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ENTREVISTA NO JORNAL NACIONAL

Livro citado por Bolsonaro nunca foi distribuído em escolas

Em entrevista ao Jornal Nacional, o deputado Jair Bolsonaro disse que o livro ‘Aparelho Sexual e Cia’ era parte de um ‘kit gay’ a ser distribuído em escolas. Informação, no entanto, é falsa

Livro citado por Bolsonaro nunca foi distribuído em escolas
Seminário LGBT infantil citado por Bolsonaro jamais existiu (Foto: Youtube)

A entrevista dada por Jair Bolsonaro (PSL-RJ) ao Jornal Nacional, na noite da última terça-feira, 27, vem gerando grande repercussão. Dentre outras polêmicas, vem ganhando destaque a citação de um livro chamado “Aparelho Sexual e Cia”. De autoria do suíço Philippe Chappuis, popularmente conhecido como Zep, e da francesa Hélène Bruller, o livro chegou ao Brasil em 2007.

Durante a entrevista no Jornal Nacional, ao ser questionado sobre as acusações de homofobia que enfrenta, Bolsonaro mostrou o livro, afirmando se tratar de uma cartilha que era parte de um “kit gay” a ser distribuído nas escolas públicas do país. A cartilha seria uma conquista obtida no 9º Seminário LGBT infantil, que, segundo Bolsonaro, teria ocorrido na Câmara. O deputado afirmou que foi sua luta contra a distribuição do livro que lhe rendeu o status de homofóbico.

No entanto, a informação é falsa. Primeiro, porque o seminário citado por Bolsonaro jamais existiu. Anualmente, ocorre na Câmara um encontro para discutir questões relacionadas à comunidade gay. A cada ano, é debatido um tópico diferente.

A reunião a qual Bolsonaro se referiu não se tratava de um “seminário LGBT infantil”. Ela ocorreu em 2012, com o tema “Infância e sexualidade”, e seu objetivo não era a criação de um “kit gay” para crianças. Na verdade, o que se discutiu no encontro foram formas de combater a violência doméstica contra adolescentes e crianças que não se encaixam em papéis de gênero.

Outra informação falsa, dada por Bolsonaro na entrevista, é que o livro “Aparelho Sexual e Cia” jamais fez parte de qualquer material divulgado pelo MEC, como já esclareceu o órgão, em um comunicado divulgado em 2016. “O Ministério da Educação (MEC) informa, em nota, que não produziu e nem adquiriu ou distribuiu o livro “Aparelho Sexual e Cia”, que, segundo vídeo que circula em redes sociais, seria inadequado para crianças e jovens brasileiros. O MEC afirma ainda que não há qualquer vinculação entre o ministério e o livro, já que a obra tampouco consta nos programas de distribuição de materiais didáticos levados a cabo pela pasta”, diz o comunicado.

Consultada pelo Opinião e Notícia, a assessoria do Ministério da Cultura confirmou que “em 2011, a Fundação Biblioteca Nacional, por meio do programa Livro Aberto, adquiriu da Cia. Das Letras 28 exemplares da publicação ‘Aparelho Sexual e Cia – Um guia inusitado para crianças descoladas’. Os livros, entre outros títulos, foram distribuídos para bibliotecas públicas integrantes do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas”. A iniciativa, no entanto, não tem relação com distribuição em bibliotecas escolares.

Já a polêmica em torno do “kit gay”, citado pelo presidenciável, remete ao ano de 2011, quando o MEC lançou a cartilha “Escola sem Homofobia”, um projeto para reduzir preconceito contra gays nas instituições de ensino. O projeto era parte da iniciativa Brasil sem Homofobia – Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra LGBT e Promoção da Cidadania Homossexual, lançada pelo governo federal em 2004, para reduzir a violência contra a comunidade gay no país – violência esta que faz o Brasil ocupar o topo dos rankings de assassinatos por homofobia, crime que vem aumentando nos últimos anos, como apontou um levantamento divulgado em janeiro.

Na época em que foi apresentada, a cartilha do “Escola sem Homofobia” gerou tanta polêmica que acabou vetada pelo governo federal, e nunca foi distribuída. As críticas em grande parte, se deram por informações desencontradas e distorções. Foi noticiado, por exemplo, que a cartilha seria destinada a crianças pequenas, quando na verdade o material tinha como público alvo estudantes do 6º ao 9º ano. Além disso, foram divulgadas imagens falsas sobre a cartilha, que utilizavam fotos retiradas de uma campanha do Ministério da Saúde de conscientização sobre DSTs como se fossem a capa da cartilha.

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6 Opiniões

  1. Marco disse:

    Não importa, BOLSONARO 17 PRESIDENTE.

  2. Luciano Conceição da Paz disse:

    O índice de criminalidade,está crescendo em todas as esferas. E não só contra gays,certas classes precisa de parar de se vitimizar.

  3. Vilma disse:

    As cartilhas realmente não foram distribuídas nas escolas, graças a muita luta e mérito de pessoas que acreditam e temem a Deus. O que o Bolsonaro quiz dizer foi que a intenção deles era distribuir essa cartilha sem se preocupar com coisas muito mais relevantes como saúde, segurança, educação como se fócemos um país de primeiro mundo onde a justiça funciona. Povo com cultura é outro nível né e como sabem disso ficam distorcendo, colocando palavras eeeeee o povão cai como patinho defendendo uma corja de ladrões travestidos de bonzinhos inocentes.

  4. SERGIO AUGUSTO disse:

    Que curioso, vocês não publicam nada das mentiras dos PTralhas!!! Não importa, BOLSONARO 17 PRESIDENTE.

  5. Carlos U Pozzobon disse:

    Ele não tem o que dizer e seu público só quer ouvir a mesma coisa, pois está enfarado com a política. Faz uns três anos que ele fala nesta cartilha. É do tipo capaz de denunciar Jesus Cristo por pedofilia ao dizer ‘vinde a mim as criancinhas’.

  6. Reinaldo disse:

    Querem melhor resposta é só percorrer algumas escolas que verão a degradação geral, e o kit gay estava sim para ser distribuído, não o foi devido a repercussão e o estardalhaço que BOLSONARO provocou, Petralhas fora, vão perder o emprego como muitos brasileiros hoje estão desempregados por causa dess PETRALHADA e essa quadrilha que tomou o Brasil, BOLSONARO NELES.

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