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CRISE MIGRATÓRIA

Mais de 60% dos jovens venezuelanos não frequentam escolas no Brasil

Além do problema educacional, as crianças e adolescentes ainda precisam lidar com problemas de segurança alimentar, sanitários, de trabalho infantil e até de violência sexual

Mais de 60% dos jovens venezuelanos não frequentam escolas no Brasil
Foram entrevistadas mais de 4 mil pessoas para a realização do estudo (Foto: Reynesson Damasceno/Acnur)

Apenas 36,5% das crianças e adolescentes venezuelanas que chegam ao Brasil frequentam a escola. É isso que aponta um novo estudo da Organização Internacional para as Migrações (OIM) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado nesta terça-feira, 2.

O Monitoramento do Fluxo Migratório Venezuelano, com ênfase em crianças e adolescentes, revela os principais problemas enfrentados pelos jovens migrantes ao chegarem ao Brasil através de Roraima. Além do problema educacional, as crianças ainda precisam lidar com problemas de segurança alimentar, sanitários, de trabalho infantil e até de violência sexual.

Para a realização do estudo, as equipes entrevistaram 4 mil pessoas, em Pacaraima (RR) e na capital Boa Vista, entre maio e junho deste ano. Dessa forma, as entidades conseguiram reunir informações de 726 crianças e adolescentes, sendo 479 em bairros de Boa Vista e Pacaraima, 171 na fronteira de Pacaraima com a Venezuela e 76 na rodoviária de Boa Vista.

Na questão da educação, os principais problemas que causam a ausência dos jovens nas escolas são falta de vagas, distância e custos. Ao todo, 63,5% das crianças e adolescentes venezuelanos não frequentam as instituições de ensino. No entanto, se for analisado somente a idade escolar obrigatória, de 5 a 17 anos, o índice cai para 59%. Por outro lado, a porcentagem é maior entre os adolescentes entre 15 e 17 anos, os quais 76% não vão à escola.

Em saúde, os resultados são melhores, mas ainda preocupam. Isso porque, apesar de 87,1% das crianças e adolescentes terem sido vacinadas e 70% terem acesso aos serviços de saúde, 60% não têm acesso à água mineral filtrada para beber. Ademais, outros 45% não tinham acesso à água para cozinhar ou garantir a higiene pessoal. Outros 28% disseram que tiveram diarreia no último mês.

Se analisada a alimentação, 16% das crianças e adolescentes admitiram que passaram por algum momento em que não tiveram comida o suficiente à disposição. Por isso, boa parte deles tiveram que diminuir o número de refeições diárias.

Em questão da exploração infantil, 16 dos venezuelanos entrevistados admitiram que uma criança ou adolescente sob a sua responsabilidade já fez algum tipo de trabalho esperando receber algum tipo de pagamento. Outras 14 crianças ou adolescentes responderam positivamente para a pergunta: “Desde que chegou ao Brasil, você já conheceu uma criança ou adolescente que estava em risco de violência sexual?”.

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