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VAZA JATO

Lula relutou em aceitar Casa Civil, apontam mensagens

Investigação teria ignorado outros diálogos de Lula sobre a aceitação do convite de Dilma para a Casa Civil

Lula relutou em aceitar Casa Civil, apontam mensagens
Lula voltou a acusar Moro de ‘produzir uma farsa’ para dar um golpe no país (Foto: Lula Marques/Agência PT)

Novas mensagens divulgadas pela Folha de São Paulo, em parceria com o portal “Intercept Brasil”, revelam informações sobre a tentativa da ex-presidente Dilma Rousseff em nomear o ex-presidente Lula para a Casa Civil. Os diálogos foram revelados neste domingo, 8.

Na época, a divulgação de um áudio entre os ex-presidentes dividiu o país. Críticos à Operação Lava Jato apontavam a irregularidade na divulgação. Para os promotores, porém, o telefonema entre Lula e Dilma demonstrava que a nomeação de Lula tinha como objetivo travar a Lava Jato.

No entanto, conversas que foram gravadas na mesma época, em 2016, mas que foram mantidas em sigilo, enfraqueceriam a tese defendida pelo então juiz federal Sérgio Moro, que atualmente dirige o Ministério da Justiça. Os diálogos entre Lula e diferentes pessoas, como sindicalistas e até mesmo o então vice-presidente Michel Temer (MDB), mostram que o ex-chefe de Estado relutou em aceitar o convite de Dilma.

Lula só teria aceitado se tornar ministro da Casa Civil após pressão de aliados. A Lava Jato só foi mencionada pelo ex-presidente aos advogados uma vez. O ex-chefe de Estado orientou a defesa em responder aos jornalistas que a nomeação apenas visaria mudar a jurisdição, visto que ministros têm direito a foro privilegiado.

Durante essas conversas, não houve nenhum alerta entre os investigadores dos diálogos de Lula. No entanto, durante o telefonema para Dilma, um dos policiais que escutavam as conversas alertou os investigadores em um grupo no aplicativo Telegram. Nos outros diálogos, o policial só avisou posteriormente com quem e sobre o assunto que Lula tratou.

Segundo a Folha de São Paulo, as escutas permitiram que a Lava Jato soubesse da indicação de Lula para a Casa Civil com uma semana de antecedência, dando tempo para que os investigadores se preparassem juntamente com o então juiz Moro.

No dia em que soube do convite, o coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, pediu um CD com todos os áudios e relatórios. Em tom jocoso, Dallagnol disse que estava “sem nada para ouvir no carro”.

No dia 14 de março de 2016, integrantes da Lava Jato revelaram, em uma troca de mensagens, que, aparentemente, já estava confirmada a ascensão de Lula ao cargo de ministro. Oficialmente, porém, o ex-presidente só aceitou o convite de Dilma no dia 16 de março de 2016.

Após aceitar o convite, Lula demonstrou preocupações em uma conversa com Clara Ant, sua assessora. No entanto, a outros políticos, apontava desejo em auxiliar Dilma a se reaproximar de Eduardo Cunha (MDB-RJ), então presidente da Câmara dos Deputados, e de Temer, que, apesar de vice-presidente, havia se afastado do Planalto.

Segundo anotações de um agente da Lava Jato conseguidas pela Folha, Lula disse que aceitou o cargo porque era uma oportunidade de animar o país. Ademais destacou que, em uma das manifestações pró-impeachment, “quem ganhou foi a figura de combate à corrupção expressada na figura de Moro”. Lula também teria dito que “esse combate à corrupção foi sempre um alimento para golpistas no mundo inteiro”.

Os agentes também souberam que Lula receberia, com antecedência, o termo de posse para “caso de necessidade”. No Telegram, os investigadores demonstraram saber que Lula e Dilma estavam “preocupados se vamos tentar prendê-lo antes de publicarem no DOU [Diário Oficial da União]”. Para os investigadores, a conversa entre Lula e Dilma sobre o termo de posse já demonstrava “desvio de finalidade da nomeação”.

Procurado pela reportagem da Folha, o ministro Sérgio Moro afirmou que não tinha conhecimento sobre os telefonemas grampeados pela Polícia Federal que foram mantidos sob sigilo. Ele teria tido acesso somente aos áudios selecionados pela investigação e enviados à Justiça.

A força-tarefa da Lava Jato, por sua vez, disse que cabe à Polícia Federal selecionar as informações relevantes para a investigação. “Havendo áudio ou qualquer outra prova de conduta ilícita por parte de pessoas com prerrogativa de foro, a Procuradoria-Geral da República ou outra autoridade competente é comunicada, sem exceção. […] Não havendo indícios de crimes, os áudios são posteriormente descartados, conforme previsto na legislação, com a participação da defesa dos investigados”, afirmou através de uma nota, destacando que as outras conversas podem não ter revelado, para a polícia, interesse para a investigação.

Pelas redes sociais, a conta oficial de Lula destacou que, no dia 16 de março de 2016, “o juiz Sérgio Moro não só cometeu um crime. Produziu uma farsa, enganando todo o Brasil, para dar um golpe no país”, fazendo alusão aos diálogos que teriam sido ignorados pela Justiça.

Fontes:
Folha de São Paulo-Conversas de Lula mantidas sob sigilo pela Lava Jato enfraquecem tese de Moro

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1 Opinião

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    Corrupções petistas NÃO DEVEM SER INVESTIGADAS e ponto final. O homem aprisionado em cela de luxo em Curitiba á um exemplo de honestidade (o cidadão mais honesto do mundo) e está acima de qualquer suspeita. Ponto final. É isso mesmo que você tentam diariamente provar???

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