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PREFEITO DO RIO

Marcelo Crivella é alvo de pedido de impeachment

Pedido acusa Crivella de cometer crime de responsabilidade em reunião no Palácio da Cidade, onde prometeu vantagens a líderes religiosos

Marcelo Crivella é alvo de pedido de impeachment
Pedido será analisado quando a Câmara dos Vereadores voltar de recesso (Foto: Tomaz Silva/ABr)

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB-RJ) foi alvo de um pedido de impeachment por crime de responsabilidade protocolado nesta segunda-feira, 9, na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.

Apresentado pelo vereador Átila Nunes (MDB-RJ), o pedido tem como base a recente polêmica envolvendo um encontro secreto promovido por Crivella a 250 pastores e líderes religiosos, no Palácio da Cidade, sede do governo do Rio.

O encontro, batizado de “Café da Comunhão” foi fechado e bancado com verba do contribuinte carioca. Porém, ele foi revelado por uma reportagem do jornal Globo. No evento, Crivella ofereceu aos presentes vantagens como prioridade em filas para cirurgia de catarata em hospitais federais e municipais do Rio, soluções para imbróglios envolvendo cobrança de IPTU a igrejas, além de pontos de ônibus perto de igrejas.

“Na prefeitura, estamos fazendo um mutirão da catarata. A Márcia trabalha comigo há quinze anos. Ela conhece bem os diretores de toda a rede federal, […] ela conhece os diretores de toda a rede municipal, que eu já apresentei a ela, que já vieram almoçar conosco, de maneira que ela me representa em todos esses setores. […] Nós estamos fazendo o mutirão da catarata. Contratei 15 mil cirurgias até o final do ano. Então, se os irmãos tiverem alguém na igreja com problema de catarata, se os irmãos conhecerem alguém, por favor, falem com a Márcia, ou com o Marquinhos. É só conversar com a Márcia que ela vai anotar, vai encaminhar, daqui a uma semana ou duas a gente tá operando”, disse o prefeito.

A declaração gerou polêmica, uma vez que há pacientes que necessitam da cirurgia há mais de dois anos. Segundo noticiou o portal G1, dados do Sistema de Regulação do Rio (Sisreg) apontam que há 7.500 pacientes esperando a chance de operar.

Crivella também ofereceu soluções rápidas para questões de IPTU e a realização de obras de infraestrutura próximo a igrejas. “Tem pastores que estão com problemas de IPTU. Igreja não pode pagar IPTU, nem em caso de salão alugado. Mas se você não falar com o doutor Milton, esse processo pode demorar e demorar. […] Às vezes, o pastor está na porta da igreja e diz assim: ‘Quando o povo atravessa, pode ser atropelado’. Vamos botar um sinal de trânsito. Vamos botar um quebra-molas. Ou então o pastor diz assim: ‘O ponto de ônibus é lá longe, o povo desce e vem tomando chuva até a porta da igreja’. Então vamos trazer o ponto para cá. Vamos aproveitar esse tempo que nós estamos na prefeitura para arrumar nossas igrejas”, disse o prefeito.

As declarações de Crivella geraram indignação na população carioca. No Facebook, um protesto intitulado “Vamos falar com a Márcia”, organiza uma manifestação na próxima quarta-feira, 11, contra o uso político da Prefeitura do Rio. Mais de 4 mil pessoas já confirmaram presença no protesto, que será em frente ao prédio da Prefeitura do Rio, na Cidade Nova, região central do Rio.

O pedido de impeachment será analisado quando a Câmara dos Vereadores voltar de recesso. Caso Crivella seja deposto, assume a prefeitura do Rio o presidente da Câmara, Jorge Felippe (MDB-RJ), uma vez que o vice-prefeito Fernando Mac Dowell morreu em maio deste ano.

O pedido de impeachment protocolado por Átila Nunes (MDB-RJ) não foi a única ação contra Crivella. Na manhã desta segunda-feira, vereadores do Psol entregaram uma representação ao Ministério Público do Rio pedindo uma investigação sobre possível improbidade administrativa cometida pelo prefeito.

“É necessário que o Ministério Público se posicione sobre aquela absurda reunião do Marcelo Crivella, que de forma flagrante cometeu crime eleitoral ao fazer campanha em um espaço público antes da hora, como também ofereceu vantagens para que pessoas pudessem furar a fila do sistema de regulação e terem acesso a cirurgias antes da hora. Isso é inadmissível, pois fere um dos preceitos mais básicos da República, o da igualdade. O prefeito não pode favorecer um grupos de amigos e aliados”, afirmou o vereador Tarcísio Motta, líder da bancada do Psol na Câmara.

Sobrinho do bispo Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário do Grupo Record e da RecordTV, Crivella foi eleito prefeito do Rio em 2016, com o bordão de campanha “É hora de cuidar das pessoas”.

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1 Opinião

  1. André Vinícius Vieites disse:

    O crivella não seria uma referencia para a política carioca se existissem mais qualificados e coerentes; Vimos outros sempre buscando trabalhar na linguagem dos direitos humanos, isso para ganhar dinheiro extra depois das eleições, nosso trabalho não tem um viés assistencialista, ele é travestido de realista. Ele é baseado na participação cidadã e na formação de um voluntariado crítico e propositivo, que entenda como a sociedade se estrutura, como as injustiças e a desigualdade social se formam a partir de crivella. Não sei, mas até sair do atoleiro o Rio de Janeiro terá uma vida bem ruim do ponto de vista econômico e social. Pura crítica, a partir de uma melhoria real talvez em 2060.

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