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TENSÃO NO GOVERNO

Maia deixa articulação da reforma da Previdência para Bolsonaro

Presidente da Câmara diz que cabe a Jair Bolsonaro conquistar votos para que a reforma seja aprovada no plenário da Câmara dos Deputados

Maia deixa articulação da reforma da Previdência para Bolsonaro
Declaração reflete a irritação de Maia com as recentes críticas dos filhos de Bolsonaro (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), atribuiu ao chefe de Estado, Jair Bolsonaro, a responsabilidade para conquistar votos o suficiente para pautar a reforma da Previdência. A afirmação foi feita na tarde desta sexta-feira, 22, à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

“O papel de articulação do Executivo com o parlamento nunca foi e nunca será do presidente da Câmara. […] Eu continuo ajudando. Sei que a reforma da Previdência é fundamental e não abro mão dela. […] Quando ele [Bolsonaro] tiver a maioria e achar que é a hora de votar a reforma, ele me avisa e eu pauto para votação. E digo com quantos votos posso colaborar”, apontou o deputado.

Maia tem tratado a reforma da Previdência como uma prioridade ao governo Bolsonaro. A priorização das mudanças, inclusive, gerou um atrito entre o presidente da Câmara e o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Isso porque Moro quer dar celeridade ao projeto anticrime, enquanto Maia quer deixá-lo para ser votado após a análise da reforma da Previdência.

A atribuição de Maia a Jair Bolsonaro a responsabilidade da conquista de votos é um novo momento da relação entre o presidente da Câmara e a família Bolsonaro. Na última quarta-feira, 20, o próprio Jair Bolsonaro foi ao encontro de Maia para entregar a proposta de reforma da Previdência dos militares.

Enquanto a relação de Maia e Jair Bolsonaro é amistosa, o deputado federal tem enfrentado atritos com os filhos de chefe de Estado, em especial com o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). Isso porque, na última quinta-feira, 21, o vereador fez uma postagem nas redes sociais e questionou: “Por que o presidente da Câmara anda tão nervoso?”. A postagem carregava a imagem de uma reportagem jornalística com críticas de Moro a Maia.

Rodrigo Maia, por sua vez, teria ficado irritado com as críticas do vereador, e compartilhou uma postagem do deputado federal Domingos Neto (PSD-CE). O compartilhamento ocorreu pouco depois das publicações de Carlos Bolsonaro. No texto, Neto destacou a importância de Maia para a conquista da reforma da Previdência.

Foto: Rodrigo Maia/Twitter

Nesta sexta-feira, em resposta a uma postagem da deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), Maia reforçou que “nunca” vai deixar de “defender a reforma da Previdência”. Na publicação, Paschoal havia afirmado que “não importa” se Maia gosta do presidente Bolsonaro e de seus filhos.

Depois do atrito e dos boatos sobre Maia deixar a reforma da Previdência de lado, outro filho de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), também usou as redes sociais, mas para exaltar a importância do presidente da Câmara na aprovação da reforma.

“Presidente da Câmara Rodrigo Maia é fundamental na articulação para aprovar a Nova Previdência e projetos de combate ao crime. Assim como nós, está engajado em fazer o Brasil dar certo!”, escreveu Flávio Bolsonaro.

Impacto na economia

A incerteza sobre a reforma da Previdência também acentuou a queda da Bolsa de Valores, iniciada na última quinta-feira, 21, depois da prisão do ex-presidente Michel Temer. O Índice Bovespa (Ibovespa) opera em queda de 3,18%, alcançando o patamar dos 93.657 pontos, depois de ter superado a marca de 100 mil pontos. O dólar, por sua vez, subiu, chegando a R$ 3,90 nesta sexta-feira, 22. De acordo com analistas financeiros, a queda na Bolsa teve início após a reforma da Previdência dos militares causar mal estar no Congresso Nacional. Em seguida, devido ao atrito entre Maia e Moro, a queda foi acentuada. Agora, com a incerteza do apoio ao projeto, a recuperação ficou mais complicada.

De acordo com analistas financeiros, a queda na Bolsa teve início após a reforma da Previdência dos militares causar mal estar no Congresso Nacional. Em seguida, devido ao atrito entre Maia e Moro, a queda foi acentuada. Agora, com a incerteza do apoio ao projeto, a recuperação ficou mais complicada.

“Está ficando cada vez mais claro que os investidores começam a considerar a possibilidade de que a reforma da Previdência não vai andar”, afirmou André Perfeito, economista-chefe da corretora Necton, ao Globo.

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1 Opinião

  1. carlos alberto martins disse:

    se assim não fosse o que seria depois do cesse,apesar dos pragmaticos meandros do fomento articulado em vão por um vedadeiro bando de beócios tuberculos.se ninguem entendeu o que escrevi é assim que eu entendo a politica no Brasil,isto é nada de bulhufas.em Brasilia todo mundo fala,ouve, mais ninguem se entende,até que ditem os preços dos vendilhões palacianos.como diria HEBE CAMARGO,são todos uma gracinha.

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