Jornal partidário, matéria tendenciosa, mau caratismo dizer que o material foi criação de alienígenas, cancelando agora a inscrição… Não concordar com as loucuras de um candidato, ok… É um direito, agora dizer que o material foi digno de respeito,ou inesistentente é chamar o pode de burro affff. Que ridículo

  9. Daniel Oliveira disse:

    Não adianta mostrar bem detalhadamente a farsa que foi esse “Kit Gay”, farsa tão explícita que até o TSE mandou a campanha de Bostonaro tirar do ar
    Os bolsominions vão continuar latindo e insistindo nesta mentira!!!

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