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BOLSONARO X CONGRESSO

Manifestação do dia 26 marca um momento atípico da política nacional

Manifestações em repúdio ao Congresso e ao STF geram racha na base aliada do governo e expõem cruzada antirrepublicana de Bolsonaro

Manifestação do dia 26 marca um momento atípico da política nacional
Presidente da República se volta contra instituições republicanas (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Marcada para o próximo dia 26, a manifestação pró-Bolsonaro marca um momento atípico da política brasileira.

Com a promessa de lotar as ruas em várias capitais, os atos têm como objetivo expressar repúdio ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal (STF) e são apoiados por Jair Bolsonaro, expondo um paradoxo no qual um presidente da República se volta contra instituições republicanas.

(Fonte: O Antagonista)

O próprio Bolsonaro cogita participar dos protestos e vem divulgando no WhatsApp um panfleto convocando apoiadores para a manifestação do dia 26.

Desde que foram convocadas, as manifestações causaram um racha entre membros do partido do presidente, o PSL, que incluem bate-bocas em redes sociais e ataques a parlamentares da legenda contrários ao ato.

Um dos embates ocorreu no último fim de semana, protagonizado pelas deputadas do PSL Carla Zambelli, entusiasta da manifestação, e Joice Hasselmann, contrária ao ato. Ambas trocaram xingamentos e acusações no Twitter, acirrando o debate entre seus seguidores e correligionários.

Outra parlamentar que se tornou alvo das milícias digitais foi a deputada Janaína Paschoal (PSL-SP), que teceu duras críticas à manifestação do dia 26 e a Bolsonaro em uma série de postagens no Twitter. Figura que ganhou destaque em 2016, por sua defesa ao impeachment de Dilma Rousseff, Janaína afirmou que as manifestações “não têm racionalidade”, que o presidente foi eleito “para governar nas regras democráticas, nos termos da Constituição” e que “estão causando um terrorismo onde não há”.

Em meio à discussão, Janaína decidiu sair do grupo de WhatsApp do PSL, afirmando que seus colegas de partido “estão cegos” e “presos em uma bolha”. A deputada, no entanto, negou os boatos de que teria intenção de trocar de legenda. “Estou recebendo mensagens, indagando se eu teria saído do PSL, não saí. Saí do grupo de Whatsapp. Só isso. Como o Brasil, o partido deve ser plural”, escreveu Janaína.

Além de Janaína e Joice, o presidente do PSL, Luciano Bivar, se posicionou contra a manifestação, afirmando que, embora seja válida, não há sentindo em levar o povo às ruas para defender um presidente que foi eleito legitimamente. “Para que tirar o povo para uma coisa que já está dentro de casa? Já ganhamos as eleições, já passou isso aí”, disse Bivar.  

Em outro front, o Movimento Brasil Livre (MBL), que integrava a base aliada do governo, informou não apoiar as manifestações. O grupo justificou sua decisão apontando a retórica radical e as pautas antirrepublicanas dos atos, como a que exorta o Artigo 142 da Constituição Federal – que possibilita o acionamento das Forças Armadas em casos de crise de segurança nacional – e as que invocam o fechamento do Congresso e do STF.

“Você pode ter críticas – como eu tenho, o MBL tem – a membros do Supremo Tribunal Federal e a membros Congresso, a deputados, a senadores, a ministros do Supremo. Agora, defender o fechamento da instituição é uma coisa completamente diferente. O problema não está na instituição, o problema está na ação de pessoas que utilizam o poder da instituição para o seus fins pessoais”, disse o deputado Kim Kataguiri, cofundador e coordenador do MBL.

Outro coordenador do MBL, Renan Santos, apontou que a convocação para os atos, bem como a difusão das agendas antirrepublicanas, partiram de dois grupos: “São redes ligadas ao Carlos [Bolsonaro] e ao Olavo, grupos obscuros no Twitter, no Facebook”.

Em uma série de postagens no Twitter, Renan apontou ainda a escalada na retórica antipolítica do governo e destacou que Bolsonaro e seus filhos se colocam como vítimas do Centrão e do establishment político e que o texto compartilhado na última sexta-feira, 17, por Bolsonaro, que classifica o Brasil como “um país ingovernável” coroou essa tese. Assim como Janaína Paschoal, Renan apontou que Bolsonaro busca confundir o conceito de articulação política com o “toma lá da cá”, numa tentativa de demonizar o Congresso e emparedar as instituições.

“Clima de urgência demonstra que caso Queiroz, crescimento da esquerda, queda de popularidade e falta de entregas efetivas está abalando grupo ideológico. Querem acelerar o processo — a tal ‘tsunami’. Estão mobilizando massa de neuróticos e fanáticos pra isso. Tudo o que pretendem é criar o caos. Apenas na bagunça sobrevivem. Pediram intervenção em 2014, invasão do Congresso em 2015, revolução caminhoneira em 2018 e agora acham que a chance real pintou. O clima, em termos republicanos, é péssimo. O sucesso de um ato girando em torno dessa retórica é PÉSSIMO PRAS REFORMAS. É uma declaração de guerra ao Congresso. Qualquer pessoa minimamente responsável não apoia uma insanidade dessas”, escreveu Renan, ressaltando ainda que apoiar as manifestações do dia 26 é “sabotar o Brasil”.

Logo que anunciou sua decisão, o MBL passou a ser alvo de milícias bolsonaristas digitais, que passaram a divulgar teorias conspiracionistas sobre o grupo e conteúdos que distorcem a retórica de seus integrantes. Paralelamente, grupos que organizam as manifestações do dia 26 passaram a ampliar as pautas do ato, incluindo em suas demandas a defesa do pacote anticrime, a reforma da Previdência e o apoio à Operação Lava Jato, numa tentativa de dissipar o viés radical.

Na última segunda-feira, 20, Bolsonaro tornou a atacar o Congresso – órgão do poder Legislativo que integrou durante quase 30 anos e onde seus filhos também fazem carreira política.

“O Brasil é um país maravilhoso, que tem tudo para dar certo. Mas o grande problema é a nossa classe política”, disse Bolsonaro, em uma palestra na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), para celebrar o Dia da Indústria.

*Atualizada em 22/05, às 10h50

Foi noticiado neste artigo que o presidente Jair Bolsonaro pretendia comparecer à manifestação do dia 26. Porém, na terça-feira, o presidente desistiu de participar do ato e, em reunião em Brasília, pediu a ministros que não compareçam às manifestações e não façam convocações nas redes sociais.

Em sua conta oficial no Twitter, o presidente afirmou que considera o ato uma “manifestação espontânea da população, que de forma inédita vem sendo a voz principal para as decisões políticas que o Brasil deve tomar”.

“Acredito na harmonia, na sensibilidade e no patriotismo dos integrantes dos três Poderes da República para o momento que atravessa nossa Nação. Juntos, ao lado da população brasileira e de Deus, alcançaremos nossos objetivos!”, escreveu Bolsonaro.

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6 Opiniões

  1. Luciano disse:

    Bolsonaro está certo. O problema do Brasil é classe política, que está sabotando as ações do presidente e deseja retornar ao antigo “modus operandi” do toma-lá-da-cá. Desejam transformar o Brasil numa Venezuela. Malditos sejam!

  2. Rogerio Faria disse:

    O Bozo definitivamente odeia a democracia, apesar dele e sua prole, mamar nela por mais de trinta anos.

  3. Almanakut Brasil disse:

    É a mesma coisa da época da campanha eleitoral de 2018.

    O povo brasileiro contra o povo de Sodoma.

    Agora, essa Janaína parece ser da CORJA do MBL, que pegou carona no ano passado, chegou ao melhor lugar ao sol e agora está indo contra os interesses do povo que o elegeu, porque ela é corporativista aos assuntos jurídicos.

    Esse tipo de atitude é uma roleta-russa, porque se acontecer algo pior no Brasil, os “bois” já estarão marcados.

  4. Sérgio Linhares disse:

    Reportagem tendenciosa que cita apenas um lado da versão. Dizer que o artigo 142 é antirrepublicano!? Está na Constituição! Como entender esses argumentos, senão uma tentativa de desinformação?

  5. Jessica disse:

    esse governo esta em
    desespero e quer esconder suas próprias falcatruas políticas. esta na hora de surgir um nobo líder nesse país pois Lula e Bolsonaro são que há de pior

  6. Dalva Cândida Rodrigues Branco disse:

    Tenho achado as reportagens do opiniaoenoticia tendenciosas, vocês são claramente contra Bolsonara. tem jornalistas que mentem para ser contra o governo. É um absurdo! vocês não vão conseguir nada com isto. O povo brasileiro é a favor de Bolsonaro.

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