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Maia rompe relação com líder do governo

Rompimento se deu por charge pejorativa sobre o Congresso. No Senado, parlamentares cobram explicações de Bolsonaro em relação a ataques ao Legislativo

Maia rompe relação com líder do governo
Anúncio do rompimento foi dado em uma reunião entre líderes da Câmara (Foto: Fabio Pozzebom/ABr)

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O mal-estar entre Congresso e Planalto, gerado após ataques ao Legislativo por parte do Executivo e aliados da base do presidente Jair Bolsonaro, segue causando reflexos.

Na última terça-feira, 21, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), rompeu com o líder do governo na Câmara, o deputado Vitor Hugo (PSL-GO), após este compartilhar no grupo do PSL nas redes sociais uma charge na qual uma pessoa chega ao Congresso com um saco de dinheiro com a inscrição “Diálogo”, sugerindo que a articulação política somente é feita com base no dinheiro.

Fonte: Reprodução

Maia anunciou o rompimento em uma reunião do Colégio de Líderes da Câmara, que contou com a presença de Vitor Hugo. “Vitor Hugo está excluído da minha relação porque ele compartilhou no grupo de deputados que negociar é entrar na Câmara com um saco de dinheiro”, disse o presidente da Câmara, segundo informou a revista Época.

Apesar do anúncio, Hugo permaneceu na reunião e disse aos demais líderes presentes que tentou, sem sucesso, acessar Maia de todas as maneiras.

“Tentei de todas as maneiras e o Maia fugiu. Fugiu de ter uma relação. Ele só me atende depois de fazer tudo que tem a fazer. Ele não pode determinar quem entra ou não na Residência Oficial da Presidência da Câmara. A residência oficial é da Câmara e não dele, isso não é democrático”, disse o deputado, sendo posteriormente interrompido por Maia, que encerrou a reunião.

Ao blog da jornalista Andréia Sadi, do portal G1, Maia explicou por que decidiu expor o rompimento durante a reunião e por que vem excluindo Hugo desde março.

“Com ele não dá, ele botou isso aí no post do PSL. Então, um líder do governo que posta uma charge dessa, do diálogo ser um saquinho de dinheiro na cabeça, não merece o meu respeito. Eu só expliquei aos deputados porque ele me agrediu antes”, disse Maia.

Hugo, por sua vez, se disse surpreso com a atitude do presidente da Câmara. “A minha postagem no grupo do PSL meses atrás não foi ataque ao parlamento, pelo contrário. Foi uma exortação para que a gente trabalhe para que a imagem que parte da população brasileira tenha sobre nós deixe de existir. Não tive qualquer intenção de atacar o parlamento”, disse o deputado.

As críticas de Maia à postura de Hugo não são recentes nem isoladas. Várias bancadas da Câmara já pediram a saída de Hugo do posto de líder do governo na Casa. Bolsonaro, no entanto, não demonstra intenção de afastá-lo.

Nesta quarta-feira, 22, em coletiva dada a jornalistas no Planalto, o porta-voz da presidência, Otávio Rêgo Barros, foi questionado se a rixa entre pode comprometer o trâmite de pautas na Câmara, como a reforma da Previdência.

Barros respondeu que a cizânia entre Maia e Hugo é desconhecida pelo presidente. “Essa cizânia é desconhecida pelo presidente. Eu não estou dizendo que ela houve ou não houve. Eu estou dizendo que ela é desconhecida pelo presidente e, em cima desse desconhecimento, eu não tenho como fazer comentários. Agora, o major Vitor Hugo detém, pelo nosso Presidente, todo o carinho e o respeito, e o reconhecimento da sua capacidade de liderar o governo lá, junto à Câmara, naquilo que for importante para o Poder Executivo”, disse o porta-voz.

Senadores cobram explicações sobre texto contra o Congresso

Não é apenas na Câmara que os ataques ao Congresso reverberam. Na terça-feira, senadores teceram duras críticas à forma como o governo federal tem se relacionado com o Congresso. Eles também cobraram explicações sobre o texto compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro, que classifica o Brasil como um país “ingovernável fora de conchavos”.

Os senadores argumentaram que, se o presidente tem ciência de tais conchavos, deveria apontar nomes, em vez de lançar suspeita sobre todo o Congresso.

“Presidente, Vossa Excelência tem a obrigação de dar os nomes dos parlamentares que o estão chantageando, porque o senhor está prevaricando ao esconder os nomes e prevaricar é crime. É crime, principalmente, para um chefe de nação, que não pode ser chantageado, que não pode ser acuado, porque ele governa para todos”, disse o senador Omar Aziz (PSD-AM), segundo noticiou a Agência Senado.

O senador manifestou intenção de enviar um requerimento aos ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e da Secretaria de Governo, Santos Cruz, solicitando explicações sobre as acusações. Aziz também se queixou de ataques nos meios de comunicação perpetrados por aliados de Bolsonaro que não aceitam críticas e afirmou que Bolsonaro precisa se manifestar. Ele também sugeriu aos que pretendem participar da manifestação pró-Bolsonaro, marcada para o próximo dia 16, que incluam nas demandas a divulgação dos nomes que estariam chantageando o presidente.

A fala de Aziz foi apoiada por vários senadores. Além de apoiar o discurso do colega, o senador Otto Alencar (PSD-BA) disse ter negado a convocação do presidente da República para manifestações contra o Congresso, afirmou que o Senado precisa cobrar um posicionamento do governo e listou 14 declarações dadas e depois desmentidas por Bolsonaro. Ele disse que a culpa das principais crises ocorridas neste ano é do próprio governo.

“Ninguém aqui é culpado pela exoneração do ex-ministro da Educação, Ricardo Vélez; pela crise de Bebianno [ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência]; pelos problemas entre Olavo de Carvalho e o Exército. A tormenta que tem acontecido no Palácio do Planalto é gestada no próprio Palácio do Planalto ou por seus assessores”, disse o senador.

Rogério Carvalho (PT-SE) destacou que os parlamentares não podem aceitar que o governo coloque a população contra o Poder Legislativo ou qualquer outro Poder da República. Ele destacou que os parlamentares são eleitos pelo voto popular e que vozes divergentes precisam ser respeitadas.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM), por sua vez, afirmou que tanto o presidente quanto alguns de seus ministros têm sido infelizes em suas declarações. “O governo é quem dá o ritmo da orquestra, é o maestro. E, quando o maestro encaminha o tom para a orquestra tocar no ritmo errado, tudo começa a desandar”, disse o senador.

Presente na sessão, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) elogiou os colegas e se colocou à disposição para dialogar e levar as demandas dos parlamentares ao governo.

“Eu sou testemunha de que, pelo menos, aqui no Senado, há vontade construtiva de grande parte dos senadores, e de que nunca recebi de ninguém aqui um pedido que não fosse publicável ou que não fosse republicano”, disse Flávio.

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