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Governo Dilma

Líderes do Congresso ganham força, apesar de problemas na Justiça

Em grande parte dos países democráticos, figuras como Eduardo Cunha e Renan Calheiros seriam banidas da vida pública

Líderes do Congresso ganham força, apesar de problemas na Justiça
Cunha e Calheiros foram citados na lista de políticos envolvidos no escândalo de propina da Petrobras (Foto: Reprodução/ABr)

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), é acusado de evasão fiscal, de usar o avião governamental para encontrar um cirurgião especialista em implantes capilares e usar o lobista de uma empreiteira para pagar pensão alimentícia à filha que teve em um caso extraconjugal.

Já o líder do Congresso, Eduardo Cunha (PMDB), enfrenta denúncias de envolvimento em casos de corrupção e de desviar fundos para viver em um apartamento pago com dinheiro ilegal. Além disso, Cunha e Calheiros também foram citados na lista de políticos envolvidos no escândalo de propina da Petrobras.

Em grande parte dos países democráticos, figuras como essas seriam banidas da vida pública mesmo que não fossem condenadas nos processos. Mas não no Brasil, onde o homem que comanda o Congresso infestado de escândalos está ganhando poder em um governo atormentado pela má gestão da presidente Dilma Rousseff.

O movimento reflete uma das mudanças mais drásticas na política nacional recente e dá um panorama claro da situação em que se encontra a presidente Dilma após as denúncias da Operação Lava-Jato.

“Este é o ‘House of Cards’, do Brasil, com os chefes do Congresso se aproveitando de um momento em que a presidente é muito fraca. Eles estão colocando em prática uma estratégia de simplesmente deixar Dilma isolada”, disse ao New York Times o professor emérito de ciência política na Universidade de Brasília, David Fleischer.

Desvio de foco

A estratégia parece estar funcionando. Cunha e Calheiros desviam as atenções de seus próprios problemas para focar na presidente, cujo percentual de aprovação caiu 13% nos últimos meses. Com isso, eles protegeram o Congresso da culpa pelo fracasso do governo. A aprovação da Casa subiu de 9% em março para 11% em abril, segundo o Datafolha.

A resistência do Congresso pode representar uma mudança em uma instituição que é constantemente desprezada no país por se premiar com frequentes aumentos salariais, enquanto a maior parte da população sofre com as medidas de austeridade, e por sua capacidade em proteger os políticos com problemas na Justiça.

Aproximadamente 40% dos deputados federais eleitos com grande número de votos nas eleições de 2014 estão sob investigação por diferentes crimes, entre eles desmatamento ilegal, desvio de verbas e tortura. É preciso um grande escândalo para que algum membro seja expulso do Congresso. Por exemplo, o caso de Hildebrando Pascoal, um deputado que foi condenado por operar um esquadrão da morte onde as vítimas eram esquartejadas com motosserras.

Fontes:
New York Times-Brazil’s Power Dynamics Shifting Amid Political Scandals

1 Opinião

  1. Joma Bastos disse:

    Em qualquer país da União Europeia, políticos envolvidos em corrupção, seriam forçados a abandonar seus cargos públicos. Na América Latina isso não acontece!

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