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REPÓRTERES SEM FRONTEIRAS

Liberdade de imprensa piora no Brasil em 2018

País ocupa a 105º posição, entre 180 países, em ranking da organização Repórteres sem Fronteiras sobre liberdade de imprensa

Liberdade de imprensa piora no Brasil em 2018
Posição coloca o Brasil próximo a países como Venezuela, Burundi e Turquia (Foto: Agência Brasil)

A liberdade de imprensa no Brasil piorou em 2018. A constatação é de um relatório da organização Repórteres sem Fronteiras (RSF), divulgado nesta quinta-feira, 18.

O relatório analisou a liberdade de imprensa em 180 países e constatou que, em 2018, o Brasil caiu três posições no quesito em relação ao ano anterior, descendo para o 105º lugar. A posição do Brasil é próxima da chamada “zona vermelha”, na qual se encontram países onde a situação é difícil para a imprensa, como Venezuela, Burundi, Iraque e Turquia.

Na América do Sul, o Brasil é o quarto pior em relação à liberdade de imprensa, ficando atrás apenas de Venezuela (148º), Colômbia (129º) e Bolívia (113º). O Uruguai é o melhor colocado, ocupando a 19ª posição no ranking.

A RSF classificou 2018 como um ano particularmente agitado para o Brasil. “Em 2018 ao menos quatro jornalistas foram assassinados no país em decorrência da sua atividade. Na maioria dos casos, esses repórteres, locutores de rádio, blogueiros e outros comunicadores mortos cobriam e investigavam tópicos relacionados à corrupção, políticas públicas ou crime organizado, particularmente em cidades de pequeno e médio porte em todo o país, nas quais estão mais vulneráveis”, escreveu o RSF em um tópico no relatório dedicado ao Brasil.

A RSF também apontou que a eleição de Jair Bolsonaro, calcada em um discurso de ódio, desinformação e menosprezo pelos direitos humanos, “marca um período sombrio para a liberdade de imprensa” no país.

Além disso, destacou que jornalistas se transformaram nos alvos prediletos dos seguidores do presidente, que assim como seus filhos costuma atacar profissionais da imprensa em postagens no Twitter.

A RSF também apontou o uso das redes sociais para espalhar notícias falsas e desacreditar veículos da imprensa. “Em um país onde dois terços da população se informam pelas redes sociais, a plataforma de mensagens WhatsApp desempenhou um papel central na campanha […] e tomou o lugar das fontes tradicionais de informação. […] Nesse contexto tenso, os jornalistas brasileiros tornaram-se um alvo preferencial, e são regularmente atacados por grupos disseminadores de ódio, especialmente nas redes sociais”, diz o relatório.

A organização apontou ainda um clima tóxico, agravado pela polarização política. “Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”, diz o texto.  

Liberdade pelo mundo

Segundo o relatório da RSF, a liberdade de imprensa piorou de uma forma geral no mundo em 2018. O ano foi o que teve o maior número de jornalistas mortos desde 2014, quando 114 foram assassinados. Em 2018, foram 84 mortos. Já em 2017, foram 74 jornalistas assassinados, em 2016 foram 80. Em 2019, até o momento, foram oito.

A organização aponta que, até o fim de 2018, 336 profissionais da categoria ao redor do mundo, entre jornalistas e colaboradores, se encontravam presos.

Falando sobre o continente americano, o RSF destacou a situação de países como Estados Unidos, Nicarágua e Venezuela. Sobre os americanos, a ONG relembrou o caso de um homem que invadiu um jornal em Maryland e matou cinco jornalistas. Já sobre os nicaraguenses e os venezuelanos, a ONG destacou a repressão governamental. Recentemente, um dos principais jornalistas da Nicarágua se exilou na Costa Rica, enquanto o governo de Nicolás Maduro censurou a emissora alemã Deutsche Welle.

Na outra ponta do ranking, a Noruega aparece em primeiro lugar como o país com as melhores condições para profissionais da imprensa, seguida da Finlândia e da Suécia.

Em termos gerais, o RSF tem cinco classificações para listar os países na lista de liberdade de imprensa. A melhor delas é a “boa situação”, que conta com 8% dos países, seguida por “situação satisfatória” (16%), “situação problemática” (37%), “situação difícil” (29%) e “situação muito séria” (11%).

Atualmente, em todo o continente americano, apenas Cuba está na pior categoria do ranking, ocupando o 169º lugar, entre os 180 países. Países como Venezuela, Colômbia e Bolívia estão na categoria “situação difícil”, enquanto a maior parte do continente está na categoria “situação problemática”, a terceira no ranking de cinco.

Um mapa da RSF mostra a situação no mundo. A cor “bege” representa a categoria “boa situação”. Já a “amarela” representa a “situação satisfatória”. A “laranja” diz respeito a “situação problemática”. O vermelho chama a atenção para a “situação difícil” e o preto destaca a “situação muito séria”.

Foto: RSF

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