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EDUCAÇÃO DE MENINAS

Malala vai patrocinar três ativistas brasileiras

Através do Fundo Malala, a ativista paquistanesa vai patrocinar o trabalho de três brasileiras que lutam pelo direito à educação de meninas no país

Malala vai patrocinar três ativistas brasileiras
Malala esteve em São Paulo na última segunda-feira, 9 (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

A ativista paquistanesa Malala Yousafzai vai patrocinar, através do Fundo Malala, três brasileiras que lutam pelo direito à educação de meninas brasileiras. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 10, um dia após sua palestra em São Paulo.

Sylvia Siqueira Campos, de Pernambuco; Ana Paula Ferreira de Lima, da Bahia; e Denise Carreira, de São Paulo, serão incluídas na Rede Gulmakai – que apoia e incentiva o trabalho dos defensores da educação em diferentes países. O Brasil será a primeira nação da América Latina a receber o apoio do Fundo Malala. Até o momento, a organização apoia 22 ativistas pró-educação espalhados por Afeganistão, Líbano, Paquistão, Índia, Turquia e Nigéria.

Sylvia Siqueira Campos é presidente do Movimento Infanto-Juvenil de Reivindicação (Mirim), que combate as desigualdades e promove a formação de crianças, adolescentes e jovens. Já Denise Carreira é coordenadora adjunta da Ação Educativa, uma organização sem fins lucrativos que atua nos campos da educação, cultura e desenvolvimento dos jovens.

Já Ana Paula Ferreira de Lima é uma das coordenadoras da Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí). Criada em 1979, a mais antiga dentre as três organizações, ela luta para promover um relacionamento mais justo entre a sociedade brasileira e os povos indígenas.

“Garantir acesso igualitário à educação requer liderança ousada e ágil. É por isso que temos orgulho de investir nessas três ativistas, cujo trabalho para desafiar os líderes e mudar as normas já está ajudando a criar um futuro melhor para todas as meninas brasileiras”, afirmou a CEO do Fundo Malala, Farah Mohamed, através de um comunicado, conforme noticiou o G1.

A Rede Gulmakai é o principal programa de apoio à educação do Fundo Malala, e recebeu esse nome em homenagem à ativista. Isso porque, aos 11 anos, quando iniciou a sua luta em prol da educação das meninas, Malala usou o pseudônimo Gulmakai para escrever em um blog para a BBC, explicando como era a vida no Paquistão sob o regime do Talibã.

Palestra em São Paulo

Malala Yousafzai, que completa 21 anos na próxima quinta-feira, 12, fez sua primeira palestra no Brasil na última segunda-feira, 9, no Auditório Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. No evento, a paquistanesa encontrou jovens e crianças, tirou fotos e participou de uma roda de debates com especialistas em educação, além de responder perguntas do público.

“São meninas que estão tendo o seu direito negado, como ocorreu comigo. Quero, junto com vocês, encontrar formas de garantir que tenham acesso a uma educação de qualidade, que significa dar condições a elas de saber ler e escrever e também de sonhar”, explicou Malala, apontando que veio ao Brasil preocupada com a informação de que 1,5 milhão de meninas estão fora da escola no país.

Mesmo em pouco tempo, a ativista conseguiu emocionar e inspirar muitas meninas e mulheres que ouviram suas palavras. A baiana Islaine Medeiros, de 17 anos, havia conhecido Malala há pouco tempo, quando ganhou, na escola, um livro sobre a história da paquistanesa. Mesmo assim, ficou impressionada com a sua trajetória. “Ela é como uma artista. O talento dela é a coragem, a força, a forma como enxerga a educação”, afirmou Islaine, em entrevista ao jornal Correio 24 Horas.

Apesar de ser visto como um ídolo, Malala refuta esse status. Logo no início da palestra, a ativista destacou que muitas colegas de escola tinham o desejo de levantar suas vozes, assim como ela fez. No entanto, o caminho do seu ativismo só conseguiu ser trilhado graças aos seus pais, que a apoiaram incondicionalmente.

Nívea Reis, de 16 anos, foi mais uma estudante que teve a chance de conhecer a ativista. Em seu encontro com Malala, Nívea, que é de Minas Gerais, revelou que tem um projeto de alfabetização de idosos junto com os seus amigos, tentando ainda o apoio financeiro da prefeitura. Para a jovem, Malala é uma inspiração. “Ao conhecer a história da Malala e, ao ouvir falar agora sobre a sua vida, me fez ver que não posso desistir. Quero ser forte e corajosa como ela”, contou ao Correio 24 Horas.

 

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Fontes:
G1-Malala vai patrocinar três brasileiras que lutam pela educação de meninas
Correio 24 Horas-'O talento dela é a coragem', diz baiana que conheceu Malala em visita ao Brasil

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