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DECLARAÇÃO DA DEFESA

Lula não irá a São Bernardo do Campo

Advogado de Lula destaca decisão tardia da Justiça, que somente liberou a ida até a cidade quando o irmão do ex-presidente já estava sendo sepultado

Lula não irá a São Bernardo do Campo
Defesa de Lula tentava obter na Justiça o direito do ex-presidente de comparecer à cerimônia (Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula)

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovar a ida de Lula a São Bernardo do Campo (SP), minutos antes do sepultamento do seu irmão, o advogado do ex-presidente, Manoel Caetano Ferreira, anunciou que ele decidiu permanecer em Curitiba (PR). A defesa de Lula tentava obter na Justiça o direito do ex-presidente de comparecer à cerimônia de enterro de Genival Inácio da Silva, o Vavá.

“A decisão foi proferida quando já estava abaixando a sepultura, o enterro já estava acontecendo. Então, nesse sentido, a decisão não tem mesmo como ser cumprida. O presidente não concordaria em se reunir com a sua família em um quartel. Ele disse isso claramente. Seria um vexame, seria um desrespeito com a família, que ele fosse se encontrar com a família, em um momento como esse, num quartel”, explicou o advogado.

Vavá, de 79 anos, irmão de Lula, morreu na última terça-feira, 29. O velório começou no mesmo dia e o enterro ocorreu nesta quarta-feira, 30, às 13h. Com base no artigo 120 da Lei de Execução Penal (LEP), a defesa do ex-presidente tentou a liberação de Lula para que ele pudesse comparecer ao sepultamento.

Após a juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Criminal Federal de Curitiba, negar o pedido, o STF reverteu a decisão e acatou, parcialmente, o pedido da defesa. O ex-presidente poderia ir até São Bernardo do Campo, mas só poderia se encontrar com a família em uma unidade militar. Para se despedir do irmão, o corpo de Vavá teria de ser conduzido por familiares até o local.

Além da dificuldade logística para os familiares, a decisão do presidente do STF, Dias Toffoli, saiu minutos antes do sepultamento ocorrer, o que não deu tempo hábil para que Lula fosse de Curitiba até São Bernardo do Campo. A demora na decisão do STF rendeu duras críticas, com a hashtag “#LulaPresoPolítico” figurando entre os assuntos mais comentados no Twitter no Brasil.

“A primeira observação é que a decisão chegou muito tardiamente, a decisão é inviável, impossível de ser cumprida. E, segundo, ela estabelece condições que jamais o presidente aceitaria, especialmente essa. Ele não se submeteria a essa condição de se reunir com sua família em um quartel, em uma unidade militar”, afirmou Caetano Ferreira.

“Pura maldade”

De acordo com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, Lula já havia lamentado a negativa da Justiça quando a juíza Carolina Lebbos não o deixou ir a São Paulo. “Não deixaram eu me despedir do Vavá por pura maldade. […] Não posso fazer nada porque não me deixaram ir. O que eu posso fazer é ficar aqui e chorar”, teria dito o ex-presidente a Hoffmann, segundo a parlamentar.

Presente no enterro, Fernando Haddad, que concorreu à presidência nas eleições de 2018, lamentou a decisão da Justiça em não permitir que Lula acompanhasse o sepultamento do irmão. Segundo Haddad, a determinação da Justiça fere a Constituição Federal. “Não estamos reivindicando nada que nenhum outro cidadão não tenha acesso, são direitos sagrados garantidos pela Constituição. É muito grave a decisão de impedir que ele tivesse o luto, ele poderia estar aqui se despedindo do irmão, é um direito da democracia”, afirmou Haddad.

Frei Chico, outro irmão próximo do ex-presidente, também lamentou a ausência de Lula. Frei Chico e Vavá eram os irmãos mais próximos de Lula, sendo filhos da mesma mãe – Eurídice Ferreira de Melo, conhecida como Dona Lindu. Frei Chico, inclusive, relembrou da presença do ex-presidente no enterro de Dona Lindu, em 1980, quando estava sendo mantido preso no Dops – órgão de repressão do regime militar.

“Em 1980, Lula estava preso no Dops quando nossa mãe morreu. Veja vocês o quadro que estamos vivendo no Brasil. A repressão mudou, mas mudou de tal forma que ninguém vê hoje, mas ela existe e até mais violenta. […] Quem tomou conta de Lula naquela época foram dois policiais. Uns trabalhadores de uma metalúrgica pararam a empresa e fizeram um cordão de isolamento. Os policiais ficaram à vontade e não teve nenhum problema”, apontou Frei Xico.

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1 Opinião

  1. carlos alberto martins disse:

    diz o sr Haddad que feriram a democracia e a constituição por não liberarem o seu patrão para ir a S.Bernardo.interesante é saber que os seus amigos e do LULA jogaram a constituição na latrina.portanto não venha a reclamar.que tal o sr ler no AURELIO as palavras por sí ditas de uma forma da inteligencia digna de legítimo representante da ignorancia dos muares.nunca de a sí os direitos usurpados do povo.

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