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Campanha contra o lixo

Lixo Zero: factoide ou missão educativa?

Fumantes pagaram R$ 157 pela falta de educação. Mas quanto custa cuspir no chão?

Lixo Zero: factoide ou missão educativa?
Punição por jogar lixo na rua pode chegar a R$ 3 mil (Reprodução/OGlobo)

Diz um ditado que “Cidade limpa é a que menos se suja”. É muito comum e lamentável o hábito de descartar lixo pelas ruas e calçadas. Este é um problema das grandes e pequenas cidades em diversos países no mundo. No Rio de Janeiro, a coisa não é diferente. Suja-se a cidade sem a menor pena ou vergonha. É verdade.

Preocupada em manter a cidade limpa, a prefeitura do Rio lançou a Operação Lixo Zero e transformou a iniciativa em factoide punindo 121 pessoas no primeiro dia da repressão. Foram multados em R$ 157 aqueles que jogaram lixo com dimensões inferiores a uma lata de refrigerante. Os fumantes foram as maiores vítimas – os mesmos que já foram reprimidos pela prefeitura por fumar em bares e que, aos poucos, vão retomando suas baforadas nas casas de tavolagem. Para cada guimba ou bituca – dependendo de onde o leitor de Opinião & Notícia morar – ou lixo maior lançado na via pública, a punição pode chegar a R$ 3 mil.

Quando um assunto é polêmico, nada melhor para o jornalista do que promover um “povo fala” para conhecer a opinião das ruas. O produtor de cinema Paulo Peres apoia a Operação Lixo Zero: “Essa iniciativa tem que dar certo. Tem que pegar”. Já a publicitária Sandra Del Soldato cobra da prefeitura e do governo do estado postura idêntica: “Eles vão ter que andar na linha, limpando direito as ruas e não permitindo o vazamento de esgotos pelos ralos. Se é para cobrar, que seja uma via de duas mãos”, exige. Já a pesquisadora Marina Linhares desconfia da operação: “No começo tudo são flores, depois eles deixam de lado. Até hoje só vi funcionar duas coisas: a Lei Seca e o uso obrigatório do cinto de segurança”, avalia desconfiada. Editora da revista Conjuntura Econômica, Solange Monteiro apoia e repete a receita de Marina: “Tem que aprender. Só queria ter o mesmo direito de multar a administração pública por cada vazamento de esgoto que encontro. Só no caminho pro trabalho, em Botafogo, tenho que pular uns três bueiros ou sair da calçada”, reclama.

E se o infrator lançar a guimba no chão enquanto estiver sentado na mesa do bar, vai pagar quanto? Se jogar a bituca do automóvel enquanto estiver ao celular, quanto custa? E outra pergunta – esta tão desagradável quanto necessária: como ficam aqueles que cospem no chão ou permitem que seu cachorrinho faça cocô e xixi na calçada?

A empresa que promove a limpeza da cidade do Rio de Janeiro – a Comlurb – criada em 1975, é a maior organização de limpeza pública na América Latina e tem a prefeitura como principal acionista. Um dos grandes méritos da companhia foi mudar o conceito que se tinha do profissional que recolhe lixo. O lixeiro se transformou num agente de limpeza – alguém que promove o asseio e, consequentemente, a saúde da população e a preservação do meio ambiente. Indício de que pode haver uma missão educativa nessa iniciativa.

 

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11 Opiniões

  1. helo disse:

    Ótima providência. Na Europa o filho de uma amiga tinha o carro cheiro de papel. Não se importava com a bagunça, mas não jogava nada fora por causa da multa. Fumantes devem e donos de cahorro devem recolher os dejetos. Não dá tanto trabalho.

  2. Margareth disse:

    Ótimo! Se é necessário que seja dessa forma para as pessoas serem melhores educadas …. que seja.
    Se não é por educação, que vá por punição. Espero que todos os Estados adotem o mesmo procedimento.

  3. sergio disse:

    ai povão ,olha o bolso ,só assim mesmo entao que seja !!!

  4. Nengatel disse:

    Próximo a minha casa há uma escola em que os alunos e funcionários têm que fazer malabarismo para ter acesso as suas dependências devido á quantidade de lixo que a população coloca em frente à instituição de ensino.Um dia desse peguei uma professora (que também deveria dar o exemplo) colocando lixo em frente á instituição.
    Educação e punição.

  5. beta disse:

    Vai funcionar onde/quando houver controle/multa. Falta muito ainda para haver a educação.

  6. Áureo Ramos de Souza disse:

    Vamos começar do começo. Para se criar leis para punir as pessoas, se faz necessário primeiro que as leis sejam cumpridas por nossos políticos, se eles cumprirem as leis possivelmente o povo possa começar a cumprir seguindo seu funcionários que ganham muito bem pois nós somos os patrões e não mandamos em nossos subordinados o que eles sabem fazer é leis em favorecimento próprio. Jogar goia de cigarro ou pituca é feio mais vamos jogar onde, isto para os que são imbecis e fumam se preparando para a morte. O povo deixará deixará de fazer tudo que não presta quando eles aprenderem a seguir as leis por eles inventadas.

  7. thomas Toth disse:

    É um bom exemplo, para fazer uma limpeza no país. Em Cingapura, cuspir no chão, paga uma multa, equivalente a 300 reais. La a limpeza foi geral, em todos os sentidos, não escapou nenhum corrupto, nenhum traficante, nenhum bandido, tornando-se o país mais limpo, mais seguro, de maior índice em educação, em saúde, em segurança, em habitação, em transporte público, de maior renda per capita e com os melhores portos do mundo. Parabéns ao Prefeito e ao Governador do Rio de Janeiro, que sirva de exemplo, ao Brasil e cuja meta seja imitar na totalidade Cingapura. Talvez um Joaquim Barbosa, poderá tornar isso, uma realidade.

  8. Anis Murad disse:

    Eu tenho uma dúvida para o çabio (sic) que criou isto responder. Caso eu acenda uma bombinha de festa junina o que eu faço? Se jogo no chão sou multado. se jogo dentro da lixeira serei atuado por dano ao patrimônio público?

  9. olbe disse:

    O maior problema do Brasil é a FALTA DE FISCALIZAÇÃO!!!!! Todas as atitudes são tomadas depois que as coisas acontecem (depois que o edifício caem, depois que os policiais matam impunimente, depois que o bueiro explode…) Se a fiscalização continuar o lixo vai acabar e o carioca vai aprender a cuidar da sua cidade. Turista não suja a cidade, quem suja é o carioca que joga sabugo de milho no chão, etc.MAS AS LIXEIRAS TEM QUE SER MUDADAS , além de pequenas elas fazem a gente colocar as mãos na sujeira para colocar o lixo nelas. Em Gramada e canela, a gente não vê, nem uma guimba de cigarro nas ruas e não tem ninguém cuidando, o povo é educado!.

  10. ISAAC J. A. CARMO disse:

    O maior problema, mesmo, dessas pessoas que jogam lixo na rua e nos espaços públicos, é o lixo que está armazenado na cabeça delas. Vai demorar muito até que haja uma consciência sócio-ambiental livre e plena sobre as regras de convivência, até que haja um processo educativo capaz de remover toda a sujeira da cabeça de muita gente que faz tudo para agravar os problemas para depois cobrar tudo dos seus governantes. Estes, é claro, tem que que exercer o seu papel, inclusive multando quem joga lixo na rua ou seja onde for.

  11. Markut disse:

    A quem menciona Singapura como modelo, gostaria de lembrar que, lá, a educação básica é cultivada com esmero, a ponto de as cédulas de dinheiro de menor valor terem como tema indutor uma aula de escola primária.
    Não seria esse o ponto de partida mais eficiente?

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