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‘SÍMBOLO GLOBAL’

Marielle Franco estampa capa do ‘Washington Post’

Com o título ‘Uma política negra foi morta a tiros no Rio. Agora é um símbolo global’ artigo do Post narra trajetória da vereadora executada

Marielle Franco estampa capa do ‘Washington Post’
Segundo texto, se o objetivo da execução era calar Marielle, o efeito foi o contrário (Foto: Washington Post)

A vereadora Marielle Franco estampou nesta terça-feira, 20, a capa do jornal Washington Post. Com o título “Uma política negra foi morta a tiros no Rio. Agora é um símbolo global”, um artigo de capa do jornal narra a trajetória da vereadora executada na semana passada, destacando sua luta contra a corrupção, opressão racial e violência policial.

O artigo narra os últimos momentos da vereadora, desde a sua participação na roda de conversa “Mulheres Negras Movendo Estruturas!”, na Casa das Pretas, no Centro do Rio de Janeiro, até o momento da emboscada que ceifou sua vida e a de seu motorista, Anderson Gomes.

O texto ressalta que “se o objetivo era silenciar a política negra em ascensão, o assassino de Marielle Franco fez o contrário”. “Nos dias que se seguiram, a maior nação da América Latina assistiu com admiração uma figura antes pouco conhecida fora do Rio se transformar em um símbolo global da opressão racial”, diz o artigo.

O artigo cita os protestos que tomaram as ruas do Rio e se espalharam pelo país e chama atenção para a o fato de que os negros representam 54% da população do Brasil, mas são 71% das vítimas de homicídio no país.

O artigo destaca que Marielle Franco era uma raridade na política brasileira: uma forte mulher negra. “Após a infância pobre na Maré, ela estudou de noite para completar o ensino médio. Ela ganhou uma bolsa integral na Pontifícia Universidade Católica (PUC), onde era uma das duas alunas negras no curso de Sociologia”, diz o texto, que lembra ainda que Marielle decidiu entrar para a política após perder uma de suas amigas mais próximas, em 2005, vítima de uma bala perdida durante um confronto entre traficantes e policiais na Maré.

O texto também ressalta que a vereadora era uma feroz crítica de grupos milicianos e denunciava abusos cometidos por policiais. O texto cita a CPI da Milícias, de 2008, que investigou a atuação de milicianos que extorquiam moradores onde atuavam, cobrando taxas para serviços, como TV a cabo, venda de gás e transporte complementar. “A comissão concluiu que 118 milícias atuam na cidade. Foram 226 pessoas indiciadas, incluindo 67 policiais”, diz o texto.

O artigo finaliza lembrando que dias antes de morrer, Marielle Franco fez críticas ferozes ao 41º Batalhão de Polícia Militar do Rio, conhecido como “batalhão da morte”, por matar a tiros jovens negros. Ela também criticou a morte de Matheus Melo, um jovem de 23 anos morto a tiros por policiais na Favela do Jacarezinho, zona norte do Rio. Matheus era evangélico, tinha acabado de sair da igreja e foi à favela de moto para deixar a namorada em casa. Na saída, ele foi alvejado por policiais que, de acordo com familiares, não pararam nem pediram os documentos do jovem.

“Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”, postou Marielle Franco em sua página do Facebook, um dia antes de ser executada.

 

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3 Opiniões

  1. Nilson Bennoti disse:

    Não deixa de ser emblemático que o PSOL saia na imprensa mundial apenas quando morre um de seus quadros.
    E a principal estratégia da investigação policial é saber a quem aproveita o crime. Certamente estão investigando.

  2. Markut disse:

    É esperar que o fuzilamento dessa jovem Marielle e a repercussão mundial que causou, sirva de estímulo para as ações da intervenção militar, ora em curso.
    Uma demonstração da força da opinião pública, diante da indignação provocada,no país, de Norte a Sul.

  3. Celso Rodrigo Branicio disse:

    O jornal foi no mínimo leviano ao praticamente afirmar que a morte dela tenha algo a ver com a Policia, as investigações ainda estão em curso e sem nenhuma definição, tudo o que se fala são meras conjecturas, é claro que como ela criticava policiais e milicianos, eles são naturalmente as principais suspeitas, mas daí fazer praticamente uma afirmação neste sentido é muito precoce e infeliz, é jogar para o PSOL que de santo não tem nada e usa a morte dela para capitalizar votos e apoio popular, no final alega que o ideal seria vermos o fim desta guerra de policiais contra bandidos, acabar com abusos como a morte do jovem evangélico é correto, mas erros existe em todas as profissões e nem por isto todo policial é um criminosos, agora devido a esta exceção a solução deles é a policia deixar de existir ou atuar, lamentável esta mentalidade mesmo porque o problema não é a policia e sim a existência de criminosos, esta guerra e esta situação em si só existe porque temos criminosos, se foram gerados por nossos problemas sociais em nossa sociedade governadas por corruptos incompetentes que não investe na melhoria de seus cidadãos, nem por isto a solução é deixar o crime tomar conta do país e virarmos de fato e de direito uma cleptocracia, se são monstros criados por nós, temos de fato a médio e longo prazo de parar de gerar tais monstros, devemos combater este mal e elegermos melhores governantes e melhorar o nível das condições de vida e consequentemente a parte cultural e moral de nossa população e só com maciços investimentos em educação, como fez a Coréia do Sul e outros bons exemplos e também melhorarmos a distribuição de renda, enfim emancipação humana, mas até lá temos sim de usar a Policia e até mesmo o Exército que são nossos cães de guerra para fazer a limpeza ou controle das bestas criadas por nós, o pior de tudo é deixar estas bestas soltas e totalmente livres para fazer vitimas inocentes e até mesmo quem luta contra este sistema caótico como foi o caso de Marielle. É verdade que a Policia e Exército não podem agir como bestas também, mas isto é algo que tem solução, o que não pode é deixar o crime organizado influenciar e corromper a Polícia e Governantes corruptos, o problema é muito mais complexo do que imaginamos, mas não é combatendo a Policia e não os bandidos que vamos solucionar o problema. Temos de aguardar o fim das investigações e ver estes assassinos serem presos e mofarem na cadeia.

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