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Governo Dilma

Mangabeira Unger: o estrategista da presidente Dilma

De volta ao cargo que ocupou sob Lula, o professor Roberto Mangabeira Unger vê seu papel no governo como o de um mero conselheiro, mas seu mandato começou com polêmicas

Mangabeira Unger: o estrategista da presidente Dilma
O professor e filósofo Roberto Mangabeira Unger foi convidado a ocupar o cargo de ministro da Secretaria de Relações Estratégicas em fevereiro (Foto: Wikipédia)

Em fevereiro deste ano a presidente Dilma nomeou o filósofo e professor de Harvard Roberto Mangabeira Unger para o cargo de ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Mangabeira já esteve à frente da SAE no governo Lula, entre 2007 e 2009, apesar de ter escrito um conhecido artigo manifesto em 2005, no qual classificava o governo Lula como “o mais corrupto de nossa história nacional” e pedia ao Congresso “o impedimento do presidente”. Agora, sob Dilma, Unger foi encarregado de traçar “uma ampla agenda de desenvolvimento” para o Brasil, após o ajuste fiscal.

Como esse objetivo em mente, Mangabeira está rodando o Brasil em um jato particular operado pela Força Aérea Brasileira. Em uma dessas viagens recentes, o ministro convidou correspondentes estrangeiros para entrevistá-lo a bordo e conhecer o seu trabalho. As matérias publicadas em Financial Times e New York Times oferecem uma visão original do filósofo governista, além de darem pistas sobre o seu papel no governo.

Embora ele tenha uma equipe de cerca de 120 funcionários e a supervisão do principal instituto de pesquisa do governo, o Ipea, Mangabeira disse que sua função é principalmente a de um conselheiro. Ele explicou que vê seu papel no governo como o de uma espécie de provocador intelectual: “Eu tenho que criar tensão dentro da administração e agitar do lado de fora”, disse, segundo o New York Times.

“Eu realmente não tenho qualquer poder, apenas o poder de propor e instigar”, citou o Financial Times.

Ajuste fiscal

Mangabeira apontou divergências com a equipe econômica do governo Dilma. Segundo o Financial Times, ele explicou que a visão ortodoxa do ministro da Fazenda Joaquim Levy é de que o ajuste fiscal vai resgatar a confiança financeira no Brasil e trazer mais investimento e crescimento econômico. No entanto, segundo Mangabeira, Dilma concorda com ele e acredita que não é uma questão de resgatar confiança financeira, mas de restaurar a capacidade do Estado para manobrar.

“Nós [ele e Dilma] pensamos que a doutrina da confiança financeira nunca realmente funcionou em qualquer lugar … olhe para a Europa e lá ela entregou uma combinação de austeridade e estagnação”, disse, segundo o Financial Times.

Política ambiental

O New York Times ressalta o pensamento “escorregadio” de Mangabeira e sua incapacidade de se fazer entender pelo brasileiro comum. Lembra, também, que ele teve um início de mandato turbulento até agora. Ambientalistas responsáveis pelas políticas climáticas do governo dizem que ele está tentando reduzir sua influência. Menos de um mês depois de assumir a SAE, Mangabeira demitiu dois dos principais responsáveis pelo maior estudo sobre os impactos das mudanças climáticas na economia brasileira já realizado no país. O levantamento “Brasil 2040”, serve de base para as propostas que o país fará durante a cúpula sobre o clima na Conferência das Partes (COP 21), marcada em Paris, em dezembro. Mangabeira demitiu o secretário de Desenvolvimento Sustentável Sérgio Margulis e a diretora de programa Natalie Unterstell.

Essa não é a primeira vez que Mangabeira é pivô de polêmica na área ambiental. No governo Lula, a ação do ministro foi a gota d´água para o pedido de demissão de Marina Silva, então ministra do Meio Ambiente. Mangabeira manobrou para levar a coordenação do Plano Amazônia Sustentável para a SAE, tirando do Meio Ambiente o programa que era uma das meninas dos olhos de Marina.

Fontes:
The New York Times - Working within the system to disrupt Brazilian politics
The Financial Times - Dilma Rousseff´s advisor charts a path for Brazil

8 Opiniões

  1. ilio borges de araujo disse:

    Faço minhas as palavras de CARLOS FURTADO!!!!

  2. Áureo Ramos de Souza disse:

    Ai é que a coisa vai se embrulhar entre Lula e Dilma. Se o cara não deu certo, atirou pro lado errado no governo Lula e agora Dilma o trás. Será que esta senhora ( se assim posso chamá-la) não ver que este é um embusteiro que quer conhecer o Brasil. Dá condição de estar viajando com dinheiro nosso e com certeza com tudo pago onde ele for. Sinceramente não sei onde vamos parar com esse PT. Pega essa mulher põe na porta do Planalto e dá um chute na bu… dela.

  3. Carlos Furtado disse:

    Pensei que a grande Universidade americana de Harvard ,escolhia melhor os seus professores que quando foi nomeado pelo maior corrupto que o universo já produziu(lula) e renomeado por dilmentira ,com 13% de aceitação popular ,esse embosteiro não tem nada a acrescentar de útil à Humanidade ,a não ser usar mal o dinheiro do sofrido contribuinte com passeios imuteis no avião da FAB.

  4. Carlos disse:

    Quando não se sabe o quer, qualquer coisa serve.

  5. André Luiz D. Queiroz disse:

    Esse cara, por mais bagagem acadêmica que tenha (professor de Harvard, etc), para mim, não passa de um ‘oportunista’ — pois não teve qualquer pudor em mudar totalmente de opinião acerca de Lula e cia., que antes criticava (contra quem até pediu o Impeachment!), tão logo foi convidado a participar do governo! O que queria mesmo era holofote para suas próprias ambições! Agora, vai ficar viajando de jato da FAB (às custas do erário público!…) para “conhecer os problemas do país”? Tá!…

    Mangabeira apontou divergências com a equipe econômica do governo Dilma. Segundo o Financial Times, ele explicou que a visão ortodoxa do ministro da Fazenda Joaquim Levy é de que o ajuste fiscal vai resgatar a confiança financeira no Brasil e trazer mais investimento e crescimento econômico. No entanto, segundo Mangabeira, Dilma concorda com ele e acredita que não é uma questão de resgatar confiança financeira, mas de restaurar a capacidade do Estado para manobrar. (…) Nós [ele e Dilma] pensamos que a doutrina da confiança financeira nunca realmente funcionou em qualquer lugar … olhe para a Europa e lá ela entregou uma combinação de austeridade e estagnação”, disse, segundo o Financial Times.” — só por isso, já dá pra ter uma ideia muito boa de que esse cara tem um pensamento tão confuso quanto e delirante quanto Dilma Rousseff! Criticar o ÚNICO ministro do atual governo que tem um pingo de seriedade no trato da coisa pública é dose!!

    Como mencionado no artigo, o próprio jornal New York Times ressalta o pensamento “escorregadio” de Mangabeira e sua incapacidade de se fazer entender pelo brasileiro comum. Ou seja, ‘tergiversa’, fala difícil (e não só pelo sotaque carregado!), fala muito para posar de intelectual — e não diz NADA! Ele e Dilma Rousseff são da mesma espécie: gente no fundo medíocre, mas que ficam ‘orbitando’ o núcleo do poder, até um dia ascenderem ao poder na esteira de outro poderoso que lhes dê trela!
    Raça de parasitas!…

  6. vitafer disse:

    Isso é o Brasil atual.

  7. jayme endebo disse:

    Mais um palpiteiro pro PT esse cara é muito fraco e sequer muda aquele sotaque ridículo.

  8. Roberto1776 disse:

    Esse cara (brizolista inveterado) ainda pensa que gastar é a solução. Só a Passadilma para tê-lo como conselheiro. Por outro lado Harvard é um ninho de cobras esquerdistas e é super natural que ele tenha crescido lá. No mínimo deu algumas aulas para o Barack “Osama”, outro esquerdista que o trem não pega.
    Enquanto o povão em geral não se livrar da ideia do “pensamento mágico”, teremos brizolas, obamas, moluskus passadilmas, managabeiras, mantegas e tsipras infernizando as economias.

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